Dinossauros
voadores
Que mundo aguarda a
volta do Led Zeppelin?
Idos de 1987. Lá
estava eu em casa, em minha interminável jornada
musical e (auto) sexual. Foi quando me chega um amigo
com uma misteriosa caixa preta de plástico, emprestada
de outro amigo. O conteúdo? Os cinco primeiros
discos do Led Zeppelin. Da banda eu
só conhecia até então –
além da capa do primeiro LP (aquela que tem um
Zepelim pegando fogo) – as canções
“Stairway to heaven”, “Rock’n’roll”,
“Whole lotta love”, “Kashmir”
e “All my love”, músicas gravadas
em períodos distintos. Mas, de todas estas, só
mesmo a primeira eu seria capaz de assobiar. As demais
apenas me eram meio “familiares”. Resumindo:
eu não conhecia o Led Zeppelin – a banda
que, em 1969, inventou o heavy metal.
A caixa foi por
mim recebida com grande curiosidade e respeito. Afinal,
o material físico era imponente. Quase místico.
E o material sonoro não me decepcionou –
fui seqüestrado por aquele som ao mesmo tempo caótico
e finamente estruturado. Não é fácil
explicar o som feito por aqueles caras. O que saiu dos
meus alto-falantes ficou pra sempre marcado em mim.
Naquela época eu havia assumido o vocal da banda Poluição Sonora, que vocês
não conhecem. Eu, um roqueiro que não
conhecia o rock.
Alguém disse
certa vez: “O homem fez a guitarra, e Deus fez Jimmy Page para tocá-la”.
Isso mostra o quanto a banda foi posta no status de
divindade. Exageros à parte – coisas do
mundo pop –, a verdade é que o “Zep”
(para os íntimos) foi mesmo o nome mais importante
da música mundial nos anos 70. Crítica
e público nem sempre estiveram ao lado da banda,
mas os números computados ao longo dos anos e
os fãs fiéis, e remanescentes até
hoje, 27 anos após o fim da banda, comprovam
a idéia dessa grandeza.
Agora tem o show
de novembro em Londres. E aí? É uma volta
definitiva? Pelo que sei, só há boatos.
Mas o show – que será definitivamente histórico
– vai contar com o esquecido John Paul
Jones e com Jason Bonhan,
filho de John Bonhan, o baterista morto
em 1980. Sua morte decretou o fim da banda. E eu não
tenho conhecimento de outro caso assim: uma banda acabar
pela falta do baterista. Respeito? Sim, respeito. E
está certo. Tem que respeitar. Bonhan imprimiu
sua marca no mundo do rock. Se não foi um baterista
tão técnico, tinha estilo próprio.
E isso é algo difícil de se identificar
em quem toca esse instrumento. Pois, pra quem não
sabe, sempre foi bem possível reconhecer uma
música inédita do Led Zeppelin pelo simples
som da bateria. Uma marca. Com seu filho na nova formação,
a volta da banda ganha respeitabilidade.
O que o mundo do
rock ganha com o possível retorno do Led Zeppelin?
E ainda: o que o mundo ganha com isso? É claro
que eu não sei responder a essas perguntas. Mas
tudo vai depender de como será esse show, assim
como de quais são os planos deles para um futuro
próximo. Vão voltar a criar juntos? Se
o fizerem, vão repetir a velha e boa fórmula?
De qualquer jeito, o mundo não é mais
o mesmo, e é claro que o Led também não.
E se esse (re) encontro atiçar a curiosidade
de novos ouvintes – sobretudo jovens –,
poderemos ver meninos ouvindo música junto a
seus pais, e, até mesmo, seus avós. E,
convenhamos: essa possibilidade é muito interessante.
Ave Jimmy Page! Ave Robert
Plant!
Para
início de conversa, o básico do velho
dirigível:
Led Zeppelin (1969). Álbum de estréia. Destaque para
“Comunication breakdown”, Dazed and confused”
e “Good times, bad times”.
Led Zeppelin
II (1969). Considerado por muitos o mais importante
álbum de rock pesado da história. Destaques: “Whole lotta love”
e “Moby Dick”.
Led Zeppelin
III (1971). Um trabalho bastante eclético
e experimentalista da banda. Um disco mais calmo que
os anteriores. Destaques: “Imigrant song”,
“Since I’ve loving you”, e a linda
balada “Thank you”.
Led Zeppelin
IV, ou “Symbols album”, ou “Runas
album” (1971). Destaque para a mais popular canção
do grupo, “Stairway to heaven”. E ainda:
“Black dog”, “Rock and roll”,
“The battle of evermore” e a, ultra-simples, balada “Going to California”.
Houses of
the holly (1973). O mais diversificado ritmicamente.
Destaques: “Dancing days”, “D’yer
maker”, “Rain song” e “No quarter”.
Physical
graffiti (1975). Álbum duplo e o preferido
de muitos críticos. Destaques: “Kashmir”,
“Custarde pie” e “In the light”.
In through
the out door (1979). Apesar de ser menos expressivo
que os demais, traz a irrepreensível “All
my love”.
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Sobre o autor: *LUCIANO FORTUNATO é músico e web-escritor.
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