CapaArte das RuasContosCinemaEntrevistasMeu BairroPoesiasDicas de Português


» Nossos Poetas |
» André L. Soares
» Antônio de Araújo

» Elaine Pereira
» Elano R. Baptista
» Fabrício Mohaupt
» Francci Lunguinho

» Ivone Boechat

» Iza Calbo
» J. Carino
» João Pedro Roriz

» Linaldo Guedes

» Löis Lancaster
» Luciano Fortunato Silveira

» Luiz Alberto Machado

» Milton Nunes Filho
» Magaly Grespan

» Mônica Montone

» Paulino Vergetti

» Luiz Prôa

» Rita Costa

» Rodrigo Poeta
» Sandra de Almeida
» Sônia Maria Grillo B@by
» S. Quimas
» W. Mansur

» Cronistas |
Adalberto dos Santos
Anselmo Vasconcellos
Ariane Bomgosto
Carioca da Silva
Dr. Guto
Edejás de Oliveira
Elano R. Baptista
Elida Kronig
Fabrício Mohaupt
Flavio Guberman
Francci Lunguinho
Humberto de Almeida
Ivone Boechat
Iza Calbo
J. Carino
João Manoel
João Pedro Roriz
Luiz A. Machado
Luciano Fortunato
Mani Alvarez
Marcio Paschoal
Paulino Vergetti
Silvio Alvarez
Tarcísio Pereira

 
 
João Pedro Roriz
 

SOLIDÃO DA MADRUGADA
Quatro horas da manhã,
A chuva iniciou o seu ritual de verão.
É cheiro de terra molhada,
É cheiro de vida! Logo a passarada
Despertará a aurora.

Oh, renascença da alma
– Caminhada de descobertas diárias,
Abarcar perpétuo da vida!
Quando se viaja cego pela madrugada.
Cada segundo é semeadura.

A poesia pura escoa pelos dedos
E perde-se na eternidade.

Resguardo a saudade por meus parnasos
Sem medo da marginalia,
Que durante a noite de inspiração
Açoita o cabaré dos seres pensantes.

A padaria ao lado de casa,
Exala um delicioso cheirinho de pão.

É pão fresquinho, primeiro poema...
Solidão quente, igual a gente,
Igual ao padeiro, igual ao poeta.

Acalanto
Meu filho, quando, no calar da madrugada,
Desfenecer os seus sentidos, sorria!
Pois este que vos fala,
Chorou suas noites amarguradas,
Por não ter tido a sorte
De empenhar a morte
Nos braços do pai querido!

Se a sorte deixar-lhe o peito
E, num gracejo do destino, o medo
Aprisionar-lhe ante os portões do paraíso;
Saiba que, ajoelhado em prece,
Ao lado de seu leito, farei um pedido:
Que entre um choro e outro, você dê um sorriso
Nos braços do pai querido!

Meu filho, durante a noite,
A alma brinca na imensidão do céu.
Roube, de açoite, uma estrela cadente,
Ou experimente no escuro contar planetas a granel.
Tal qual um anjo-caído,
Seu sorriso estará seguro
Nos braços do pai querido!


Pássaro triste
Cantei para um pássaro no jardim
As tristezas de não saber voar.
Sabia apenas cantarolar os versos de meus irmãos poetas
– Principalmente os vivos.
Mas o pássaro, refugiando-se em suas asas,
Deixou-se apanhar por uma melancolia profunda. 
Não era hora de ouvir poesia!
Era hora de chorar
E eu nunca tinha visto isso na vida:
– Um pássaro deprimido em seu ninho,
Boicotando-se em seus esgares de tristeza.
Não quis mais falar poesia,
Nem mesmo cantar!
Tomado pela compaixão,
Pus-me a planar.
E hoje, a despeito do único pássaro que vi chorar,
Sou o único homem que sabe voar.

Espelhos
Aperto os olhos e me vejo
no espelho, sugando as lágrimas que rolam
do rosto que não é meu.

Vejo o narciso na imagem equivocada
no paraíso às avessas
imaginando-se Deus

Nessas horas, de segundos infinitos
a dor incendeia a alma de mim, algoz,
com a mesma intensidade de quem ama

Sofrido e exasperado, vagueio cego
e descarrego a minha solidão
na face oculta que mora num rio

Afogo-me, doente de mim,
saudoso do meu beijo
perdido nos instantes que ali margeiam

O Infinito possui a durabilidade de um grito
quando choramos corrompido
após a morte de um filho

E ali estou, abandonado
como um indigente ou ser errante,
sem meios para alcançar o fim.

João Pedro Roriz é escritor, autor do livro/cd A POESIA TEATRAL (Ibis Libris, 2006). Dia 04 de julho de 2007, às 17h lançará o livro LIRAS DRAMÁTICAS (ViaNapoles Editores), no Castelinho do Flamengo, na Praia do Flamengo, 158 - Rio de janeiro. www.jproriz.blogspot.com


Voltar | Capa

 
     
Caixa Postal 15.029 - CEP: 20.031-971 • Rio de Janeiro-RJ • 2006/2007 © Crônicas Cariocas Ltda
Matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores