Anuncie | Expediente | Cadastro | Pessoa do Bem |
 
 
   
Cronistas
 
 
     
 
 
Marcio Paschoal
Crônicas atual deste autor Arquivo de Crônicas deste autor » Este autor escreve aos domingos   Acesse todos os cronistas   Acesse todos os Contos   Acesse todos os Poetas

PROCURA DIREITO QUE ACHA

Ovos de Páscoa

Desde pequeno fui um menino desconfiado. Uma daquelas crianças que questiona por onde o velho Noel entra em casa, se no apartamento não tem chaminé. Ou por outra, como é que ele consegue atender aos pedidos de todas as crianças do mundo, andando naquele trenó de segunda, puxado por velhas e pachorrentas renas.

Em compensação, lá em casa todos já desconfiavam da precoce consciência social do garoto, pois eu não simpatizava com a idéia de que algumas crianças pobres fossem ficar a ver navios em vez de bolas, carrinhos e bambolês. Para mim aquele senhor de barbas brancas tinha pinta de elitista.

Enfim, logo descobri a farsa, ficando acordado até mais tarde e checando o que já desconfiava, ou seja, que o papai Noel era o lá de casa. Pior, no meu caso, era mamãe Noel mesmo.

Hoje vejo o bom velhinho com ares de pedófilo (ele, não eu). Por isso, não deixo meus filhos sentarem no colo dele para tirar fotografia. Era só o que faltava.

Assim também foi com o bicho-papão, que cedo concluí tratar-se de chantagem ficcional de adultos sem imaginação. Coisa de tarado. Se bem que eu morria de medo de uma boneca de olhos esbugalhados que minha irmã guardava no armário dela.

Gato morto no asfalto

Isso tudo para lembrar que uma história dessas mal contadas eu engolia sem problemas. Era na época da Páscoa, quando procurava pelos ovos espalhados e escondidos pela casa. Nunca questionava como o coelhinho conseguira entrar lá em casa, se ele também dera chocolate para as crianças pobres, logo, o que me interessava de verdade era achar as delícias e me empanturrar. Naquele tempo não tinha problemas de engordar nem de colesterol.

Talvez em razão disso, sempre tive atração por coelhos. Seja com molhos de maçã e batatas cozidas, ou no vinho à moda francesa.

Sem contar que Coelho costuma dar sorte. Haja visto nosso badalado  internacional Paulo, que vende livro até no Irã. Jamais entenderei esse mistério. Deve ser coisa de coelhos e cartolas.

Porém nunca tive nenhum pé de coelho. A explicação pode ser simples e tem sua lógica. Se aquele coelho tivesse sorte não teria perdido a pata.

Resumindo, acho que a Páscoa está em mim como um toque batismal. Não seria à toa meu sobrenome de Paschoal. Uma época que me traz boas recordações. Um tempo no qual todos podem recordar um pouco da pureza dos sentimentos e da gula sem pecado.

Io no creyo en los conejos pero qui los hay, hay..
É só procurar direitinho. Feliz Páscoa.

  • ..............................................................................................................................................................................................
Sobre o autor: *MARCIO PASCHOAL é escritor.
// Bolgue ou site pessoal: www.marciopaschoal.com
// Contato: paschoal3@gmail.com

 

 
 
 
     
       
         
 
Acesse outros textos relacionados:
  Crônicas atual deste autor Arquivo de Crônicas Outros textos do autor: POESIAS Outros textos do autor: OFICINA LITERÁRIA
Voltar | Capa
       
    .: Mais sobre Cinema
» Cinema
» Críticas
» Curtas
» Em breve
» Em cartaz
» Especiais
» Festivais
» Lista de filmes
» Miscelânea
» Prêmios
» Promoções
» Notícias sobre Cinema

» Cinematógrafo
» Luz & Sombras
» Mise en Scène
» Respirando Cinema
» TelaGRANDE



  .: Mais sobre Cultura
» Artes das Ruas
» Caderno de Cultura
» Agenda
» Artes Plásticas
» Agenda/Eventos
» Teatro

» Gosto de Sangue
» Meu Bairro

» Música
» Oficina Literária
» Poesias

»
Rio de Janeiro
» Curiosidades do Rio
» Figura Carioca
»
Rio em P&B
 

.: Mais sobre Matérias
» CrônicasTUR
» Entrevistas
» Exclusivo
» HQ's & Fanzine
»
Reportagem

» Copa 2014
» Esporte & Saúde
» Pan 2007
» Rio 2016

 
2006/2009 © SCB - Sistema Crônicas Brasileiras de Radiodifusão Ltda - Todos os direitos reservados - Textos assinados são de responsabilidade de seus autores.
Google