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» SÃO PAULO, 22 DE FEVEREIRO DE 2008

Perdido na Metrópole XLIV
Perdido Silva

Colagem: Silvio Alvarez

O Perdido na Metrópole resolveu dar um upgrade na sua até então pra lá de atordoada cachola. Nosso herói arteiro prossegue freqüentando a terapia, parou de fumar há mais de um mês, todavia, achou que poderia acelerar ainda mais o seu programa de crescimento com algo que cansou de ouvir falar que funciona. 

A convite do agora padrinho David Freitas, com o quem mantém amizade desde os áureos tempos do colegial no Liceu Pasteur, resolveu participar do Leader Training promovido pelo Núcleo Ser, no município de Louveira – SP.

Mais conhecida como LT, trata-se de uma oficina vivencial destinada, sobretudo, a quem deseja assumir a direção da própria vida e pretende deixar de dar tantas cabeçadas perdidas no batente da porta da esperança. O Leader Training propõe uma reflexão profunda sobre os resultados que você vem alcançando em sua vida profissional e pessoal. Contudo, convém ressaltar que o LT não é uma terapia de grupo.

Pois bem... Há cerca de seis anos, alguns amigos começaram a falar no pé do meu ouvido, com entusiasmo deverasmente convicto e saltitante, a respeito de um curso de fim de semana que havia lhes transformado a vida radicalmente para melhor. Como quando a “esmola” é demais o santo desconfia, ressabiado, achei curioso, interessante, constatei que os tais amigos em questão não eram lá de se animar com qualquer coisa, porém, conclui na ocasião que ainda não havia chegado a minha hora.  De lá para cá, passei a arrumar desculpas para escapulir da oportunidade, uma atrás da outra. Quase sempre o motivo era o dinheiro, ou melhor, a falta dele. Tanto era desculpa esfarrapada, que hoje ainda não tenho grana sobrando e fiz o curso do mesmo jeitim.

É tudo ainda muito recente, mas já posso dizer que funcionou. Participei da vivência no tempo certo, no meu tempo. Gente do céu, que baita sacudida existencial que eu tomei. Em menos de três dias, conseguiram localizar e neutralizar boa parte do que empatava o vai e vem neuronial das minhas estranhas entranhas. Se é que eu ainda não resolvi todos os meus problemas emocionais, agora está na cara que tudo ficou bem mais fácil.

Escrevo há anos para este espaço contando o que acontece de mais relevante em minha vida. Só que desta vez a relevância vital é tão demasiadamente relevante que este vosso amigo tem a coragem de dizer que a sua vida mudou de verdade, tomou outro rumo. A exemplo do cigarro, que já parei há um tempinho e que estava segurando de contar para evitar recaídas, cheguei a pensar em esperar um cadim mais pra contar esta outra novidade. Só que a sensação que inunda a piscina Regan do meu ser, neste exato momento, é tão maravilhosamente retumbante, tão incrivelmente bárbara, tão euforicamente linda, que não conseguiria ficar de bico calado. 

Vivi algo mágico, surpreendente. Em um grupo de 80 maravilhosas pessoas, hoje meus irmãos da família Silva, mergulhei fundo atrás das repimbocas das parafusetas emocionais que impediam minha evolução. Com as caraminholas bloqueantes devidamente localizadas, fizeram com que eu as trabalhasse e... Puf. Sim, ao término da vivência as limitâncias emocionais todas não mais existiam. Ou sumiram por completo ou passaram a perambular em um local de difícil acesso, bem longe.

Resisti ao curso o quanto pude. Não porque quisesse resistir propriamente, mas porque algo em mim não queria mudar. Ou será que julgava não ser merecedor de tal mudança? Sim, mais e mais daquelas crenças inúteis e grudentas. Noto que, com o passar do tempo, nossa máquina pensante não quer mais tanto saber de radicais alterações. Ela já está tão acostumada a fazer as mesmas coisas sempre do mesmo jeitim, que rejeita maiores reviravoltas. Ela, minha cabeça, não tinha o que querer. Quieta! Junto! Veeeeenha! Desta vez, ou ia, ou rachava. Foi!

Estou deveras emocionado ao escrevinhar esta crônica-testemunho, lógico. Nem poderia ser diferente. Em 42 primaveras invernais de outonos veranistas, passei por internações, por uma dúzia de psiquiatras, analistas e psicólogos, tomei dezenas de medicamentos, florais de Bach, Mozart, Vivaldi, busquei refúgio em um bocado de religiões... E nunca, nunca, jamais e em tempo algum consegui permanecer mais de uma semana com uma sensação tão boa, tão agradável... Nunca me senti tão demasiadamente vivo e pleno!

Renasci... Literalmente!

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Silvio Alvarez é colunista e artista plástico de colagem silvioalvarez@uol.com.br
Visite o site do Perdido na Metrópole: www.perdidonametropole.com.br

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