MEU
DOCE E TEMPESTUOSO IRMÃO RENATO
Legião Urbana foi meu
coração, minha cabeça e minha voz
Foto: Divulgação
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Acho que sou
ingrato com Elvis Presley. Explico.
A partir dos meus cinco anos de idade comecei a ver
os inúmeros filmes de Elvis na Sessão
da Tarde. Nesses filmes, Elvis sempre interpretava um
rapaz pobre, porém sedutor – seu sorriso
sincero, seu violão, seu sucesso com as garotas.
Seus personagens eram – apesar de sofredores –
sempre uns caras bem humorados, felizes, fiéis
aos seus amigos, corajosos. Não importava o nome
ou o ofício de cada personagem: era ali sempre
o belo e cativante Elvis com seus cabelos castanhos-escuros
brilhantes. A psicologia explica isso com facilidade
– refiro-me ao fato de eu hoje cantar e tocar
violão, já que não houve músicos
em minha família. Sendo assim, é possível
que Elvis Presley seja meu pai. Se hoje eu gosto tanto
de violão e, ainda mais, de mulher, é,
entre outras coisas, por Elvis. Que coisa... E o que
eu dou em retribuição? Uma foto em uma
colagem com recortes de fotos de artistas que fiz, emoldurados
em minha sala, e ainda dois velhos discos de vinil e
nada mais. Acho que é pelo obstáculo da
língua estrangeira, pois do Roberto Carlos,
por exemplo, eu tenho mais material, e até sei
cantar muitas músicas. Mas não vou também
ficar justificando minha ingratidão.
Então, passada
uma década, me vem, aos dezesseis anos a minha
primeira banda, onde eu cantava, principalmente, as
músicas do Legião Urbana.
Eu e Renato Russo fizemos um casamento
perfeito. Casamento, não. Renato Russo foi meu
tempestuoso irmão mais velho. Quando menino eu
não podia cantar como Elvis. Mas agora, nos idos
de 1986, eu um frangote com voz de homem... agora dava
pra enganar, cantando as músicas do Legião.
Ninguém nas redondezas tinha uma voz mais parecida
(ou conseguia fazer uma voz mais parecida) com a do
Renato do que eu. Então o menino tímido
que eu era, passou a ser um pouco mais respeitado, pela
voz, e pela performance de palco, ainda que, secretamente,
eu, a princípio, gostasse mais do RPM, Blitz e Ultraje a Rigor, até aquele momento. Entretanto,
o poder das letras – ora herméticas, ora
vomitadas com clareza – de Renato Russo não
tardariam em capturar meu intelecto, minha psique ávida
pelo susto. E, então, sim, cada nova canção
da Legião me proporcionava o susto que me alimentava
psicologicamente.
Cada novo disco
da banda era um acontecimento pra minha turma. Discutíamos
cada letra. “O que ele quis dizer com este verso?...”,
era comum indagarmos. Foram tantas as canções
marcantes, e tanta coisa já foi escrita sobre
a obra de Renato, e o enorme número de grandes
letras, que fica difícil destacar algumas. E
é sempre complicado tentar fazer um apanhado
analítico pessoal da obra. Pois cada um dos discos,
cada uma das canções podem ser objeto
de muita análise – eu, que já analisei
todas, todas elas, tenho sempre um “disco preferido”
diferente a cada vez em que penso nisso. Vou me ater,
momentaneamente, a um álbum em especial: A
Tempestade, que é o que acho que mais
me emocionou. E vou falar alguma coisa sobre este trabalho.
A Tempestade (ou O Livro dos Dias) é de 1996.
E é o último trabalho gravado pela Legião
Urbana – depois viriam álbuns póstumos.
Tenho uma história pessoal envolvendo este disco.
Fui até o município de Nova Iguaçu,
onde normalmente eu comprava meus discos, pra comprar
o então novo disco da (do; tanto faz) Legião.
Lá estava ele: capinha azul celeste, de papelão.
Uma capa elegante. Eu sempre comprei os discos do Legião
e do Paralamas sem me preocupar com
o conteúdo, que eu já sabia que não
poderia ser ruim. A “música de trabalho”
executada nas rádios eu havia achado muito estranha;
era “A via Láctea”.
