A TROCA DE VALORES (parte 8)
O menor e o sexo - Romance: coisa do passado?
- Mães menores e seus reflexos depois
Meninos de rua - Pedofilia
A mudança de costumes, a liberação do sexo - que há algum tempo era tabu para muitos -, a sua liberdade geral, a inclusão do mesmo nas matérias escolares com seu desenvolvimento e aproveitamento.
Dir-se-ia que, no mundo moderno em que vivemos e que queremos mesmo modernizar, o assunto sexo, que há alguns anos atrás ainda era de difícil assédio, seja entre pais e filhos, professores e alunos e até entre amigos, hoje está totalmente liberado.
Só que essa liberação, essa facilidade de se abordar o assunto, é também na prática, o maior pecado já exposto a milhões de crianças e adolescentes em nosso país e em muitos outros pela face da Terra.
Ao deixar de ser tabu, e incorporado ao prato do dia, o sexo deixou de ser um atributo sério entre casais para ser mais um componente de diversão de meninos e meninas até à adolescência. Senão, vejamos: Antigamente, as garotas de seus quinze anos ainda não tinham prática da vida amorosa.
A partir daí é que se começavam os flertes, os piscarem de olhos, os bilhetinhos, os olhares marotos e a paixão contida dentro do peito. Simplesmente era assim.
Depois, vinham os primeiros contatos verbais, trocas e juras de amor - namorar, só na presença dos pais e dentro de casa ou, quando muito, no portão. Sempre sobre a vigilância dos pais - Se se ia a um cinema, levava-se alguém ao lado, geralmente um irmão ou irmã. Colega, só se fosse de muita confiança.
E simplesmente era assim. Depois vinha o período de noivado e com o tempo o casamento.
Muitas noivas casavam virgens! Sim, é verdade! Se disserem isso hoje para algum adolescente, é capaz dele dar uma gargalhada...
(Quando se fala e se mostra como era o sexo antes, é porque a diferença de lá para cá influiu e muito na mudança do comportamento individual em várias classes de nossa sociedade.).
A jovem casava virgem e era para ela um orgulho. Entrar na igreja de véu e grinalda representava para ela a conquista de uma meta tão esperada em sua adolescência e que, às vezes, deixava muitas amigas e colegas cheias de inveja e esperança. Havia - como ainda há depois do casório - o jogo do ramalhete de flores, geralmente jogado pela noiva. E no meio de tantas jovens a disputá-lo, estava aquela que ao pegar o buquê, se candidatava ao próximo casamento, como um compromisso fixado pela esperança de realizá-lo futuramente. Era simplesmente gostoso de ver aquela disputa.
Os noivos tinham sua lua-de-mel. Era de praxe. E aí, o sexo era conhecido de fato e, às vezes, até pelos dois. Sim! É verdade... Muitos homens casaram “virgens”.
Geralmente viajavam, iam para sítios de parentes, casas de praia, ou ainda os mais “poderosos”, viajavam para o exterior.
Coisas de saudade... O fato é que era assim mesmo.
Havia romance... O romantismo existia naquela época e mais atrás ainda.
Nossos pais nos contam como era.
Havia respeito, amor e paixão.
Um homem apaixonado fazia até seresta na janela de sua amada. O fato é que o amor estava lá. Sexo era conseqüência.
Com o passar dos tempos e as dificuldades presentes, as coisas se modificaram muito neste contexto, com a igualdade de condição que a mulher adquiriu através desse meio tempo, e a implantação da democracia.
Daí, a liberdade foi confundida com a promiscuidade.
Os menores adolescentes passaram a tomar rédeas da situação e em nome de um “mundo careta” em que eles não faziam e nem fazem parte, passaram há ver o sexo com outros olhos, banalizando o ato como um brinquedo qualquer. E aí é que veio e vêm as conseqüências: Uma menina de treze anos que engravida, geralmente de um garoto menor de dezoito anos e até às vezes quase da mesma idade. Às vezes também, de classe baixa. Pobres, paupérrimos, sem condição nenhuma de criar filhos, ou seja, sem dinheiro, emprego, preparo psicológico ou preparo físico.
Esse filho, normalmente, fica sob responsabilidade da mãe, já que o garoto não assume e não tem condições. Aí, “sobra” para os avós que cobrem as despesas com o neto - isso quando podem -, ajudam a criá-lo. Quando essa mãe, com ou sem o apoio dos pais, são obrigadas a criar o filho, perdem a juventude, deixam de sair, se divertir, namorar, passear e tudo mais que uma adolescente gostaria de fazer nessa fase.
