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Marcio Paschoal
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VILÕES

Foto: Divulgação Globo
Flora, personagem de Patricia Pillar em A Favorita

No fundo, todos nós temos uma queda por vilanias.
           
Na ficção, então, não dá nem para a saída. Inesquecíveis e más, desfilam na nossa memória recente e televisiva Odetes Roitman, Marias de Fátima e Floras.

Desde a infância, acostumam-nos a suas ações e caretas. Incas venusianos, Capitão Gancho, Gargamel, Rebeca Gusmão, Satan Ghost, Hebe Camargo, Esqueleto, entre outros mais ou menos assustadores.

Conceitualmente os vilões se opõem aos heróis. Antagônicos por natureza, autocentrados, são seres desprezíveis, odiosos e, na maioria das vezes, deprimidos. Embora, seja raro encontrar um vilão burro. Em compensação, os heróis...

Como curiosidade, vale notar que vilões quando morrem, costumam ser quase perdoados, desde que sumam de nossas vistas, percam o mandato ou ardam no inferno. O problema passa a ser do diabo.

Foto: Marvel
Homem Aranha, da Marvel

No cinema, os supervilões se superam a cada filme. Classificados por tipos e potencialidades, há os futuristas, como Dart Wader de Guerra nas estrelas; os psicopatas e trágicos como Normam Bates de Psicose e Eurico Miranda do Vasco; os canibais e extremamente eruditos (justo por isso), como Hannibal Lecter  do Silêncio dos inocentes; ou aqueles sexualmente mortais, como a Glenn Close de Atração fatal ou a Luana Piovanni no Leblon; sem esquecer dos dúbios e perigosamente disfarçados, como Bambi, Pica-pau e o Homem Aranha.

Desde Caim bíblico, passando por Iago de Otelo e outros personagens despeitados famosos, os vilãos enchem-nos de curiosidade e, por que não, certa irresistível admiração.  Ao contrário de nossos banais heróis.

 “Quanto mais compreendemos o universo, mais ele parece não ter sentido”, garantiu o renomado físico Steven Weinberg.
 
A explicação é que, num universo biologicamente ainda misterioso, algumas pessoas irão se machucar, enquanto outras terão mais sorte. E você não encontrará nenhuma lógica, razão ou mesmo justiça nisso.
           
Dito de outra maneira, o lado bom e o lado mau do ser humano convivem lado a lado, e, tanto como na metáfora do céu e do inferno, necessitam um do outro para existir.

O homem é o único ser que precisa de oposições para poder viver. Desconsidere-se aqui os partidos políticos de esquerda e direita, que essa crônica pretende ser séria.
           
Temos a necessidade da diferenciação, isto é, de nos sentirmos diferentes dos demais habitantes do planeta. De um rinoceronte, devido o tamanho e ocasionalmente o chifre, ou de uma girafa, pelo pescoço, fica mais fácil a aceitação do argumento, mas, e dos nossos semelhantes? Cor, raça, credo, língua e outros quesitos fazem toda a diferença, literalmente.

Arqueólogos garantem que o sumiço do homem de Neanderthal deveu-se ao genocídio cometido pelos sapiens que nos deixaram a genética como legado atual.

Herança que culminou em desvios conceituais gravíssimos, como a idéia de que somos criaturas formadas à semelhança de um Deus absoluto e pleno de perfeições.

Divina comédia humana. Vilanias e heroísmos à parte, Balzac e Dante Alighieri já deviam suspeitar que não ia dar mesmo certo.

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Sobre o autor: *MARCIO PASCHOAL é escritor.
// Bolgue ou site pessoal: www.marciopaschoal.com
// Contato: paschoal3@gmail.com

 

 
 
 
     
       
         
 
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