Muito triste e com um vocal desleixado. Versos como
“hoje a tristeza não é passageira,
hoje fiquei com febre à tarde inteira, e quando
chegar a noite cada estrela parecerá uma lágrima...”.
Então cheguei em casa e coloquei o CD no meu
som. E o que saiu das caixas era a voz da Xuxa. Isso
mesmo, Xuxa. Por algum motivo, a fábrica que
prensou (queimou) os CDs, gravou ali , acidentalmente,
o então novo disco da apresentadora de TV. Lá
fui eu de novo no dia seguinte à loja pra trocar
o CD. A moça do balcão me trocou a bolachinha
sem problemas, disse que aquele lote inteiro estava
com Xuxa gravada nos CDs do Legião. De volta
a casa, finalmente pude ouvir o disco com calma. Calma
não. Um misto de apreensão e respeito,
para, logo depois, como sempre, o susto. E também
o deleite após o susto. Mas dessa vez havia algo
diferente. Todas as canções eram amargas,
extremamente amargas. Chorei ao ouvir algumas delas,
e me lembrei do disco Burguesia, do
Cazuza. “Meu Deus, será que este aqui é
mais um disco de despedida?”, me perguntei. E
quando li na primeira página do encarte.
O
Brasil é uma
república federativa
cheia
de árvores
e
gente dizendo adeus".
Oswald
de Andrade
Eu pensei, e inclusive
disse à minha companheira – que sempre
me falava dos lugares descritos pelo compositor em alguns
versos referentes a Brasília presentes em uma
ou outra canção; Brasília, local
onde ela também morou: “o Renato Russo
vai morrer”, eu disse. “Veja bem. Tudo o
que cantou nesse disco mostra que ele não está
nada bem. E esses versos aqui...”. Pois
bem. Mais ou menos um mês depois daquilo, recebemos
a notícia de sua morte. Eu estava no trabalho.
Eu estava no refeitório. Não me recordo
de ter terminado a refeição. Eu estava
perdendo um “parente”. Algo como um irmão
distante, que muito houvera me ensinado. Renato morria
vítima do HIV. Escondeu a doença de todos.
Apenas os mais chegados sabiam. Nenhum fã sabia
o que estava acontecendo com ele. Ele ocultou seu mal
até o fim. A única coisa que gostava de
expor era a sua arte, e isso fizera sempre muito bem.
Com o uso dos “coquetéis” ele poderia
ter vivido mais. No entanto, isolou-se em seu apartamento
e abandonou o tratamento. Ele não conseguiu ser
como os outros, “rir das desgraças
da vida, ou fingir estar sempre bem, ver a leveza das
coisas com humor”, como reclama na letra
de “A Via Láctea”.
Ele agiu como um romântico do século XIX.
Acho que chorei por uma semana. E, confesso: ainda hoje A Tempestade é um CD capaz de
me fazer chorar. É ainda um trabalho mal compreendido
por alguns ouvintes, considerado excessivamente depressivo.
Mas, ora bolas, como não ser “excessivamente
depressivo” quando se está às portas
da morte? A Tempestade é uma obra de arte intensa
e reveladora. O título reflete, como disse sua
mãe em uma entrevista, a “tempestade”
que o filho vivia em sua vida confusa e tumultuada,
naqueles seus anos com o H.I.V., e, sobretudo, nos seus
últimos meses de vida. Mas nem tudo é
depressão em A Tempestade, que em alguns momentos
consegue mostrar até um certo bom humor, como
no caso da canção “Leila”.
Ou ainda a delicadeza de uma letra leve e romântica
como em “Soul Parsifal”,
com melodia criada em parceria com Marisa Monte.
A obra de Renato
Russo e da Legião Urbana, ajudou a revelar um
novo Brasil e uma nova juventude brasileira. Mostraram
que de Brasília podia sair coisa boa, e não
só merda. E inclusive levaram a capital federal
para algumas de suas letras. Nem a obra gigantemente
linda e fabulosa de Niemeyer me fez sentir tanta vontade
de conhecer a “cidade avião” como
o fizeram letras como “Faroeste Caboclo” e “Dezesseis”. Um aspecto
importante é que, comumente, as letras de Renato
eram sérias e rebuscadas – não que
não fossem românticas. Mas eram românticas
no seu modo peculiar. Revelavam uma vasta cultura do
letrista. Eram cheias de referências. Que produtor
musical poderia apostar que letras herméticas,
com referências a livros e filmes pudessem atrair
a juventude, em grande parte tão interessada
em músicas engraçadinhas ou de um romantismo
tradicionalmente clichê? Os “padrinhos” Paralamas do Sucesso, e os produtores Mayrton Bahia e Rafael Borges acreditaram nisso.
