Os Ipês-Roxo do Flamengo
por Roberto Costa Paiva
Foto: Roberto Costa Paiva

O Rio de Janeiro é mesmo uma cidade privilegiada, é rodeada por muitos oásis. Sem se deslocar muito você pode desfrutar da beleza e da sensação de bem estar que estes proporcionam.
A Floresta da Tijuca, o Jardim Botânico, o Parque da Cidade, o Campo de Santana, o Parque do Flamengo e outros, são considerados os “pulmões” da cidade. Diariamente caminho por um desses oásis, o Parque do Flamengo, que foi construído na década de sessenta e teve a sua orientação paisagística toda feita por Roberto Burle Marx, o Major Archer do século XX, entretanto uma diferença grande os distingue: Archer reflorestou a Floresta da Tijuca exclusivamente com árvores nativas da Mata Atlântica, e Burle Marx, além de utilizar muitas plantas genuinamente brasileiras, trouxe também para cá, espécies de outras partes do mundo que aqui se adaptaram maravilhosamente bem, dando a nítida impressão de fazem parte da nossa flora. Em minhas caminhadas diárias pude identificar algumas da África e Ásia.
Normalmente quem percorre os vários caminho do Aterro, tem a sua ou as suas árvores prediletas. Umas por terem um porte avantajado, outras por florescerem de forma exuberante, e algumas por terem formas simétricas ou assimétricas, depende do olhar e do gosto de cada um.
Dentre as várias espécies de árvores caducas aqui existentes uma em particular me chama a atenção: É o ipê roxo, que aqui no parque existem às dezenas e quando florescem, “arrebentam”! Perto deles as outras flores simplesmente se tornam discretas, o único que se aproxima bastante é o seu primo-irmão o ipê amarelo, que também é bastante exagerado ao florescer. Dentre os existentes nesse oásis um me chamou mais a atenção, é o que fica nas imediações da rua Dois de Dezembro, que ano a ano exagera na quantidade de flores apesar de o homem agredir a natureza da forma que vem fazendo ultimamente. Alheio a tudo isso lá está ele para mostrar que a primavera existe, se bem que um pouco antecipada, pois a florada ocorre no finalzinho do inverno. Em setembro, quando se inicia o ciclo das águas, o Nitrogênio existente na atmosfera virá dissolvido nas chuvas e irá contribuir para a renovação do verde. Quando as águas de março fecharem o verão este ciclo estará encerrado e então tudo se repetirá.
Pela minha ótica de fotógrafo, que vê as paisagens quadro a quadro, achei que este era o mais bonito não só pelo exagero dos tufos roxos, mas também porque olhado em determinado ângulo emoldura o belíssimo e único Castelinho do Flamengo.
*Árvores caducas- são árvores que a cada inverno perdem todas as suas folhas.
Os dentes de leite também são chamados de caducos, pois caem para dar lugar aos permanentes.
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*Roberto Costa Paiva é fotógrafo e apaixonado pelas belezas cariocas
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