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» MACEIÓ, AL, 19 DE FEVEREIRO DE 2008

AS OBRAS DO CHICO

E o Frei Luiz Cappio ficou mesmo às margens do velho Chico, literalmente falando. Enquanto o rio aguarda a sua sangria, aquele sacerdote faz dormitar suas esperanças, aguardando para ver acontecer o que ele tanto condenou por toda a sua vida à frente dos ribeirinhos fiéis à sua Paróquia! O antigo Rio da Unidade Nacional agora é motivo de discussão e discórdia. O governo Lula é quem ganhou na quebra de braço com o religioso. E as obras seguem no ritmo do PAC do qual pouco se vê e sobre o qual muito se ouve.

As coisas, às vezes, acontecem assim mesmo. É deveras difícil entender os signos camuflados nos acordos políticos tecidos nas sombras daninhas do poder. Há interesses que permanecem fantasmas por longas datas: os indizíveis e que têm de permanecer como tal por tempo também incerto. Algumas decisões governamentais atendem a interesses excusos, outras nem tanto e é desse jeito que se governa há séculos, não apenas neste país mas no mundo inteiro. Por que o velho Chico ficaria de fora?

E se for mesmo para o bem do povo nordestino, que a obra venha e rápido. As discórdias tiveram lá seus locais e tempos para serem discutidas e aprovadas ou não! Quem pecou o fez publicamente. Acho que não deu para nenhuma das partes interessadas ou não no desvio do rio, governo e sociedade, fazer prevalecer escandalosamente qualquer mal maior. O tempo dirá se a obra será ou não danosa ao bem comum do nordestino e ao silente desespero de morte por que passa o rio.

A imprensa lucrou bastante com a zoada toda feita por radicais de esquerda e de direita. O governo peitou e conseguiu a aprovação legal para tocar a obra. Pôs o ponto final que tanto desejava. Venceu! Não nos adianta agora reclamar pelo leite derramado. Jamais se poderá dizer que não houve discussão em torno do tema da transposição do  Velho Chico. Foi democrático o pleito. E após outros sangrarem nas veias patrióticas de tanta gente interessada no assunto, veremos o Velho Chico ser finalmente sangrado. Daqui a alguns anos entenderemos se o sacrifício valeu mesmo. Decisão tomada, obras iniciadas e nada mais a ser feito. O Exército Brasileiro está lá com seus membros à frente da construção da obra. Aguardemos então. Logo, logo o retrato dela  virará verbo.

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    *Paulino Vergetti Neto é médico e escritor


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