A obra da Legião
Urbana foi pra mim e pra muitos da minha geração
algo quase sagrado. Como uma espécie de bíblia
musical, um tratado de poesia livre e de livre pensamento,
e de reflexão. Um motor para a criatividade de
cada um de nós. Nenhum fã que eu tenha
conhecido tentou, verdadeiramente, seguir Renato Russo
como um modelo pessoal de vida. Sua obra sempre esteve
muito acima de sua vida – algo raro entre estrelas
do mundo pop.
***
Legião Urbana
Legião
Urbana (1984), o disco de estréia, tem
o primeiro sucesso radiofônico da banda, “Será”,
que é, sem dúvida, a letra mais fraca
do álbum que traz “Ainda é cedo”,
“Soldados”, e as contundentes “Baader-Meinhof
blues”, “A dança”, “O
reggae”, e ainda o anti-hino “Geração
Coca-cola”.
Dois

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Dois (de 1986), figura – não raro, próximo
ao topo – em todas as listas dos melhores discos
de rock brasileiro. E não é pra menos.
É um conjunto de canções finamente
elaboradas. O som punk do disco anterior dá aqui
lugar a uma sofisticação sem precedentes
no rock nacional, com violões executados com
simplicidade e precisão, guitarras pontuando
delicadamente as melodias. Se a banda preserva
neste disco a crítica social contida lá
no primeiro trabalho, ela dá aqui um desenho
mais romântico e profundo às suas canções.
Destaques: “Tempo perdido”, pela performance
da banda e pelo belo trabalho técnico de estúdio;
“Quase sem querer” e “Andrea Doria”,
pela introdução da banda ao estilo folk-music,
que se repete na brilhante “Eduardo e Mônica”
– esta com arranjo sem bateria e com sua letra
quilométrica; “Acrilic on canvas”,
pelos versos surpreendentemente românticos e metafóricos;
e a magnífica “ ‘Índios’
” – nada na música brasileira até
então se parecia com o clima tenso criado pelo
teclado de Renato Russo ao longo desta canção
“sufocante”, carregada se símbolos.
Que país é este?
Que país
é este? (1987) é uma espécie
de coletânea de “sobras” dos discos
anteriores, porém em gravações
novas. Eram canções já tocadas
pelo grupo – a maioria delas desde sua fundação
– mas que não haviam ainda sido registradas
em estúdio. Jamais um disco de canções
“rejeitadas” foi tão bem recebido
por público e crítica. Nele estão
“Eu sei”; “Mais do mesmo”; “Angra
dos Reis”; “Conexão amazônica”;
a faixa-título “Que país é
este”, que foi a música mais executada
por bandas de garagem nos anos oitenta e noventa; e
por fim, uma das mais impressionantes canções
da história da música brasileira: Renato
foi inspirar-se no cordel, foi em Dylan,
foi em não sei mais aonde – talvez em seu
céu e seu inferno – e mostrou ao país
a hipnótica e emocionante “Faroeste caboclo”,
a “folk-balada” de nove minutos
sem refrão, logo cantada de cor pela juventude
brasileira.
As quatro estações

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“As
quatro estações” (1989)
é o primeiro trabalho sem o baixista Renato Rocha
(o Negrete). Com este disco a banda conquista todas
as classes sociais que faltavam serem alcançadas.
Não que tenha sido um trabalho “popularesco”
– longe disso. Mas o conteúdo “religioso”
do álbum deu essa força. Canções
como “Quando o sol bater na janela do teu quarto”,
“Há tempos”, “Se fiquei esperando
meu amor passar”, e, sobretudo, “Monte castelo”
– esta com trechos da Bíblia – conquistaram
todos os jovens católicos do país. Mas
“As quatro estações”
é muito mais que um disco de “auto-ajuda”,
como pode parecer ouvindo-se os versos de “Pais
e filhos”: “é preciso amar as
pessoas como se não houvesse amanhã...”.
