RENÚNCIAS E DEMOLIÇÕES
Renunciar está definitivamente em alta. O sr. Renan Calheiros optou por renunciar, ser absolvido e, de quebra, ser partícipe do processo de ressurreição da CPMF.
Na Paraíba, o sr. Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) renunciou a seu mandato de deputado, às vésperas de ser julgado pelo STF, para escapar de uma mais que certa condenação por homicídio. Nunca antes neste país, se renunciou tanto. O que parecia ser prerrogativa particular de Jânio Quadros hoje é corriqueiro e oportuno.
Daqui a pouco, Romário, acusado de doping no uso de componente químico que, supostamente, previne contra a calvície, será aconselhado por algum advogado a renunciar de ser jogador de futebol e voltar treinador. Tudo é possível.
Outra moda que parece ter pegado é a de demolir. Demole-se por nada e sob qualquer pretexto. É a síndrome do avestruz enfiando a cabeça na terra. O estádio Fonte Nova, na Bahia deve ser demolido, assim como as cadeias no Pará que servirem de repasto sexual com menores. Bem que poderiam aproveitar essa onda e demolir o Senado Federal.
Deixemos de lado as renúncias e demolições, e passemos ao que vale a pena. No fim de semana passado, aconteceu mais uma vitoriosa edição da Primavera dos Livros. Confesso que, a princípio, fiquei chateado com a mudança do charmoso espaço no Jóquei Clube para os jardins do Museu da República, no Catete. Mas, depois, admiti suas inegáveis vantagens: o Museu é pra lá de elegante e sua localização permite fácil acesso, seja pelo Metrô ou qualquer outra condução.
A Primavera dos Livros, uma reunião de pequenas e médias editoras, é um evento moderninho e cheio de atrações, cuja maior delas é a excelência dos preços praticados. Lá se pode comprar, sem susto e dor no bolso, livros ótimos e variados. Também se encontra um monte de gente interessante: poetas, aspirantes a escritores, agentes literários, editores e até alguns escritores. Em completa oposição à Bienal do Livro, onde você, além de não encontrar ninguém ainda corre o risco de se perder, a Primavera veio para ficar.
A Bienal se tornou uma muvuca infernal, um autêntico programa cinco cocares. Os livros são caros e você sai com a sensação de ter participado de uma meia maratona.
Por isso, a Primavera dos Livros deve ser festejada e merecer uma atenção maior daqueles que realmente amam a literatura. O resultado final da Feira contemplou mais de 30 mil livros vendidos. Uma senhora marca, que enche de orgulho e esperança o carioca.
No próximo ano, não renuncie a uma passada por lá. Vá lá que resolvam também demolir o Museu...
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Sobre o autor: *MARCIO PASCHOAL é escritor.
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