Yoshi - a vida e o amor ao lado do pior cão do mundo, é brasileiro
por Irleny Ferreira
Há várias semanas com o primeiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times, o best seller “Marley & EU – Vida e Amor ao Lado do Pior Cão do Mundo”, de John Grogan, chegou ao Brasil e vem conquistando igual prestígio, e há 11 semanas encabeça a lista dos mais procurados.
O livro conta as aventuras que o casal John, o próprio autor, e Jenny, jovens apaixonados, recém-casados, passaram ao decidir comprar um cão. Para os vizinhos, Marley, o cão labrador, era “surpreendentemente calmo”, mas para seus donos, revelou-se um cão neurótico que destruía tudo o que via pela frente. De nada lhe adiantaram os tranqüilizantes receitados pelo veterinário, nem a “escola de boas maneiras”, de onde, aliás, foi expulso. Inúmeras desavenças e ameaças de separação fizeram parte do cotidiano do casal, devido ao temperamento de Marley, mas o mesmo mostrou-se, apesar de tudo, um cão amável e de lealdade incondicional.
“Marley & Eu” tem feito seus leitores rirem e se emocionarem com as jornadas que pessoas e cães enfrentam juntos nos altos e baixos de suas vidas. O livro é uma lição de amor incondicional. Para os amantes de cães, basta passar na frente de uma livraria para, depois de se encantar com o meigo olhar de Marley, levar o livro para casa e constatar folha após folha, que muitas das experiências vividas com o cão e seus donos, parecem terem sido tiradas de sua própria história.
Muitos cães passaram na minha vida e de minha família, mas nenhum com temperamento igual ao de Marley. Após ler o livro, fiquei curiosa com a história do cão, e entrei em contato com o dono da Lobato’s Adestramento, Vladimir Lobato, há muitos anos no mercado e já tendo adestrado vários do meus animais. Procurei saber dele se havia algum cão parecido ao do livro e ele apresentou-me a história de Yoshi, um de seus “aluninhos”. A “mamãe” de Yoshi, Cláudia Medeiros, contou-me que já havia lido “Marley & Eu” e que ficou admirada com a semelhança de Yoshi e Marley e gentilmente cedeu-me um pequeno resumo dos dois anos e meio em que vem travando uma pequena batalha para conseguir desfrutar da companhia de seu lindo labrador.

“A nossa história com o Yoshi começou quando resolvemos comprar um cachorro para nosso filho Gabriel, que sempre pedia e passava por um momento difícil pela perda da avó materna.
Como todo filhote, ele nos encantou quando o vimos no canil. E não tivemos dúvida, aquele meigo cãozinho faria companhia ao nosso filho.
Mas, como os Grogan do Marley, a nossa vida nunca mais foi a mesma. Yoshi é um cão labrador enorme, atrapalhado, descontrolado e lindo.
Durante esses dois anos e dois meses, Yoshi fez um estrago geral: arrebentou janelas, portas, jardins, a horta inteira, todos os seus comedores, ainda rouba roupas do varal, almofadas, cestos, destrói tudo que encontra pela frente e que caiba em sua boca, incluindo os borrachões de meu carro. Adora comer o miolo de todas as bromélias e depois arranca as folhas das mesmas, traz jornais e revistas totalmente rasgados para lermos e ultimamente anda muito independente abrindo as torneiras para beber água fresca, mas sempre esquecendo de fechá-las.
Elegeu o muro do vizinho, inexplicavelmente, como seu inimigo maior e todos os dias, por várias horas ininterruptas, ele fica correndo de um lado para o outro, latindo para o muro, desesperado e com raiva do invisível, fora as corridas incontroláveis pelo condomínio que nos deixa atrás dele como uns insanos.
As adaptações e concertos da casa foram inúmeros e ainda são, e para aumentar o nosso desespero, Gabriel não consegue brincar com ele, pela sua forma alegre e bruta de se expressar, pulando como um cabrito em cima de todos, e puxando as mãos das pessoas com os dentes para encaminhá-las.
Foi adestrado durante um ano, a partir dos seis meses, sem o sucesso esperado, para o desgosto do talentoso Vladimir, da Lobato’ Adestramento. Após um intervalo, agora retornamos a adestramento com o Yoshi, para tentarmos um outro caminho que acreditamos possa ajudar-nos nesses seus “maduros” dois anos e quatro meses. Que assim seja...”, relatou num desabafo esperançoso, Cláudia Medeiros.
Foi desse amor incondicional que eu falei antes no texto. O que leva pessoas como os Grogan e os Medeiros amarem e terem tanta paciência com cães tão descontrolados como Marley e Yoshi? Certamente, quem tem ou já teve um cãozinho e o amou profundamente sabe o que acontece com esses casais.
“Marley & Eu – Vida e Amor ao Lado do Pior Cão do Mundo”, fica como indicação de leitura para os amantes destes, que dizem, serem os maiores amigos do homem.
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*Irleny Ferreira é professora e escreve no CrônicasCariocas sobre Dicas de Português
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