Entretanto a própria “Pais e filhos”
é uma canção que trata em sua letra,
entre vários casos de jovens, de um caso real
de suicídio. É um clima pesado, e o próprio
Renato sempre achou esta música inapropriada
para se cantar em shows, por que os ouvintes não
compreendiam a tristeza profunda contida naquela letra.
Mas, em todo caso, por força das circunstâncias,
ele foi obrigado a se render ao mega-sucesso da canção
e a cantou diversas vezes. “Pais e filhos”
contém ainda versos poderosamente conciliatórios
como “você culpa seus pais por tudo/
isso é um absurdo: são crianças
como você...” – de fato, uma
aula de amor e compreensão. Neste disco há
ainda canções homossexuais e, dentre elas
uma com letra em inglês “Feedback song for
a dying friend”, com poesia claramente gay. Este
quarto disco é, entre outras coisas, um trabalho
denso e pesado que o público entendeu como leve.
De qualquer forma, é um disco rico em todos os
sentidos, em conteúdo e forma – incluindo
excelentes arranjos. Não teria como o país
deixar de ouvi-lo. E o Brasil fez um bom uso deste grande
grito de Renato.
V
“V”
(1991) sofreu com o sucesso do disco anterior. Uma capa
branca, com o cinco em algarismo romano na contracapa
e, no interior, faixas mais longas que o normal, com
grandes trechos instrumentais: foi algo que pegou todos
de surpresa. A verdade é que “V”
é um belo disco, ainda que “difícil”.
As tocantes faixas “O teatro dos vampiros”
e “Vento no litoral”, e a simpática
“O mundo anda tão complicado” conseguiram
tornar o trabalho comercializável. Entretanto
o destaque estético-artístico do disco
é “Metal contra as nuvens”, uma das
mais lindas letras escritas por Renato, num arranjo
bem ao estilo rock progressivo dos anos setenta.
Música para acampamentos
“Música
para acampamentos” (1992) é uma
coletânea ao vivo de diversas apresentações
da banda em shows e programas de rádio. As versões
de “Ainda é cedo”, “Música
urbana 2” e “Baader-Meinhof blues”,
com Renato “encenando” um pequeno monólogo
na abertura desta – onde representa uma perseguição
policial –, merecem destaque. As belas versões
acústicas de “Índios” e de
“O teatro dos vampiros”, gravadas para a
MTV, já constavam aqui nesta compilação.
O descobrimento do Brasil
“O
descobrimento do Brasil” (1993). Aqui
temos um letrista mais romântico do que nunca.
As letras são mais simples e “digeríveis”
que o usual. No entanto, os dois grandes destaques do
disco fogem a esse conceito: “Perfeição”
tem uma das letras mais ácidas da banda, num
arranjo com toques de rap, tendo os versos
quase todos falados. É considerada uma das melhores
músicas da Legião, sendo inclusive a preferida
de Guiliano, filho de Renato Russo, que mais ou menos
nessa época, ainda criança, desenharia
a capa do disco solo em italiano de Renato “Equilíbrio
distante”; outro grande destaque
é “A fonte”, num trabalho instrumental
impecável de toda a banda, e com uma letra pra
lá de misteriosa. A música destacada por
Russo para este disco é “Giz”, que
ele afirmou ser “perfeita”, tendo dito até
mesmo que esta teria sido sua melhor gravação
em toda a carreira.
A Tempestade

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“No último
disco gravado por Renato Russo, “A Tempestade” (1996), destacam-se as faixas: “L’aventura”,
uma linda canção que trata de um caso
de amor que chega ao fim, num magnífico trabalho
instrumental; “A Via Láctea”, que
contém os versos “quando tudo está
perdido, sempre existe um caminho/ quando tudo está
perdido, sempre existe uma luz” – esta
canção, assim como outras do disco, foram
cruamente registradas com a “voz-guia”,
isto é, sem o acabamento que normalmente se dá
em gravações profissionais, com a voz
sendo gravada por último, visando melhor qualidade;
“Dezesseis” parece ser uma versão
mais rocker de “Faroeste caboclo”,
ao contar, em ritmo forte, mais uma estória ambientada
em Brasília; “Leila” é primorosa,
com um belo trabalho de guitarra de Dado Villa-Lobos
e uma das mais surpreendentes, divertidas e doces letras
de Renato; quase ao fim do disco, a emocionante “Esperando
por mim”, onde ele canta “e o que disserem,
meu pai sempre esteve esperando por mim/ e o que disserem,
minha mãe sempre esteve esperando por mim/ e
o que disserem, meus verdadeiros amigos sempre esperaram
por mim/ e o que disserem, agora meu filho espera por
mim/ estamos vivendo, e o que disserem... os nossos
dias serão para sempre”. Quem viveu
os anos de Renato Russo vai sempre se emocionar ao ouvir
estas canções.
