Adultério
à americana
Show de Kate Winslet em filme
médio que merece ser visto
Foto: Reprodução
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Meu editor está
esperando até hoje um texto meu sobre um Dvd
nacional. Sei que a safra de nacionais nas locadoras
é muito boa, mas – não sei por que
motivo – só vem filme americano na minha
cabeça. Mas eu chego lá, e ele há
de ter paciência com este ser colonizado culturalmente.
O que posso dizer
sobre o filme Pecados Íntimos (Little Children) estrelado pela, cada vez melhor, atriz Kate Winslet, lançado há
pouco? Numa palavra, o filme é regular. Sabem
como é: umas três estrelinhas, no máximo,
ou o bonequinho do mais popular jornal carioca sentado,
assistindo sem aplaudir. Mas não seria melhor
eu usar este espaço só para fazer crônicas
sobre ótimos filmes? Não sei. Só
sei que Pecados Íntimos, apesar de um tanto novelesco,
não é desinteressante. O que tem nele?
Tem uma das melhores – se não a melhor
– atuação de Kate Winslet. Tem boas
soluções estéticas. Tem tórridas,
e ao mesmo tempo sutis e lindas, cenas de sexo. E tem
– aí vai o xis da questão –
o final mais desconcertantemente moralista do cinema
americano desde Atração Fatal,
de Adrian Line. O adultério, que é o tema
de Pecados..., é um dos temas preferidos do cinema,
como sabemos todos. Este assunto delicado e tão
presente na vida humana – e até animal
– foi magistralmente mostrado no recente Closer
– Perto Demais, baseado em peça
homônima de sucesso. Este sim um grande filme.
A trama de Pecados... é até verossímil.
Ainda que não empolgante, prende o expectador,
mas me parece grossamente arrematada – não
pela forma, mas pelo conteúdo.
A vida é
doce. E doce é o sexo. E doce é a aventura
da paixão. E sofrível é o conjunto
de desejos não realizados de cada indivíduo
desta nossa western civilization.
Os cinco personagens que estão no centro do roteiro
de Pecados Íntimos são, essencialmente,
pessoas excepcionalmente frustradas. Mas nada que fuja
do real – e disso não podemos reclamar
do filme. São eles: o marido, advogado desempregado
que não consegue ser aprovado no “exame
de ordem”; sua esposa, a executiva aparentemente
viciada em trabalho – e quase todo vício
é escape para uma frustração; o
outro marido bem sucedido profissionalmente, que se
masturba diante do computador, apesar de ter uma bela
esposa em casa (a qual só ele e ela própria
não conseguem achar maravilhosa, já que
estamos falando de Kate Winslet); a esposa em questão
agora, entediada com a confortável vida de dona
de casa e mãe relapsa, e com o pouco caso do
marido; e, por fim, o homem que é posto em liberdade,
após ter sido detido por atentado ao pudor –
um homem com sérios problemas psíquicos,
mas sem as características de um estuprador,
apesar do estereótipo que o estigmatiza perante
a sociedade local. Os cinco personagens mencionados
têm algo mais em comum além de serem pessoas
frustradas. Eles são um tanto inocentes. Um tanto
quanto infantis, ingênuos. Há crianças
no filme. Elas sempre aparecem. Mas é nos adultos
pueris (alguns naturalmente sonhadores) que está
o foco – daí o ótimo e adequado
título original Little Children.
Entretanto há algo incômodo na abordagem
dada: o moralismo do final da trama – no que Iza
Calbo disse que eu não devo jamais contar –
, onde casamentos extremamente infelizes são
mantidos (droga! contei o final). Há eventos
que levam a esse desfecho, mas isso se dá também
por conta dos filhos, como reza a tradição
ocidental-judaico-cristã. E aqui não estou
falando de casamentos mornos não – são
casamentos verdadeiramente infelizes aqueles ali. Até
um pastor protestante desaprovaria a manutenção
daqueles casamentos. Mas o roteirista (ou escritor –
não sei se o roteiro é original ou adaptado)
preferiu assim. Fazer o que?
Mas, calma. Isso
que fiz de falar sobre como tudo termina não
é como contar o final do filme Sexto
Sentido, ou de Os Outros.
Eu disse pouco sobre a trama, e o que eu contei não
vai comprometer sua apreciação.
Os psicólogos,
sobretudo sexólogos, podem gostar muito do filme
– gosto mesmo de indicar filmes pra psicólogos.
Este Pecados Ìntimos pode ser
um grande instrumento para estudo da sexualidade pós-moderna,
incluindo aí a instituição família.
E ver miss Winslet na telinha faz valer o aluguel do
Dvd. Isso eu garanto.
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Sobre o autor: *LUCIANO FORTUNATO é músico e web-escritor.
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