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» RIO DE JANEIRO, 16 de outubro DE 2007

LIBERTEM A MACONHA OU LOCUPLETEM-SE OS CACHACEIROS

A velha cannabis volta à ribalta por conta de novas discussões a respeito de seu aproveitamento medicinal. Não é de hoje que a maconha é utilizada em pacientes com câncer e outras mazelas, como a epilepsia.

No Brasil e no resto do mundo, seus usuários a consomem para aliviar sintomas de ansiedade e depressão. Há mulheres que se valem da maconha contra tensões pré-menstruais, cólicas e enxaquecas. Mas seu uso (apesar de ser legal) ainda é ilegal.

Outro aspecto é o da dependência da droga. Diferentemente do álcool, da cocaína ou da heroína, a maconha não causa dependência fisiológica. A síndrome de abstinência da maconha é amena e dura poucos dias. O sujeito fica irritado, perde o apetite, mas não dá grandes vexames.

Seu uso contínuo pode, sim, causar tolerância (quando você tem que aumentar a dose para conseguir os efeitos), mas não se tem notícia de morte por overdose de maconha.

Seria, então, o caso de se desmistificá-la e passar à sadia discussão de sua livre oferta no mercado.

Não se pode duvidar de que o álcool cause malefícios maiores à sociedade. A liberação da droga e suas regras passariam por um amplo debate. Mas, penso que a hora é chegada. A realidade atual encoraja a discussão a cerca da sua regulamentação com leis semelhantes àquelas das aplicadas ao álcool. Como ponto relevante o conseqüente afastamento dos cidadãos que optem por seu consumo sem terem de se relacionar com o submundo do crime.

            Abandonando o alto do muro, meu voto seria a favor de sua descriminação e abertura à venda vigiada. O alcoolismo, bem mais insidioso e letal, trafega livre, fagueiro e fomentado em generosos anúncios na tevê. Por que não a cannabis? Por que não organizam uma passeata do “Orgulho muito doido”? Veja o que a vodca anda fazendo com as mulheres russas. E o saquê com os executivos nipônicos? E os nossos jovens (meninos e meninas) cada vez mais bêbados precocemente. Já há estatísticas com bebuns inveterados aos doze. Enfim, um pouco de bom senso ajudaria.

Eu tenho uma amiga que faz uso da maconha desde a adolescência e, hoje, beirando os 50, já uma veterana no bagulho (e diga-se a seu favor que não está um bagulho, ao contrário), continua fumando seu baseadinho na boa, não se queixa de perda de neurônios nem de falta de memória, pelo menos que ela se lembre.

Eu mesmo acho uma grande besteira esse negócio de perder a memória com a maconha. Bem, voltemos ao nosso assunto. E sobre o que falávamos?

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    *Marcio Paschoal é escritor.


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