Uma outra estação

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“Uma
outra estação”(1997) é
o primeiro álbum póstumo de Renato com
a Legião. Ou melhor, o primeiro do Legião
após sua morte. A maior parte das músicas
de “Uma outra estação” integrariam
o CD “A Tempestade”, que seria, inicialmente
um álbum duplo – e provavelmente até
com outro título –, o que não ocorreu
por razões de mercado. Destacam-se aqui “Flores
do mal”; “Antes das seis” –
que tem os versos “quem inventou o amor, me
explica por favor...” –; “A tempestade”,
com seu vocal soturno; a desconcertante, fortíssima
e indispensável “La Maison Dieu”;
“Clarisse”, com sua pesada letra sobre uma
tentativa de suicídio: “enquanto ela
se corta ela se esquece que é impossível
ter da vida calma e força” –
nada pode ser mais barra pesada que isso – ; e
coisas antigas, como as boas “Dado viciado”
e “Marcianos invadem a terra”, gravadas
em voz e violão. Uma faixa muito interessante
é “Riding song”, que abre o disco,
onde os integrantes da banda – incluindo o antigo
baixista Renato Rocha – vão se apresentando,
falando sobre o que fazem na vida. “Mariane”,
lindíssima canção, composta e cantada
em inglês, também merece nota.
Mais
do mesmo
“Mais do mesmo” (1998)
é uma coletânea bastante deficitária,
omitindo grandes sucessos como “Quase sem querer”,
“Soldados”, “Angra dos Reis”,
etc.
Acústico MTV
“Acústico
MTV” (1999) é um ótimo
disco. Registrado na ocasião do lançamento
de “V”, e lançado posteriormente,
apresenta uma Legião Urbana completamente despojada.
Uma performance excepcional de Dado no violão,
acima de qualquer suspeita. No palco do programa de
TV, a Legião crua e minimalista, numa formação
com apenas os seus três integrantes. A voz de
Renato nunca esteve tão límpida em uma
apresentação ao vivo – não
que ele tivesse dificuldades com isso. O arranjo para
“Índios” é magnífico,
numa transposição para violões
mais que inusitada. A maravilhosa “Metal contra
as nuvens” aparece pela primeira vez ao vivo,
não deixando dúvidas sobre a potencialidade
do grupo. Este “Acústico MTV” é
um trabalho em que “menos” foi “mais”.
Como é que se diz eu
te amo
“Como é que se diz eu te amo” (2001), álbum duplo, é o registro, na
íntegra, do último show da banda. Renato
estava visivelmente tenso e emocionado durante toda
a apresentação, chorando durante a música
“Giz”, errando a letra de “Índios”,
dizendo à platéia frases como “–
Me amem!”. Um grande show, realizado no Rio de
Janeiro, na casa que, na época, chamava-se Metropolitan.
As quatro estações
– ao vivo
“As
quatro estações – ao vivo” (2004) é o registro de um final de semana de
agosto de 1990, em São Paulo, onde eles tocaram
para um público de mais de 100.000 pessoas. A
execução da canção “Monte
castelo” é emocionante, assim como todo
o show. Cada palavra dita pelo cantor entre uma e outra
canção – e até durante –
era ouvida atenciosamente pelo público que correspondia
com gritos emocionados, como quem ouvisse não
simplesmente o vocalista de uma grande banda de
rock, mas o líder cultural de uma geração.
Em um grande momento da apresentação,
ovacionado pela platéia, Renato fala: “–
Eu queria saber o nome de todos vocês!”.
URBANA LEGIO OMNIA VINCIT.
Ou seja, “A Legião Urbana tudo vence!”.
Saudações legionárias!
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Sobre o autor: *LUCIANO FORTUNATO é músico e web-escritor.
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