A TROCA DE VALORES (parte 3)
O Brasil há quarenta, cinqüenta anos atrás - As diferenças de opiniões e o acesso ao trabalho naquela época - A mudança da violência, na ditadura e depois dela - Os meninos de hoje são os homens de amanhã.
Há muito tempo, cerca de cinqüenta anos atrás, a vida era mais tranqüila e segura. As pessoas podiam andar na rua sem temor, sem medo de ser assaltadas ou atingidas de uma forma qualquer.
A confiança era sempre total e a segurança, embora não houvesse tanto policiamento nas ruas, era maior. Podia-se andar altas horas da noite, só ou acompanhado, sem grandes riscos. É claro que aconteciam crimes, assaltos e outros delitos, mas em escala muito menor.
Em noite de São João, ou melhor, nos meses que havia festas juninas, se brincavam de quadrilha, festas caipiras ou do folclore nacional.
Onde existiam arraiais, nessas noites, pais saíam com seus filhos e os acompanhavam em concursos de dança, nos diversos bairros das diversas cidades deste país. Voltavam altas horas da madrugada para suas casas sem muito perigo.
Em qualquer outra época festiva do ano, carnaval, Natal e outras, o perigo de andar nas ruas não era tão eminente.
As pessoas se conheciam melhor, se tratavam melhor, se respeitavam. Havia brigas de rua como até hoje, só que havia o respeito e a honra numa briga. Podia-se “sair no tapa” sem que para isso houvesse extremos. Ninguém pegava na arma para matar - claro que havia casos de mortes, mas com muita raridade.
Olhava-se o próximo com confiança. Olhava-se as pessoas nos olhos e havia sempre o respeito mútuo.
As opiniões individuais ou coletivas eram respeitadas. Todos tinham direito de ir e vir. As noites eram mais movimentadas. Até os jogos de futebol eram mais assediadas pelas torcidas no meio da semana. Não havia a violência que há hoje. Todos se respeitavam e torciam pelo seu time, vibrantes e eloqüentes. Haviam as torcidas organizadas, mas, era outra coisa, outra mente.
Havia a questão dos trabalhadores. O percentual de desempregados era muito menor. O trabalho braçal era mais usado na indústria e comércio. O desenvolvimento social era maior porque também o número da população era menor. Com o passar dos anos isso se modificou muito. Com o crescimento da população, o desenvolvimento econômico, as implantações de recursos mecânicos e eletrônicos como a informática com seus computadores, levando as fábricas a demitir em massa seus funcionários. Isso sem se falar que cinqüenta por cento ou mais de cargos e posições em empresas foram aos poucos preenchidos por mulheres que procuraram seu espaço, sua igualdade e suas liberdades econômicas.
O desemprego geral proporcionou através do tempo um aumento de violência nas famílias pobres e carentes que já viviam em aperto, economicamente.
Com o aumento populacional do país nessas últimas décadas, está cada dia mais difícil se arranjar uma vaga em qualquer que seja o ramo de trabalho. E com a introdução da informática nesse campo, então nem se fala.
É contundente e normal o que se vê nos dias de hoje: filas enormes de desempregados à frente de uma indústria ou fábrica. Chega, às vezes, a dar voltas nos quarteirões. Algumas com mais de mil pessoas disputando quarenta, dez e até duas vagas oferecidas.
Essas vagas, que oferecidas a mecânicos, por exemplo, são disputadas por muitos universitários que no desespero e necessidade de trabalhar deixam seus diplomas de lados e buscam qualquer alternativa de ganho, por menor que sejam.
Óbvio, essas vagas, geralmente são preenchidas pelos melhores currículos. Nisso quem ganha é o empregador que pode preencher suas necessidades com sobra, e geralmente dando um salário baixo, não condizente com o QI do selecionado. Infelizmente é assim.
Mesmo na época da ditadura, quando o país ficou restrito ao comando militar e muita gente de bem foi exilada, entre eles, políticos, músicos e estudantes, ainda havia mais empregos nos devidos campos de trabalho. Com o desenrolar dessa fase, é que começou o crescimento da inflação e o crédito do país lá fora ficou mal visto, desencadeando um turbilhão de mudanças na vida social do país. Isso sem falar das novas leis impostas por essa ditadura, levando o povo a calar a boca. A liberdade de expressão e a Imprensa, de uma forma geral, ficaram restritas.
A violência já existia, mas estava restrito a causas banais como pequenos furtos, assaltos à mão armada, algumas pequenas “quadrilhas de bandidos”, disputas de controle de pontos de droga e outras coisas. Os seqüestros, estupros e outros crimes hediondos não eram freqüentes. Um caso ou outro.
Só depois que o governo voltou para as mãos dos políticos e a democracia foi de novo instituída é que as coisas pioraram (Não se quer dizer com isso que a ditadura era melhor).
Outra coisa que aconteceu nas décadas pós-ditadura, foi a realização de uma, digamos, profecia de um homem público e querido da nação: Pelé. Tempos atrás ele advertiu as autoridades do país, para que cuidassem das nossas crianças, futuro da nação. Pediu que olhassem mais para a educação e o bem estar destas crianças, pois elas seriam o Brasil do amanhã (hoje).
