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Marcio Paschoal
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OSCAR

O gato é um animal cercado de simbolismos. Seu convívio mais estreito com humanos tem origem há mais de seis mil anos.

Confesso que nunca simpatizara com eles, exceto aqueles que não possuíam pedigree ou denominação genética de estirpe. Os vira-latas, ou melhor, os sem-raça, já que gatos não fuçam latas. Questão de nobreza e pose.

Minha antipatia era sem motivo lógico, a não ser inconscientemente, assistindo na infância a desenhos, como Tom & Jerry, Frajola e Piu-Piu, entre outros. Gatos eram vilões. Tom e Frajola sempre perdiam no final, mas, retratavam o papel de quem perseguia covardemente. Só mais tarde, percebemos as características sádicas do ratinho e do canarinho, mas então é tarde, a péssima reputação dos felinos já foi elaborada.  Acresça-se a isso o perfil aparentemente pedante, auto-suficiente e esnobe dos gatinhos, notadamente os siameses e os angorás alimentados com whiskas e creme chantilly.

Tumbas do antigo Egito estão cheias de referências a gatos, queridos não apenas como animais de estimação, mas promovidos a divindades.

Gatos sempre foram associados à fertilidade e, por tabela, às mulheres. Isso pode explicar seu lado meio incompreendido, o caráter dúbio e a personalidade marcante. Embora, diferentemente delas, gatos tenham bom senso.

Na Idade Média, no período Inquisitório, os gatos pretos quase sumiram do mapa, tidos como sinal de mau agouro e jogados à fogueira. Daí para associação de azar foi um pulo e um extermínio em massa se seguiu. A vingança dos bichanos não tardou, pois com a peste negra (doença transmitida pela pulga do rato), a metade da população européia foi dizimada.

Os gatos têm poder.

Uma revista científica publicou artigo, revelando a existência de um gato chamado Oscar que vive numa casa para idosos em Rhode Island e indica a hora da morte dos velhinhos. As estatísticas impressionam: basta o gatinho escolher um para se aninhar no colo, e pronto, podem chamar os parentes para providenciar o enterro. A média é de, no máximo, umas duas horas antes do óbito.

O tal gato deve ter uma razão esotérica, um lado espiritual. Há quem aponte, no entanto, para uma explicação bioquímica. Mas coincidência não é. O Oscar, anjo da morte, não falha: “and the winner is...”.

Os gatos também podem pressentir mudanças cronológicas, a proximidade de tragédias, olho gordo e infidelidade dos casais. Não há, contudo, registros de premonições com a Bolsa de Valores, a alta do ouro ou presença de petróleo em quintais.

Quanto às propaladas sete vidas, há controvérsias. O que se sabe é que gatos têm elasticidade e esperteza suficientes para escapar de autênticos desastres consumados. O segredo? O famoso pulo do gato.

Hoje gosto de gatos. Acho que, finalmente, passei a compreendê-los melhor. Ou, o que seria mais natural, deixar de me preocupar com isso. Parece que a recíproca procede, pois sempre atraio a atenção deles para um cafuné de reconhecimento. Uma questão de respeito mútuo e pertinente.

Escaldados ou não, gatos são como gente, feitos para brilhar, e não para couros de tamborim ou falsos churrascos.   

E o fundamental: gatos podem ser tudo, menos políticos. Qualidade, nos tempos atuais, mais do que suficiente para admiração.

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Sobre o autor: *MARCIO PASCHOAL é escritor.
// Bolgue ou site pessoal: www.marciopaschoal.com
// Contato: paschoal3@gmail.com

 

 
 
 
     
       
         
 
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