Anuncie | Expediente | Cadastro | Pessoa do Bem |
 
 
   
Cronistas
 
 
     
 
 
Marcio Paschoal
Crônicas atual deste autor Arquivo de Crônicas deste autor » Este autor escreve aos domingos   Acesse todos os cronistas   Acesse todos os Contos   Acesse todos os Poetas

O LADRÃO E A VENDEDORA DE SEGUROS

Foto de Vinicius Pereira, do "Diário de S. Paulo
Garota com arma

Quinta-feira, 16 de junho, no jornal o Globo, saiu uma nota contando o assalto sofrido por uma vendedora de seguros no subúrbio. Não se ficou sabendo se ela vendia seguros no subúrbio ou se só morava lá; ou ambas as coisas. Não importa. O ladrão já estava se retirando, como fazem os ladrões corriqueiros, quando a moça, aos prantos, implorou para fazer uma última ligação no seu celular roubado, pois não sabia como sair dali e queria que o marido a buscasse.

Antes de prosseguirmos, fica a questão: como não sabia sair de um lugar no qual acabara de chegar? Não importa. Podia ser super distraída. O fato foi que o ladrão, contrariando todas as expectativas, cedeu ao pedido. Só que...o marido, em vez de ajudar, deu uma bronca na mulher e a mandou se virar.

            Fica a dúvida: será que ele desconfiou de algo? A mulher poderia ter saído com um amante, depois brigado e ele a teria deixado lá. Será que a nossa vendedora de seguros andava aprontando ou o seu marido era apenas um crápula? O mundo está cheio de maridos assim. E mulheres aprontando também. Não importa. O ladrão pegou de volta o celular e, como normalmente fazem os ladrões, saiu. A mulher, então, caiu em lágrimas e ficou ali sozinha, até que...acredite de novo, o ladrão voltou, com pena, e lhe deu cinco reais para a passagem de ônibus. Isso importa. Fosse um ladrão comum, não teria dado bola à aflição de sua vítima. Mas ele não era um meliante qualquer, tinha coração. Talvez estivesse apenas passando por uma necessidade premente, quem sabe até com chance de recuperação. É o que se costuma chamar de marginal social. Mas, no instante em que ele volta e dá o dinheiro do ônibus, mostra sentimento, emoção. Se tivesse deixado para o táxi, poderíamos suspeitar de más intenções, ou deboche. Também se demorasse mais ali a conversar, certamente ela acabaria lhe vendendo uma apólice.
 
Ficamos sem saber, no entanto, se o ladrão informou sobre qual ônibus tomar, afinal ela estava perdida. Não importa. Um ato de solidariedade como esse, cada vez mais raro, foi o que chamou a atenção.

Pode-se intuir que a mulher quando chegou em casa, pediu satisfações ao marido; não lhe contou nada; ou ainda, na melhor das hipóteses, atirou-lhe um jarro nas fuças. Se bem que, contagiada pela generosidade do ladrão, ela até pudesse lhe perdoar a atitude de verme.

Bem que podia aproveitar o ensejo e separar-se, embora nunca se saiba da real situação financeira de cada um, mormente dos limites salariais de uma vendedora de seguros. Neste caso - casa de ferreiro -, seguro morrendo de velho. Não importa. Com certeza, aquele casamento nunca mais será o mesmo.

Quem sabe o ladrão ainda escreva uma carta, telefone ou mande um recado... O amor costuma ter desses mistérios.

  • ..............................................................................................................................................................................................
Sobre o autor: *MARCIO PASCHOAL é escritor.
// Bolgue ou site pessoal: www.marciopaschoal.com
// Contato: paschoal3@gmail.com

 

 
 
 
     
       
         
 
Acesse outros textos relacionados:
  Crônicas atual deste autor Arquivo de Crônicas Outros textos do autor: POESIAS Outros textos do autor: OFICINA LITERÁRIA
Voltar | Capa
       
    .: Mais sobre Cinema
» Cinema
» Críticas
» Curtas
» Em breve
» Em cartaz
» Especiais
» Festivais
» Lista de filmes
» Miscelânea
» Prêmios
» Promoções
» Notícias sobre Cinema

» Cinematógrafo
» Luz & Sombras
» Mise en Scène
» Respirando Cinema
» TelaGRANDE



  .: Mais sobre Cultura
» Artes das Ruas
» Caderno de Cultura
» Agenda
» Artes Plásticas
» Agenda/Eventos
» Teatro

» Gosto de Sangue
» Meu Bairro

» Música
» Oficina Literária
» Poesias

»
Rio de Janeiro
» Curiosidades do Rio
» Figura Carioca
»
Rio em P&B
 

.: Mais sobre Matérias
» CrônicasTUR
» Entrevistas
» Exclusivo
» HQ's & Fanzine
»
Reportagem

» Copa 2014
» Esporte & Saúde
» Pan 2007
» Rio 2016

 
2006/2009 © SCB - Sistema Crônicas Brasileiras de Radiodifusão Ltda - Todos os direitos reservados - Textos assinados são de responsabilidade de seus autores.
Google