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Márcia Regina de Araújo Duarte
regina.araujo.escritora@uol.com.br

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MULHER
Cidadã mulher...
Mulher da cidade,
Do campo, da vida,
Castrada, sofrida.
Com força segue a corrida
Na luta pela certidão,
Papel que lhe permita
Ser gente, ser humana.

Ser mulher...
Mulher de esforço e conforto
Que no colo acalenta o amor
E no peito bate a mão
Em defesa do seu reino maior:
O filho, o amor, a condição.

Mulher cidadã...
Que na praça se reúne
Com outras irmãs
Em busca de ouvidos e olhos
Para lhes compreenderem na dor
Dos filhos levados, corrompidos, torturados.

Cidadã mulher...
Que na cama se deita
A cumprir o ofício maior
Ser mulher...
Sem gozo, com desejo
Seu afã é satisfazer o amor.
Puro preceito antepassado
Que lhe proíbe o júbilo formal
O direito de ser mulher.

Mulher da vida que carrega o desejo
Ou mulher do véu
Que tem seu desejo extirpado
A sangue frio por toda a vida.

Uma cidadã de corpo e alma
Com ou sem sexo
Simplesmente um humano angelical
Um cidadão que também é mulher
Seja no beco, no berço, ou na bênção
Simplesmente uma mulher.

Poesia classificada no I Prêmio Canon de Poesia em Antologia publicada pela Ed. Scortecci e Fábrica de Livros 08/2008.
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VAI
Vai..
Voar no teu sonho,
Correr no teu pasto,
Andar a cavalo. 
Vai...
Não tenho medo do teu sonho,
Pois tenho meu sonho para me acompanhar. 
Vai...
Voa alto, corre longe
Que daqui poderei ver teu sorriso.
Não estou só, não estou triste,
Meu mundo é tão livre quanto o teu. 
Vai...
Escoa esta energia que te faz brilhar.
Não olha para trás antes da hora voltar.
Veja à sua frente, dê um corrupio,
Rola na grama sem parar. 
Vai...
Se ama, se enreda em seu ninho,
Descansa na rede, dorme ao luar.
Canta uma música, transa com o mar.
Anda por aí, descobre outros mundos. 
Vai...
Pois aqui sonho contigo,
Vivo comigo,
Tenho arrepios
Porque também estou viva.
Olho para o mar, me queimo no sol
E vou trabalhar. 
Vai...
Que estou crescendo sem cessar.
Cada vez mais tua liberdade me faz amar
E assim também posso me liberar. 
Vai...
Que daqui a pouco é hora de voltar
E estarei aqui e acolá
Pronta para me vangloriar
Na certeza de te amar. 
Vai...
Que estou aqui a te esperar. 
Vai...
Para que eu sorria quando você chegar. 
Vai...
Para que eu possa ir também. 
Vai...
Te liberta para me libertar. 
Vai...
Mas volta sem nenhum, porém.

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*E-mail para a autora deste poema: regina.araujo.escritora@uol.com.br


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