Lágrimas Secas
Nos versos de Patativa do Assaré,
Caminho pelo chão rachado da seca
Entre mandacarus e urubus do Sertão.
Os olhos do horizonte não enxergam
O Velho Chico,
Diante de um acorde de Luiz Gonzaga,
A relembrar as histórias de Lamarca e Lampião
Pelo Sertão.
A poesia é poeira na veia
De João Cabral de Melo Neto,
Mas incendeia nas mãos de Graciliano
E Guimarães Rosa ao som de um repente
Feito numa roda em Arcoverde.
A caatinga me fere com os seus espinhos,
Com o seu olhar de morte em desalinho.
Os retirantes fogem, clamam e pedem
Para Padre Cícero pelas bênçãos das chuvas de São Pedro
Aos olhos de um São João num foguetório dos infernos
Entre os braços de Suassuna e de João Grilo, O Amarelo,
Que representam o Sertão.
As mulheres ficam num olhar triste,
Enquanto os homens buscam alimento
E salvação em terras alheias do Sertão.
Deixam família, casa e coração,
Para um dia voltar
E verem com outro olhar o Sertão.
Os retirantes fogem da fome,
Da seca, da morte em busca da salvação!
Os sertanejos são fortes,
Mas a seca do Nordeste
É fera e os engole...
Anjinhos nascem e morrem...
...para serem sepultados num chão pobre.
As rachaduras são rios de lágrimas secas
Ao olhar dos versos de um menino a lamentar
Entre a poeira ao lado de uma carcaça de boi
Nas mãos do Sertão brasileiro.
Sintra de Portugal
Ó cidade portuguesa,
Diante da pequena
E simpática Quinta da Regaleira,
Que revela toda a sua beleza.
Pequena Sintra majestosa,
De jardins, de castanheiras-da-índia,
Diante das fontes de grande beleza,
Para as estátuas dos deuses de pedra.
Ó Quinta da Regaleira,
Você se torna nome de um sonho,
Perante ao patamar dos deuses da renascença,
Até a torre dos guardiões do escuro.
Cruzes templárias despertam curiosidade,
Diante de um mistério desconhecido,
Perante a Ordem de Cristo em sua realeza tênue
Aos diversos sentidos relacionados ao seu esoterismo.
Ó Quinta da Regaleira,
Perante ao seu altar-mor de sua capela
A coroação de Madalena,
Diante de uma arte plena.
A águia com seios,
Mostra a fugacidade palaciana,
Diante da utopia dos homens
Perante a sua perseverança.
Ó Sintra de Portugal,
Pequena cidade,
Que diante dos olhos o coral
Dos deuses para a realidade.
Se torna romântica a melodia
Das vozes que ecoam,
Dentro de um olhar impresso na fantasia
De uma poesia paisagem.
A Inveja Parnasiana
Oh! Inveja da impura folha de papel,
Que imita a paixão.
Com que ele, em pó, na alta solidão,
Vira um simples pincel.
Imito todos os poetas,
Mas prefiro a mim mesmo,
Que foge da realidade dos antigos sonetos.
Oh! Papel em que escrevo!
Por isso corro, para escrever
Sobre qualquer papel
Com a caneta do saber,
Que corre e escorre como fel.
Ando pensando em imagens,
Para escrever diante das linhas,
Contra as margens
Do papel de todos os tempos.
Rasgo, quando não gosto
Da poesia mal escrita por mim
E fico triste quando não volto ao meu posto
De pensador, que sempre busca um fim.
No alto do farol daquela ilha,
Viajo nos sonhos importunos,
Que ficam com a rima
De várias noites lusíadas.
E na hora em que acordo,
Vejo o sol brilhar nos meus pensamentos,
Que viajam diante do tempo.
Oh! Formas ilustres, que mostram os conhecimentos.
Vivo de poesias da minha mente
Como vive a gaivota de peixe,
Que mostra a forma mais diferente
De deixar o poema no feixe.
E agora sai da minha mente
O lixo poético da ordem do vidente,
Que fica a borbulhar no ocidente,
Diante do espírito do oriente.
Oh! Inveja Parnasiana...
Oh! Inveja lusitania,
Que mostra a chama
Ardente do fogo, das poesias da vida...
Ao Mar e a Pesca de Arraial do Cabo
Ó vigia do Morro do Atalaia
Que observa o mar e a praia
Todos os dias, diante de um clima
Feito entre o prazer e o da sobrevivência.
