Perdido na Metrópole LI
Pedido na Hospedagem
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Colagem: Silvio Alvarez
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Nosso desencontrado herói escrevinhador e arteiro passou o último final de semana em São Paulo. Deixou seu cafofo-retiro, em Joanópolis, e caiu na estrada, rumo à metrópole. Não, desta vez ele não viajou a passeio. Como mencionado na crônica anterior, nosso amigo tratou de arregaçar as mangas de sua parcela artista plástico e foi participar da primeira etapa do projeto Murographia, no SESC Ipiranga. Durante os meses de abril e maio, o nosso perdido personagem coordenará uma galera jovem na produção de uma colagem gigante, que, no final das contas, chegará a 25 metros de largura.
Viajar, ainda mais por um motivo tão nobre e prazeroso, é comigo mesmo. Contudo, depois de tanto tempo enclausurado entre quatro interioranas paredes, creio que levarei um tempim até me acostumar novamente traveis de novo com certas características exclusivas das grandes cidades enormes. A começar pela hospedagem.
Joanópolis é uma cidade maravilhosa, mas não é o que podemos chamar de primor no quesito horários de ônibus. Quando o destino é São Paulo, por exemplo, mesmo que a capital esteja localizada a tão somente 100 km de distância, a rodoviária local oferece três oportunidades diárias de embarque apenas, às 6:00, às 10:00 e às 14:00 horas. No trajeto contrário, a partir do Terminal Rodoviário do Tietê, é ainda mais apertado. O fulano embarca às 9:00 da matina, às 19:00 horas, ou não embarca mais. Pode dormir por lá mesmo. Quando digo que Joanópolis é uma cidade pacata, é porque é pacata, de fato. A grande maioria dos cidadãos não gosta muito de deixar a aprazível localidade. No sentido inverso, então, em tempos de correria tecnologicamente desenfreada, o povo metropolitano deixa para pensar na estância turística quando quer descansar e estrebuchar o neurônios à beira da represa ou ao pé da Cachoeira dos Pretos.
Resultado? Com um compromisso em São Paulo às 10:00 da manhã, fica pra lá de arriscado sair de Joanópolis às 6:00. A odisséia rodoviária pinga-pinga demora cerca de duas horas e meia, sem contar, lógico, o risco de ser surpreendido por um congestionamento-monstro logo na chegada, nas marginais da Cidade da Garoa (que inunda).
Sendo assim, como o trabalho no SESC Ipiranga acontece aos sábados, conclui cá com meus pouco exercitados neurônicos botões, que o melhor a fazer é desembarcar em São Paulo já na sexta-feira, aboletar-se num hotel não muito longe da unidade e ficar por lá de prontidão a fim de evitar contratempos. Como a metrópole dispõe de uma gama gigantesca de hotéis, deixei para cuidar do importante detalhe apenas na quinta-feira. Péssimo negócio. Pois é. A essa altura, as grandes redes econômicas já estavam para lá de abarrotadas. O pior foi ser obrigado a saber deste impedimento através dos “simpáticos” e nada pessoais sistemas de reserva express, automática e eletronicamente via telefone. Está certo que os referidos hotéis são econômicos, fast food de cabo a rabo, mas será o Benedito que eles não poderiam gastar só um cadim a mais com uma telefonista para “estar nos atendendendo”? Ou será que, com este excesso de mordomia, poderíamos ficar muito mal acostumados? A meu mirde e ultrapassado ver, o atendimento on line é ainda pior. Ao efetuar a reserva através destes sistemas, só acredito que funcionou quando esparramado na cama do apartamento do dito cujo, todo confortavelmente pimpão.
O jeito foi procurar por uma hospedagem alternativa. Descartada a possibilidade de incomodar os amigos, busquei os hotéis mais simples, aqueles mais baratos e sem tantos não-me-toques. No bairro do Ipiranga, contudo, não dei lá muita sorte. Sem querer ser preconceituoso, e sendo, não gostei muito dos nominhos dos estabelecimentos estabelecidos na região: Flor do Ipiranga e Romantic.
Uai. O primeiro está mais para o de uma padaria e o segundo... Sugere uma atividade que não é exatamente a que pretendo desenvolver na profissional ocasião.
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Silvio Alvarez é colunista e artista plástico de colagem silvioalvarez@uol.com.br
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