Quando completam seus vinte, vinte e cinco ou trinta anos, suas cabeças estarão “viradas”... de mal com a vida. A tudo culpam. Tratam os filhos com maldade, culpando-os, castigando-os, batendo... e assim por diante. É a revolta.
O fato é que esta mulher não gozou da sua juventude, não teve uma infância e adolescência normal. Esteve a cuidar do filho... - pode até ter namorado, casado, ou saído para a “paquera”, mas tudo isso não foi com a liberdade que qualquer uma gostaria que fosse e, nem sempre, formam um lar.
E quantas meninas e meninos estão nessa situação hoje em dia... E tudo por causa de uma coisa que deveria ser encarada com muita seriedade, e, no entanto, é levada na brincadeira, sem pensarem nas conseqüências.
É, mas hoje há tantas escolas com aulas de sexo para aconselhar os menores nesse campo, diria alguém...
É de fato. Porém, mesmo em escolas e, por mais que seja exposto o sexo aos alunos com o máximo de seriedade e vontade de ensinar, nem tudo é assimilado por todos, quando muito por alguns, e às vezes, de forma errada.
Até as campanhas para uso de camisinhas, visando o cuidado de uma gravidez indesejada; a proteção contra as doenças - como a AIDS -, não são levadas muito a sério. Ninguém, nem mesmo os adultos, gostam de usar camisinha.
Quando acontece, há sempre aquela desculpa: ah... aconteceu...
Pais modernos, filhos super modernos.
E o sexo tomou cara de liberação total.
Se não abrirmos os olhos, as coisas vão piorar...
Exemplo? Os meninos de rua.
Muitos são frutos desse amor inadequado. Onde mães abandonam filhos nas ruas por não poder criá-los. Deixam-nos em orfanatos, com parentes afastados, até com estranhos.
Muitos desses meninos e meninas são explorados, ajudando em trabalhos forçados, seja nos campos, roças ou nas cidades. Existem por todo país. Às vezes são até explorados sexualmente por seus responsáveis que os usam ou os vendem ao comércio de tráfico infantil. Vê-se muito disso por aí. É só ler jornais ou olhar os noticiários de televisão.
Nos centros urbanos, nos parques e jardins, praças e debaixo de marquises de edifícios, o que mais se ver é crianças perambulando pra lá e pra cá. - São vagabundos?... Sim, diria que sim... São culpados?... Sim, diria que sim.
Culpados de quê?... De pertencerem a uma sociedade falida, onde seus governantes não cuidam de suas crianças... Aí, algum deputado, senador, governador, prefeito, etc., diria: mas a culpa é dos pais que não lhes deram educação, não cuidaram deles como deviam...
Será que esses pais foram cuidados como deviam pela sociedade? Será que tiveram seus empregos garantidos para poderem criar seus filhos? Será que a sociedade educou bem esses pais através de educação escolar, apoio financeiro - empregos, e cuidados médicos - e hospitais?...
- O reflexo da sociedade é o reflexo de seu povo.
Portanto, não podemos culpar os menores de rua por serem como são. Nem aos seus pais...
Enquanto a sociedade, através de seus comandantes não tomarem pulso da situação, as coisas só irão piorar.
E colocar essas crianças e adolescentes em instituições existentes por aí, do jeito que são, nem pensar. Só se mudar conceitos e leis dessas instituições.
E o futuro? Que futuro poderão ter essas crianças e adolescentes, se o que sabem é cheirar cola, roubar, dormir ao relento, ser descriminados, expurgados da sociedade?
Como essas crianças podem estudar, brincar, se alimentar, viver e crescer normalmente, se não têm amparo, não têm apoio, o mínimo de amor, segurança, alegria, família e, acima de tudo, não têm esperança? Se quando chega o Natal tão festivo e comemorado fraternalmente por todos e, eles, não podem nem chegar à frente de uma vitrine, onde está exposto o sonho de muita criança nessa época: um presente de Papai Noel? Só lágrimas e desilusão cabem em suas pequenas almas...
Fala-se e se vê muito por aí: a questão do pedófilo.
A pedofilia é um conceito onde maiores se aproveitam sexualmente de menores, induzindo-os. Sejam homens ou mulheres, sejam com meninos ou meninas. O fator condenável é o fato de usarem menores para esse fim: o abuso sexual.
Nada mais condenável do que esse ato de barbaridade.
