A história do bairro do Flamengo
por Fernanda Robaina Paiva
robainap@yahoo.com.br
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Fotos: Roberto Paiva Costa
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Há dois pontos de vista diferentes
de historiadores a respeito da origem do nome Flamengo.
- Apelido dado aos prisioneiros
holandeses (flamengos) que aqui residiram durante o século
XVII, vindos transferidos de Pernambuco.
- No passado era comum se deparar
com reuniões de pássaros flamingos nas águas
da praia do Flamengo, vindos das regiões banhadas pelo mediterrâneo.
Anteriormente ao nome atual do bairro,
ele já havia sido praia do Sapateiro, da Carioca, da Aguada,
dos Marinheiros, Sapocaióba e Uruçumirim quando na
época foi palco de combates entre Mem de Sá e Estácio
contra os franceses e tamoios.
No século XVII a produção
açucareira determinou fluxo urbano. Para que a transferência
da mercadoria fosse facilitada foram abertos vários caminhos,
ligando os afastados engenhos de açúcar ao porto.
O caminho D’El Rei passava
pelas praias da Glória e do Flamengo, pela atual Praça
José de Alencar que na época era a ponte Salema e
ligava o engenho D’El Rei, localizado na Lagoa, até
o porto do Rio de Janeiro.
O Flamengo começou a existir
como um bairro de passagem, cuja paisagem foi-se modificando com
o tempo para que a cidade pudesse acolher o grande número
de turistas e personalidades que viriam para participar dos festejos.
A Avenida Rui Barbosa foi aberta com a intenção de
se criar neste local um hotel de gabarito internacional chamado
Sete de Setembro, destinado a hospedar os visitantes ilustres para
comemorações do centenário da independência.
A abertura na Avenida, na prática, foi a conclusão
da Avenida Beira Mar, fazendo a ligação entre Flamengo
e Botafogo contornando o Morro da Viúva.
No final da década de 1920,
foi encomendado um plano de urbanização ao arquiteto
francês Alfredo Agache. O projeto não foi totalmente
implementado, mas influenciou de forma significativa a arquitetura
carioca, principalmente no Flamengo, área da cidade que estava
em desenvolvimento. A orla estava sendo acupada pela elite.
Nos anos 1950, o Prefeito Henrique
Dosdworth propôs o arrasamento do Morro de Santo Antônio
e o aterro de parte da Baía da Guanabara, para o alargamento
da Avenida Beira Mar e a construção de uma via expressa
que ligasse o Centro à Zona Sul, sobre o chamado Aterro do
Flamengo. Ele estava buscando solucionar a saturação
da malha urbana da cidade.
Em 1962, Carlos Lacerda inicia a
construção do parque do Flamengo, conciliando a necessidade
de ocupação das áreas livres do aterro com
as reinvidicações de dona Carlota Macedo Soares para
se construírem áreas de lazer infantis.
2 – O Parque do Flamengo
Também conhecido como Aterro
do Flamengo, o Parque Brigadeiro Eduardo Gomes é a mais extensa
e completa área de lazer da cidade. Está situada junto
à orla da Baía de Guanabara, sendo a maior parte dela
contígua à praia do Flamengo. Abrange uma faixa de
terra aproximadamente de 14 quilômetros que se estende desde
o Aeroporto santos Dumont até o morro da Viúva em
Botafogo.
O Parque do Flamengo foi implantado
sobre uma faixa aterrada na Baía de Guanabara, cujas obras
foram iniciadas em 1951, com material originário do desmonte
do Morro de Santo Antônio. O objetivo principal do Aterro
era o de possibilitar a implantação de quatro vias
perimetrais expressas de ligação da Zona Sul ao centro
da cidade, visando desafogar as vias internas dos bairros.
Em 1961, por determinação
de Carlos Lacerda, o então governador, o projeto foi revisto
de forma a implantar somente duas vias, permitindo o alagamento
das faixas remanescentes para a instalação de uma
grande e múltipla área pública de lazer, com
tratamento arquitetônico e paisagístico especial. Nessa
data, foi instituído um grupo de trabalho com finalidade
de planejar e orientar as obras, sob liderança de Maria Carlota
Macedo Soares, do qual participou o arquiteto Hélio Mamede,
a engenheira Berta Leitchick e o botânico Luiz Emydgio de
Melo Filho.
Até 1964, ano da inauguração
do parque, este grupo adotou no desenvolvimento e execução
dos detalhes de sua implantação. As obras foram efetivadas
pelo antigo departamento de urbanização e saneamento
SURSAN e, em julho de 1965, o Parque do Flamengo foi tombado pela
União, como forma de preservar integralmente essa importante
área de lazer.
A presença da orla da Baía
de Guanabara e dos eixos viários foi determinante na concepção
do projeto paisagístico.