O que se ver hoje são meninos, rapazes, homens e meninas, moças e mulheres, na maioria, sem desenvolvimento intelectual, sem estudo, sem emprego, sem esperança... Muitas destas pessoas estão ao lado do crime...
Há no meio da sociedade pessoas que agem por maldade. A violência adquirida por essas pessoas através do tempo às faz frias, metálicas, enigmáticas... A loucura é também um valor constante, até absoluto em algumas pessoas. Estas não estão livres de ser violentas. Suas mentes estão deterioradas ou consumidas por uma determinação constante de irrealidade. Suas ações são formadas por um pensamento irracional, as levando, às vezes, ao desespero e frustração. E seu intelecto não é formado por coisas naturais e abrangentes. Os seus valores são para eles irreconhecíveis.
Só mesmo um psiquiatra para explicar.
Com insistência, voltemos aos nossos meninos de hoje homens de amanhã:
É através destes meninos, que estarão no futuro governo de nosso país, que podemos restaurar nossa paz e sossego de vida. São nossos filhos e nossos netos que estarão no confronto entre si futuramente. É triste dizer isso, mas é a verdade. Se não abrirmos os olhos para o futuro deles poderemos ter esse confronto entre homens de bem contra homens do mal que serão formados por eles. Não podemos dizer em que lado eles estarão. O que podemos afirmar é que devemos e teremos que lutar por isso, para que sigam o caminho do bem. Basta orientá-los afincadamente, verozmente, incansavelmente. Sem nos descuidarmos um segundo sequer para não os ver no outro lado.
Vemos diariamente no noticiário das TVs, rádios e jornais, notícias horrendas sobre menores do crime. Crianças que nem chegaram aos quinze anos já tendo mortes e assaltos em suas costas, muitas delas já exercitando o controle do tráfico de entorpecentes, sendo até chefes de gangs do roubo e seqüestro. E quando presas são levadas para instituições de recuperação ao menor. Instituições essas, que não têm a competência nem o preparo para recuperar ninguém, e, quase sempre, o menor sai pior do que quando entrou. Outros se envolvem lá dentro com outros piores que eles próprios e saem comprometidos ou devendo a alguém e nem sempre vivem muito fora de lá. São mortos por “queima de arquivo”. E dificilmente um menor volta a estudar ou arranja emprego, por mais banal que seja. As portas estão quase sempre fechadas para o pequeno infrator. Geralmente eles voltam para o crime, e às vezes até mais perigosos do que eram. O “Sistema de Recuperação ao Menor” está falido há muito tempo. Só os cegos não querem ver. Têm-se que mudar muita coisa. A começar pela própria educação, tanto nas escolas como em casa. E com muita vigilância.
Ou o amanhã será incerto para muitos de nossos filhos e netos. A nação estará cada vez mais afundada em sua estrutura educacional. É preciso que isso seja evitado. Cabe ao país decidir.
A violência não é privilégio nosso. Ela está instaurada em todas as nações do mundo.
Dos países mais ricos aos mais pobres. Dos mais religiosos aos mais descrentes.
Basta ver os países judeus, árabes e muçulmanos. Lá se mata até em nome do altíssimo. A chamada guerra santa já tirou a vida de muita gente. E tudo por disputa religiosa. É a guerra da santa ignorância, isso sim. E isso já vem desde a época de Moisés. Falaremos adiante...
O mundo fanático e explorador da religião em toda Terra está com suas raízes cada vez mais fincada em nossa vida diária. Tira-se de um pobre pai de família, por sua santa fé, parte das migalhas que consegue com seu pequeno salário, que nem dá para sustentar mulher e filhos.
Desde muito tempo se houve falar da exploração de fé e fraqueza humana, de muitos fracos de cabeça e ricos em esperança de dias melhores, que se apegam à religião com unhas e dentes no anseio de melhoria para suas vidas. Onde estão os espertalhões e falsos doutrinadores do evangelho à espera dos que caiam em suas malhas e os explorem. Tudo em nome da fé.
Planta-se a esperança com a palavra de Deus. O nome Jesus é profanado dia a dia, mês a mês, ano a ano... Tudo em nome da salvação.
Vende-se a salvação nas igrejas, templos e casas de bênção, tudo em nome de Jesus. E no fundo está a exploração ao próximo, sem o menor respeito, sem a menor consideração. Se não pagar o dízimo não pode ter fé nem ser membro da comunidade religiosa daquela ou essa igreja ou culto.
Em quase cada rua, de cada bairro, em cada cidade, existe uma igreja, seja católica, presbiteriana, batista, evangélica etc.
Muitos cinemas, teatros, casas de show e outras, aos poucos vão se transformando em salão paroquial, em salão de orações e outras tantas funções religiosas. E nos bancos há sempre a conta bancária.
Não é que a religião num todo, não sirva a um propósito para o bem. Só que sempre, no meio dos bons, estão os maus religiosos - que são muitos - e tiram proveito próprio da situação.
Há pregadores por aí, donos de inigualáveis fortunas, tudo em nome de Jesus...
É a troca de valores.
Voltaremos ao assunto mais à frente...
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*Continua
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