» CRÔNICAS ANTERIORES |

25|04|08 | LIII - Perdido no Centro da Terra

18|04|08 | LII - Perdido na Recepção

11|04|08 | LI - Perdido na Hospedagem

04|04|08 | L - Perdido na Colagem Gigante

21|03|08 | XLVIX - Perdido no Desestressamento

21|03|08 | XLVIII - Perdido nas 42 Primaveras

14|03|08 | XLVII - Perdido nos Resgates

07|03|08 | XLVI - Perdido - O Lutador

29|02|08 | XLV - O Ex-Fumaçado

08|02|08 | XLIV - Perdido Silva

08|02|08 | XLIII - Uma auto-ajuda na auto-estima

01|02|08 | XLII - O PAC do Perdido

25|01|08 | XLI - Perdido EM 2008



Crônicas do ano 2007
»


 
» este autor escrevE ÀS sextAS-FEIRAS


contato@perdidonametropole.com.br

» SÃO PAULO, 21 de marÇO DE 2008

Perdido na Metrópole XLVIII
Pedido nas 42 Primaveras

Colagem: Silvio Alvarez

O Perdido na Metrópole fica mais maduramente experiente esta semana. Nosso amiguinho escrevinhador-arteiro comemora 42 primaveras invernais de outonos veranistas com muita alegria no coração. Graças aos recentes e retumbantes acontecimentos, nosso agora mais do que encontrado herói fará de conta que é o seu primeiro aniversário. Ele já mudou de idéia, mas bem que pensou em liberar totalmente a criança-livre de seu saltitante ser em uma festinha infantil de arromba* (é uma gíria “nova”). Por pouco não contrata um bufê com piscina de bolinhas (e salva-vidas), música ao vivo com show do Nelson Gonçalves cover, Grapette à vontade e decoração temática do Barbapapa.

Puxa, puxa que puxa. Quase que não acredito. Cheguei até aqui, vivo, com saúde, e com o maior pique para recuperar o tempo perdido. Vai ter anjo da guarda eficiente assim... No céu. Devo agradecer aos meus santos protetores sem cabeça. Sim, agora sou devoto dos santos sem cabeça. Como assim??? Eu explico. Todas as manhãs saio para caminhar e deixar o ar sadio invadir os meus pulmões de recente ex-fumante. Em meio à deslumbrante beleza da pacata Joanópolis, passo obrigatoriamente de livre e espontânea vontade por uma igrejinha, daquelas de beira de estrada, típicas do interior. A capelinha, com altar e tudo, fica aberta e à disposição de quem quiser dar uma rezadinha básica, pensar com os botões, meditar cadim, enfim... Só que alguém de mal com a vida e sem respeito para com o próximo invadiu o sacro recinto e teve a pachorra de quebrar todas as cabeças das estátuas. Pode? São João Batista sem cabeça até faria sentido, mas Santo Expedito, São Jorge... Não tem cabimento. Como o lugar traz uma paz imensa ao meu pouco espiritualizado coraçãozim, tornei-me devoto dos santos sem cabeça. Desde então, peço todas as noites aos descabeçados intercessores para que eu consiga manter o equilíbrio conquistado a duras penas, com a permissão de Deus, lógico, mas com o meu esforço. E bota esforço nisso.

Mudando de assunto, dia desses conheci um novo coleguinha, o Jurandir. Creio que devo pedir desculpas aos leitores homônimos, pois o meu Jurandir é o cãozinho vira-latas de focinho preto mais simpático que conheci até hoje. Todo pimpão e aparentemente ainda sem dono, Jurandir deve ter um mês e pouco de vida. Gostei dele, sim, só que ele um pouco insistente. Caí na besteira de alimentá-lo no dia em que nos conhecemos. Foi paixão ao primeiro prato de arroz empapado com leite. Jurandir agora não desgruda mais, retorna ao portão de casa todos os santos dias. E como uiva o danado. Adoro cachorro, qualquer raça de cachorro, mesmo os viralatês, mas não posso ter um cão, não nesta fase de minha existência. Ainda não passou totalmente a tristeza de quando perdi as minhas duas  cadelas hollywoodianas, Ingrid Bergman e Bete Davis. Não sei o que fazer com o Jurandir. O maior problema é que ele tem uma carinha de “eu te amo, não me abandone”.  Dá vontade de colocar no colo e não tirar mais. Parece que  sabe que tenho coração mole. Ele não quer bem uma ajuda, quer que eu o adote para sempre, isso sim.

Por essas e por outras, Jurandir fez com que eu refletisse um cadim a respeito do valor da amizade na minha até então tropicante jornada. Quando passei pela fase da depressão, que durou um longo e tenebroso tempo, meio que desenvolvi um irritante jeitim de grudar nos amigos, de encará-los como uma tábua de salvação, um lance meio sanguessuga mesmo, como se desejasse que vivessem por mim, que resolvessem meus problemas. Eu não fazia por mal, claro, mas este esquema não poderia dar certo. Quando os amigos atendiam meus pedidos eu ficava sem aprender de verdade como sair do buraco em situações pra lá de adversas. Pois bem. Os amigos que mais me ajudaram recentemente foram aqueles que tiveram a coragem de dizer... - Sai dessa, Jurandir. Se vira, mano... Aqueles que pararam de dar uma força ou os que se afastaram, muito provavelmente cansados de não ver resultado ou esforço maior de minha parte, também são importantes, talvez até mais do que os mencionados anteriormente. Aniversariando e aprendendo.

Será que o Jurandir quer mais papinha? Ele está no maior berreiro lá fora.

...........................................................................................................................................................
Silvio Alvarez é colunista e artista plástico de colagem silvioalvarez@uol.com.br
Visite o site do Perdido na Metrópole

Voltar | Capa


Crônicas Cariocas® - 2006 / 2008
Matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores
» Outros Canais | 2 Dedos de Prosa | Artes das Ruas | Caderno de Cultura | 1º Concurso Crônicas Cariocas 2008 | Cultura: agenda | Cultura: artes plásticas | Cultura: eventos | Cultura: meu clássico favorito | Cultura: show | Cultura: teatro | Cinema | Cinema Falado | Cinemão | Cinematógrafo | Mise en Scène | Respirando Cinema | TelaGrande | Festival do Rio 2007 | Contos | Contos de Terror! | Convidado Especial | Copa 2014 | Cristo Redentor | CrônicasTur | Dicas de Português | Editorial | Entrevistas | Esportes & Saúde | Exclusivo | HQ's | Infantil | Infantil: english | Literatura | Meu Bairro | Música | Música & Voz - Tatiane Vidal | Oise | O Que Estou Lendo | O Rio em P&B | Pan2007 | Poesias | Reportagens | RsRsRs | Crônicas Sociais |