O
Gênio Cara-de-pau
Roger Waters fará chover
no molhado seu rock pra brasileiro ver
Foto: Divulgação
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Cenário musical
para depois do carnaval: o lançamento nacional
do Acústico MTV do
carioca Lobão e o mega-show do inglês Roger
Waters, na Praça da Apoteose. Sobre o primeiro
eu já falei um tanto – e é claro
que voltarei a falar quando o disco sair e eu, assim,
ouvi-lo. Aí vou dizer, ainda que não
faça a menor diferença, se o disco é
bom ou ruim. E sobre o segundo, o cantor inglês...
vou te contar um negócio...
Ora. Que o cara
foi foda não se tem dúvida. A pergunta
é se ele ainda é. Waters foi um
dos autores e o “mentor” de duas –
lá vai o jargão mala – “obras-primas”
da música, que são o maravilhoso álbum The Dark Side of the Moon e o não
menos maravilhoso The wall,
que depois virou um instigante filme de Alan Parker,
onde Waters foi roteirista e quase um co-diretor.
Um dia Mr. Waters resolveu abandonar o Pink Floyd.
A crítica internacional especializada foi com
ele na sua viagem solo. Mas só ela. Pois os amantes
do bom rock e da boa música em geral, continuaram
mesmo é ouvindo os discos do Pink Floyd.
É claro que há os Maria-vai-com-as-outras
mundo afora que renegam a banda depois da saída
do cara. Muitas vezes a pessoa nem entende inglês
e sai repetindo o que os críticos musicais metidos
a besta dizem, como: o Pink Floyd sem Roger Waters não
conseguiu mais escrever boas letras. Eu, que não
falo inglês, acho que o grupo fez coisa
interessante depois da saída dele, sim. E os
jovens do mundo inteiro assistiram a grandes espetáculos
proporcionados pelo grupo sem sentirem falta de ninguém.
Muito pelo contrário: os shows jamais decepcionaram,
parecendo completas sinfonias mágicas de som
e luz. E o seguinte é esse: 90% das pessoas
que vão à Apoteose, vão para ouvir
os clássicos do Floyd. Não fossem
os preços salgados (que saudade do Rock in Rio
a 35 reais) até eu iria – embora eu e a
maioria preferiríamos ir ver David Gilmour com
sua voz doce, grave, levemente rouca, e sua guitarra
alucinógena.
Agora... que
cara de pau do Roger. A primeira parte do show
vai ser de sucessos e a segunda uma apresentação
– na íntegra – do álbum The Dark Side of the Moon.
Caramba! Exatamente como fez o Pink Floyd em Pulse.
Os antigos amigos de banda devem estar achando isso
muito engraçado.
A tempo. Ouço
com muito prazer In the Fresh – Cd duplo ao vivo de Roger Waters, com as grandes
canções da banda mais influente do rock
progressivo, que ele ajudou a popularizar, compondo,
muitas vezes (sejamos justos) sozinho, coisas sofisticadíssimas
e de grosso calibre.
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Sobre o autor: *LUCIANO FORTUNATO é músico e web-escritor.
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