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» Rio de Janeiro, 4 de setembro de 2006

A história do bairro do Flamengo

por Fernanda Robaina Paiva

robainap@yahoo.com.br

Fotos: Roberto Paiva Costa

Há dois pontos de vista diferentes de historiadores a respeito da origem do nome Flamengo.

- Apelido dado aos prisioneiros holandeses (flamengos) que aqui residiram durante o século XVII, vindos transferidos de Pernambuco.

- No passado era comum se deparar com reuniões de pássaros flamingos nas águas da praia do Flamengo, vindos das regiões banhadas pelo mediterrâneo.

Anteriormente ao nome atual do bairro, ele já havia sido praia do Sapateiro, da Carioca, da Aguada, dos Marinheiros, Sapocaióba e Uruçumirim quando na época foi palco de combates entre Mem de Sá e Estácio contra os franceses e tamoios.

No século XVII a produção açucareira determinou fluxo urbano. Para que a transferência da mercadoria fosse facilitada foram abertos vários caminhos, ligando os afastados engenhos de açúcar ao porto.

O caminho D’El Rei passava pelas praias da Glória e do Flamengo, pela atual Praça José de Alencar que na época era a ponte Salema e ligava o engenho D’El Rei, localizado na Lagoa, até o porto do Rio de Janeiro.

O Flamengo começou a existir como um bairro de passagem, cuja paisagem foi-se modificando com o tempo para que a cidade pudesse acolher o grande número de turistas e personalidades que viriam para participar dos festejos. A Avenida Rui Barbosa foi aberta com a intenção de se criar neste local um hotel de gabarito internacional chamado Sete de Setembro, destinado a hospedar os visitantes ilustres para comemorações do centenário da independência. A abertura na Avenida, na prática, foi a conclusão da Avenida Beira Mar, fazendo a ligação entre Flamengo e Botafogo contornando o Morro da Viúva.

No final da década de 1920, foi encomendado um plano de urbanização ao arquiteto francês Alfredo Agache. O projeto não foi totalmente implementado, mas influenciou de forma significativa a arquitetura carioca, principalmente no Flamengo, área da cidade que estava em desenvolvimento. A orla estava sendo acupada pela elite.

Nos anos 1950, o Prefeito Henrique Dosdworth propôs o arrasamento do Morro de Santo Antônio e o aterro de parte da Baía da Guanabara, para o alargamento da Avenida Beira Mar e a construção de uma via expressa que ligasse o Centro à Zona Sul, sobre o chamado Aterro do Flamengo. Ele estava buscando solucionar a saturação da malha urbana da cidade.

Em 1962, Carlos Lacerda inicia a construção do parque do Flamengo, conciliando a necessidade de ocupação das áreas livres do aterro com as reinvidicações de dona Carlota Macedo Soares para se construírem áreas de lazer infantis.

2 – O Parque do Flamengo

Também conhecido como Aterro do Flamengo, o Parque Brigadeiro Eduardo Gomes é a mais extensa e completa área de lazer da cidade. Está situada junto à orla da Baía de Guanabara, sendo a maior parte dela contígua à praia do Flamengo. Abrange uma faixa de terra aproximadamente de 14 quilômetros que se estende desde o Aeroporto santos Dumont até o morro da Viúva em Botafogo.

O Parque do Flamengo foi implantado sobre uma faixa aterrada na Baía de Guanabara, cujas obras foram iniciadas em 1951, com material originário do desmonte do Morro de Santo Antônio. O objetivo principal do Aterro era o de possibilitar a implantação de quatro vias perimetrais expressas de ligação da Zona Sul ao centro da cidade, visando desafogar as vias internas dos bairros.

Em 1961, por determinação de Carlos Lacerda, o então governador, o projeto foi revisto de forma a implantar somente duas vias, permitindo o alagamento das faixas remanescentes para a instalação de uma grande e múltipla área pública de lazer, com tratamento arquitetônico e paisagístico especial. Nessa data, foi instituído um grupo de trabalho com finalidade de planejar e orientar as obras, sob liderança de Maria Carlota Macedo Soares, do qual participou o arquiteto Hélio Mamede, a engenheira Berta Leitchick e o botânico Luiz Emydgio de Melo Filho.

Até 1964, ano da inauguração do parque, este grupo adotou no desenvolvimento e execução dos detalhes de sua implantação. As obras foram efetivadas pelo antigo departamento de urbanização e saneamento SURSAN e, em julho de 1965, o Parque do Flamengo foi tombado pela União, como forma de preservar integralmente essa importante área de lazer.

A presença da orla da Baía de Guanabara e dos eixos viários foi determinante na concepção do projeto paisagístico.