O tratamento paisagístico
moldou o terreno com um suave relevo gramado e implantou bosques
homogêneos em toda a sua extensão. Grande parte das
espécies arbóreas é nativa e a intenção
do projeto, foi a de obter uma diversidade tento no porte das árvores
utilizadas como tons de verde da vegetação, além
de sucessivas florações durante o ano.
Roberto Burle Marx foi um paisagista
inovador. Ele teve um papel importante na escolha e no planejamento
das espécies que povoaram a flora do Aterro.
O Parque oferece uma variedade de
equipamentos esportivos e culturais e a possibilidade de se apreciar
a paisagem do entorno, como Morros da Urca, Pão-de-Açúcar
e Corcovado, a Baía de Guanabara, a cidade de Niterói,
na margem oposta, e o variado conjunto arquitetônico da praia
do Flamengo.
O projeto do parque sofreu adaptações
e acréscimos, como é o caso da construção
da Marina Glória executada pela prefeitura no final dos anos
70.
Bairro da Aristocracia
Após a descoberta do ouro
em Minas Gerais, a cidade do Rio de Janeiro ganhou status econômico
por ser o ponto de ligação entre a coroa e a metrópole.
Ela se transformou em centro administrativo e político na
colônia, tornou-se capital do vice-reinado, em 1763. A cidade
foi se tornando mais urbanizada, onde áreas anteriormente
usadas para casas de veraneio e chácaras, tornaram-se residências
da aristocracia brasileira na capital.
Construções como Palácio
do Catete (1862), residência dos barões de Nova Friburgo,
foram eregidas.
Mudança urbana
Em 1889, foi proclamada a república
no Brasil. Uma remodelação urbanística foi
feita modernizando a cidade para uma nova Friburgo, o Palácio
do catete, a construção das grandes vias de escoamento
urbano, como a Avenida Beira Mar, que foi a projetada para viabilizar
o acesso rápido entre o centro e os bairros da Zona Sul.
Nesse período foram construídos
o palacete Seabra, o Castelinho do Flamengo, o edifício à
rua Osvaldo Cruz e a Escola Alberto Barth, inaugurada em 1907.
Durante a administração
do prefeito Carlos Sampaio, na década de 1920, houve as comemorações
do primeiro centenário da Independência do Brasil.
FLORA
A composição florista
é predominantemente arbórea, com alguns exemplares
de porte arbustivos recentemente plantados pela Fundação
de Parques e Jardins.
As espécies arbóreas
mais freqüentes são: figueira, palmeira imperial, amendoeiras,
flamboyant, paineira-vermelha, areca, tamarineira.
Entre as espécies exóticas,
foram utilizadas: palmeira-Asiática, Palmeira-Leque.
As espécies nativas mais comuns são: pau-ferro, xixá,
abricó-de-macaco, paineira, coqueiro-baba-de-boi, pitangueira,
ipê-roxo.
FAUNA
A fauna encontrada no Parque do
Flamengo é formada, em sua maior parte, por espécie
residente de pequeno porte. A biodiversidade do parque é
enriquecida, periodicamente, por algumas espécies de aves,
vindas de outras áreas verdes.
As aves comumente observadas são:
cambacica, rolinha, pardal, suiriri, bem-te-vi. Tesourão.
Atraídas por frutos e flores, para repouso ou para recolher
material para seus ninhos, surgem outras espécies como: tiriba,
saíra-amarela, anu-branco, sabiá laranjeira, gavião-carijó,
entre outros.
3 - Flamengo hoje
O Flamengo dos dias atuais não
se compara com o dos primeiro anos da sua história. Movimentado
pelo grande número de pedestres, o bairro oferece vários
serviços e opções de lazer, sendo também
um local residencial e tem um significativo comércio.
4- Aspectos turísticos
O Flamengo é um dos bairros
mais antigos da Zona Sul do Rio de Janeiro. Começaram a existir
hotéis na área no começo do século.
Alguns estão até hoje
em boa forma, outros nem tanto. São hotéis que atendem
a executivos que desejam estar próximo ao Centro. Além
disso, oferecem estrutura para empresas que desejam promover eventos
ou fornecer treinamentos a seus funcionários.
O turista que for ao Flamengo poderá
conhecer prédios, cinemas, teatros, museus, monumentos, igrejas,
restaurantes, o conhecido Parque do Flamengo, e outros atrativos
que o bairro oferece, como:
- Palácio do cate
e Museu da República;
- Museu de Arte Moderna (MAM);
- Museu do telefone;
- Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial;
- Castelinho do Flamengo;
- Museu Carmem Miranda;
- Praça José de Alencar;
- Restaurante Lamas;
- Rua Paissandu;
- Cinema Paissandu;
- Manumento a Cuauhtémoc;
- Monumento a Estácio de Sá;
- Parque do Flamengo;
- Marina da Glória.
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* Fernanda Robaina Paiva é advogada
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