A palavra pedofilia só há pouco tempo consta no dicionário da língua portuguesa.
Pedófilo há tempos atrás, tinha um significado no dicionário: adj. (em grego era paidóphilos) que queria dizer amigo das crianças.
Hoje tem outro significado: adulto que abusa sexualmente de menores.
Não que abusar de crianças seja um crime novo, sempre existiu.
Pessoas desse tipo eram consideradas taradas, aproveitadores, criminosos sexuais e outras alcunhas.
Lê-se e vê-se constantemente nos jornais e canais de televisão das cidades mais famosas de nosso país, estes fatos lamentáveis. Inclusive, abuso sexual de pais com seus filhos e filhas menores, o que é ainda pior.
Essas coisas precisam acabar. Esse crime tem que ter uma punição severa.
Não adianta as autoridades condenarem o ato. É preciso também punir o infrator e rigorosamente.
Não se deve considerar infração essa aberração só aos maiores. Os menores devem ser punidos também com rigor por atos de abuso sexual.
Quantos casos de estupros e abusos sexuais estão atribuídos a menores infratores?
Aí, alguém medíocre diria: “Ah... mas como se vai punir um menor que transa com uma menor, se ela quis e se isso hoje em dia é tão banal, toda menina de doze ou treze anos (às vezes até menos) tem namoradinho e já começa a vida sexual com liberdade para fazer o que quiser...”.
Aí, também, alguém de bom senso, responderia. “É que uma criança de onze, doze ou treze, ou até mesmo quinze anos, em suma! menor de dezoito anos, não tem conhecimento profundo, não tem preparo e nem condições de assumir um ato que possa lhe dar a responsabilidade de criar um filho, caso esse venha a nascer.
O que se quer dizer é: se para tantas coisas se exige a maior idade; se para o menor infrator não há condenação rígida - no caso de crimes hediondos, assaltos à mão armada, estupros, assassinato e outros crimes bárbaros.
Como se sabe, o estatuto do menor o defende contra condenação à cadeia. O menor infrator simplesmente é recolhido às instituições de recuperação (Exemplo: FEBEM). Quando saem aos dezoito anos, estão livres para continuar sua horda de crimes, se não são preparados para o bem.
Assim, seria óbvio que todo menor de dezoito anos também não tivesse privilégio no abuso sexual, seja macho ou fêmea. Ou seja, estes estatutos devem mudar. Deve-se punir rigorosamente o menor que abusa sexualmente de outro menor, seja menino ou menina. O crime é igual ao de pedofilia, a diferença é a idade de cada um e a punição”.
Exemplo?... Se um maior comete um crime de pedofilia é condenado à cadeia. Se um menor estupra uma menor, é considerado coisa de menores, coisa de namorados e fica por isso mesmo e ele não é nem forçado a casar.
Até se uma menina disser que foi forçada e seus pais abrirem um processo e provar o estupro, o menor pode até ser absorvido ou, no muito, ir para uma casa de recuperação e sair aos dezoito anos.
Precisa-se mudar e muito. O governo tem que rever as leis contra o menor infrator. É preciso que se saiba também punir.
A punição severa e lúcida é necessário, porque só punindo é que se pode coibir esses tipos de infração que os menores possam praticar. Só assim pode-se prevenir que o mal aconteça, pois o menor irá pensar duas ou mais vezes antes de cometer o crime. Pensará na pena que pode receber e isto, sem dúvida, o levará a não errar, diminuindo assim, a possibilidade desses crimes. Tem que haver o medo e o respeito à punição.
A impunidade funciona exatamente ao contrário. Encoraja o infrator a continuar cometendo os crimes, pois sabem que não serão punidos, não severamente.
E nisso tudo, como vimos acima, ainda há a incapacidade de mães menores em criar filhos oriundos de uma transa “inocente” e sem compromisso: simples namoradinhos...
Ora, uma criança de doze ou treze anos (de família pobre especialmente) e que dá a luz a um filho, não pode estar preparada para a maternidade. Primeiro, seu corpo não tem ainda uma formação completa - embora em alguns casos, sim. - Não tem o preparo intelectual para cuidar e educar esse filho e, geralmente, sobra para os avôs maternos, embora alguns não aceitem o compromisso de cuidar do neto e deixa esse encargo para a mãe - conheço uma senhora que dizia: “Prendam suas cabras que meu bode está solto.” -. Aí, é uma criança cuidando de outra menor.
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*Continua
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