Prazer de ver os peixes ao amanhecer
Chegaram perto da praia
E de avisar aos que se encontram no mar
Entre a praia, que a pesca vai ser boa.
Sobrevivência feita entre o mar,
Onde a pesca é o alimentar
Dos pescadores homens do mar,
Que trabalham para o sustentar;
Sustentar da vida,
Diante do sol e da neblina,
Onde só a luz do farol é o seu guia,
Até ao final da boa pesca bem-vinda.
Oh! Arraial,
Que antes era uma simples vila,
Hoje graças ao mar e a pesca triunfal
É uma cidade bem divina.
Não se pode esquecer dos bravos
Pescadores da Praia Grande cheia dos amores
E também dos grandes lutadores do mar dos Anjos,
Diante do Arraial dos poetas pescadores de palavras.
Chora Chorinho
Chora chorinho,
Pois eu vou cantar...
Vou cantar...
Uma modinha
Pra você chorar!
Chora o violão
No chão...
Chora Noel e Pixinguinha
No céu...
Chora Chorinho,
Pois eu vou cantar...
Vou cantar...
Uma nova modinha
Pra você chorar!
Chora pro mar...
Chora para o luar...
Chora pra se lembrar
Como era bom
Namorar...
Chora Chorinho,
Pois eu vou cantar...
Vou cantar...
Uma nova modinha
Pra você, menina
Chorar...
Chora! Chora!
Noel Rosa...
Chora! Chora!
Pixinguinha, também
Nas modinhas de chorar.
Manifesto POESIARTE
A poesiarte nasceu
Da imagem,
Floresceu na linguagem oral
Dos tempos,
Até a escrita magistral,
Que é imortal.
A poesiarte é arte
Dos versos, das estrofes,
Da livre e presa poesia pela rima
Ou não.
A poesiarte é o descrever,
O narrar, o cientificar,
O informar, o dissertar
Sobre a vida humana
No seu habitat.
A poesiarte é matéria,
É cosmos, é utopia,
É ilusão, sonho e nostalgia...
A poesiarte é parte
De um todo que se parte
Em mil átomos de impulsos
Do abstrato.
A poesiarte é mística,
É hístória, é essência,
É filosofia anti-Platão.
A poesiarte é do povo,
É um manifesto rico de linguagens...
A poesiarte é simultânea,
Complexa, meio jamais, mas fim
De um tudo ao servir do escravo,
Que é o poeta e vice-versa ou não.
Apartheid Camuflado
Vivemos em um apartheid camuflado,
Diferente do sanguinário apartheid da África do Sul.
Um apartheid, que não vemos,
Mas existe aos olhos apocalípticos
Dos que enxergam longe ou até perto demais,
O preconceito racial bem apostolicamente
Frio e decidido.
Somos uma nação,
Que nasceu escrava na colonização.
Somos uma mistura de negro, nativos desta terra (os índios)
E ‘brancos’ devastadores do Ocidente.
Demarcaram a nossa pele,
Criaram rótulos mesquinhos
Entre o passado das chibatas ao presente
Das balas de fuzis.
O quilombo virou favela,
A favela quilombo dos pobres e excluídos
Desta nação mestiça.
Não temos Martin Luther King,
Malcolm X, Gandhi e nem Dalai Lama.
Temos Zumbi, João Cândido, Ganga Zumba,
Anastácia e os nativos da língua tupi-guarani.
Somos uma nação multicultural,
Que carrega nos braços o preconceito multiracial.
Castro Alves, Teixeira e Souza, Lima Barreto,
Machado de Assis são só nomes que figuram na luta
Contra o pré-conceito do conceito do preconceito.
Versos testemunham
Ainda as origens dos atabaques,
Dos orixás, dos arcos e flechas dos índios
Tamoios, que viveram um dia aqui.
As oferendas são versos,
Mas o Apartheid Camuflado,
Continuará aos olhos perplexos
De uma criança dentro de nós
Ao vento da vida e de nossa luta incansável
Pela liberdade dentro desta pseudo-democracia.
Rodrigo Octavio Pereira de Andrade. Conhencido como: Rodrigo Poeta. Cidade: Cabo Frio-RJ "Só com a leitura um povo pode se tornar forte em sua cultura." (Rodrigo Poeta) 18/06/05 Endereço: poesiarte@hotmail.com
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