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» MACEIÓ, AL, 8 DE JANEIRO DE 2008

Ano Novo, Novas Esperanças

Dar murro em ponta de faca eu não recomendo a ninguém; mas se a vida não tem graça, ache a graça em qualquer canto e ponha-a na vida e aí tudo fica palatável e pronto!

Não devemos aprender a gostar das lamentações. O que alegre vemos, alegre defendemos. Chorar até que ensina, mas chorar demais não leva ninguém a lugar nenhum. A vida é mesmo um barquinho a navegar em mares diferentes: às vezes serenos, noutros, tantas vezes tempestuosos. Ser timoneiro é bom, é o que nos serve. Navegar é preciso sempre. Quanto mais luz virmos à frente, mais seguros estarão nossos passos. Com o desamor chega-nos a desilusão e aí podemos andar muito sem conseguirmos cruzar nossas estradas. Achar os limites de nossas ações nos ensina a deitar e descansar em porto seguro.

Creio que bem melhor do que estarmos a procurar qual a atitude melhor: negar uma esmola a um pedinte ou ensinar-lhe o caminho, é acharmos as soluções para vivermos melhor. Acho que ninguém anda à procura de nada se tiver de barriga vazia, não é mesmo?

Ah! se nós soubéssemos tudo o que a vida pode ensinar, não acharíamos mais qualquer graça em viver. As subidas nos cansam para podermos nos permitir achar o maior prazer nas descidas. Ai do paladar se não houvesse a fome. O homem deve ser o maior artífice do seu destino. Andar é mais do que necessário e chegar, um risco calculado de que não podemos abdicar jamais.

E se sabemos que o mundo é assim e a vida desse jeitinho conhecido, por que atravessar desertos e ignorar seu oásis? A sede não perdoa aos que não sabem beber. Até para se amar são necessários certos entendimentos. A vida só é plena quando há muito amor dentro dela e sabemos usá-lo. Se ressuscitarmos sem a devida aprendizagem, de que nos adiantou ter vivido? O áulico é prazeroso quando socializamos direitos e deveres. A sociedade é o nosso vinho e é por isso que o sol brilha todos os dias e dele não nos enjoamos .

Aproveito esta crônica para desejar a todos os meus leitores um 2008 com mais aprendizagem, amor e vida. E que não passemos por ele sem angariarmos sabedoria, fé e saúde. Tudo o que possui começo terá meio e fim. Outros anos virão, outras saudades baterão às nossas portas, mas somente se cultivarmos amor e paz, poderemos realmente estar construindo um mundo melhor e mais justo.

A todos, muita esperança na vida e no amor. Ninguém anda sozinho. Quando não há ninguém por perto, haverá nossa sombra! E muitas vezes essa sombra é o retrato do próprio corpo de Deus, andando ao nosso lado, silente e santamente nosso!

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    *Paulino Vergetti Neto é médico e escritor


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