O tratamento paisagístico moldou o terreno com um suave relevo gramado e implantou bosques homogêneos em toda a sua extensão. Grande parte das espécies arbóreas é nativa e a intenção do projeto, foi a de obter uma diversidade tento no porte das árvores utilizadas como tons de verde da vegetação, além de sucessivas florações durante o ano.

Roberto Burle Marx foi um paisagista inovador. Ele teve um papel importante na escolha e no planejamento das espécies que povoaram a flora do Aterro.

O Parque oferece uma variedade de equipamentos esportivos e culturais e a possibilidade de se apreciar a paisagem do entorno, como Morros da Urca, Pão-de-Açúcar e Corcovado, a Baía de Guanabara, a cidade de Niterói, na margem oposta, e o variado conjunto arquitetônico da praia do Flamengo.

O projeto do parque sofreu adaptações e acréscimos, como é o caso da construção da Marina Glória executada pela prefeitura no final dos anos 70.

Bairro da Aristocracia

Após a descoberta do ouro em Minas Gerais, a cidade do Rio de Janeiro ganhou status econômico por ser o ponto de ligação entre a coroa e a metrópole. Ela se transformou em centro administrativo e político na colônia, tornou-se capital do vice-reinado, em 1763. A cidade foi se tornando mais urbanizada, onde áreas anteriormente usadas para casas de veraneio e chácaras, tornaram-se residências da aristocracia brasileira na capital.

Construções como Palácio do Catete (1862), residência dos barões de Nova Friburgo, foram eregidas.

Mudança urbana

Em 1889, foi proclamada a república no Brasil. Uma remodelação urbanística foi feita modernizando a cidade para uma nova Friburgo, o Palácio do catete, a construção das grandes vias de escoamento urbano, como a Avenida Beira Mar, que foi a projetada para viabilizar o acesso rápido entre o centro e os bairros da Zona Sul.

Nesse período foram construídos o palacete Seabra, o Castelinho do Flamengo, o edifício à rua Osvaldo Cruz e a Escola Alberto Barth, inaugurada em 1907.

Durante a administração do prefeito Carlos Sampaio, na década de 1920, houve as comemorações do primeiro centenário da Independência do Brasil.

FLORA

A composição florista é predominantemente arbórea, com alguns exemplares de porte arbustivos recentemente plantados pela Fundação de Parques e Jardins.

As espécies arbóreas mais freqüentes são: figueira, palmeira imperial, amendoeiras, flamboyant, paineira-vermelha, areca, tamarineira.

Entre as espécies exóticas, foram utilizadas: palmeira-Asiática, Palmeira-Leque.
As espécies nativas mais comuns são: pau-ferro, xixá, abricó-de-macaco, paineira, coqueiro-baba-de-boi, pitangueira, ipê-roxo.

FAUNA

A fauna encontrada no Parque do Flamengo é formada, em sua maior parte, por espécie residente de pequeno porte. A biodiversidade do parque é enriquecida, periodicamente, por algumas espécies de aves, vindas de outras áreas verdes.

As aves comumente observadas são: cambacica, rolinha, pardal, suiriri, bem-te-vi. Tesourão.
Atraídas por frutos e flores, para repouso ou para recolher material para seus ninhos, surgem outras espécies como: tiriba, saíra-amarela, anu-branco, sabiá laranjeira, gavião-carijó, entre outros.

3 - Flamengo hoje

O Flamengo dos dias atuais não se compara com o dos primeiro anos da sua história. Movimentado pelo grande número de pedestres, o bairro oferece vários serviços e opções de lazer, sendo também um local residencial e tem um significativo comércio.

4- Aspectos turísticos

O Flamengo é um dos bairros mais antigos da Zona Sul do Rio de Janeiro. Começaram a existir hotéis na área no começo do século.

Alguns estão até hoje em boa forma, outros nem tanto. São hotéis que atendem a executivos que desejam estar próximo ao Centro. Além disso, oferecem estrutura para empresas que desejam promover eventos ou fornecer treinamentos a seus funcionários.

O turista que for ao Flamengo poderá conhecer prédios, cinemas, teatros, museus, monumentos, igrejas, restaurantes, o conhecido Parque do Flamengo, e outros atrativos que o bairro oferece, como:

- Palácio do cate e Museu da República;
- Museu de Arte Moderna (MAM);
- Museu do telefone;
- Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial;
- Castelinho do Flamengo;
- Museu Carmem Miranda;
- Praça José de Alencar;
- Restaurante Lamas;
- Rua Paissandu;
- Cinema Paissandu;
- Manumento a Cuauhtémoc;
- Monumento a Estácio de Sá;
- Parque do Flamengo;
- Marina da Glória.

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* Fernanda Robaina Paiva é advogada

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