Tropel de Elite
Confesso que não vi o filme “Tropa de elite”. No cinema, porque na cópia pirata em casa já assisti algumas vezes.
No fundo, não posso deixar de imaginar ser um belo golpe de marquetíngue. O Bope deu Ibope. O filme é sucesso, é bem feito e tem um elenco afiado. Wagner Moura, então, está excelente na pele do psicopata fundamentalista disfarçado de oficial. Mas não chega aos pés do seu hilário personagem, o traficante baiano de “Ó paí, ó”. Confiram.
O filme de José Padilha tem mensagens bem definidas e lineares. Uma é tentar imputar a culpa exclusiva aos usuários de maconha pelos assassinatos decorrentes do combate ao tráfico de drogas.
Uma outra, meio escabrosa, é a de glamourizar o exercício livre do extermínio como solução a priori para nossos problemas de segurança.
No final, não há quem não saia do cinema morrendo de pena e a favor dos policiais extremosos, que se sacrificam diariamente para assegurar que irresponsáveis e alienados usufruam de seus podres vícios. Menos, Padilha, menos.
Toda polêmica sobre o filme assume maior importância na medida em que a platéia responde entusiasmada a cada infeliz fuzilado. A cada tortura bem-sucedida, a cada desvario cometido em nome de uma pretensa lei. A lei do cão.
Melhor seria que o país ganhasse uma tropa de elite não nos escaninhos do submundo do crime, na guerra polícia x bandido, ou vice-versa, dependendo da banda podre assumida por quem de direito, mas, sim, de uma tropa de choque em Brasília. Uma troca de tudo que lá está. Deixo a sugestão implausível porém eficaz para uma possível continuação de “Tropa de elite2”: o capitão Nascimento adentraria armado até os dentes no Senado Federal. Os políticos nunca mais seriam os mesmos e a euforia iria tomar conta dos espectadores em cada sala de cinema, em cada canto ou rincão brasileiro onde houvesse a sua exibição. Dá-lhe capitão!
P.S. Sobre a minha crônica passada, a respeito da absurda exigência de no mínimo 20 dentes para o concurso da Guarda Municipal, inúmeros leitores (na verdade, dois) me questionaram sobre a verdade do fato. Acrescento nota publicada nos jornais: “O Ministério Público do Trabalho no Rio dá prazo para que a Guarda Municipal reveja pontos considerados inconstitucionais no edital de concurso para ingresso na corporação”.Viram? É inacreditável, mas real.
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*Marcio Paschoal é escritor.
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