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*Clique AQUI para acessar o arquivo de crônicas // Este autor escreve às terças-feiras

» NITERÓI, 5 de agosto DE 2008

PARA OS QUE SE AMAM

Para os que se amam:

são mais suaves as curvas dos arroios e mais melodiosa a música do seu cantar;

enchem-se de perfume todas as manhãs, de flores as tardes e de estrelas cintilantes as noites;

há sempre o verde da esperança, o róseo das promessas do futuro, o azul do céu dos prazeres, o vermelho profundo das paixões;

o tempo não existe ou, se existe, escoa-se in-fi-ni-ta-men-te devagar, compondo a eterna sinfonia das horas do amor;

é mais gostoso o tempo de frio e chuva, que rege os carinhos e os aconchegos;

mentiras podem ser verdades, promessas podem ser certezas e realidades podem existir apenas nos sonhos;

vale mais viver que morrer, sentir que pensar, desejar que ter, ir do que chegar;

não há limites senão os escolhidos em cumplicidade, nem fronteiras que não as da terra imaginária conquistada a dois;

há que se sorver, precisa-se fluir, necessita-se plenamente sentir;

a festa é permanente, constante o dançar e eterno o verdadeiro querer;

se escreve, a todo momento, o roteiro maravilhoso e inacabado do viver;

existem, sempre, olhares de compaixão, visões de beleza e miragens de cenários encantados;

mantêm-se aquecidas as lareiras, frias as águas que refrescam, cálidas as brisas do verão e gelidamente excitantes os ventos do inverno;

florescem, sempre, os jardins, os campos e as flores que só nascem nos corações para formar os buquês cujo destino é presentear os amantes;

fica fácil encontrar gotículas de orvalho sobre folhas, terra deliciosamente úmida para pisar, borboletas esvoaçantes contra o fundo claro das manhãs e vagalumes acesos como jóias brilhantes no estojo de veludo negro da noite;

sabores são muito mais sentidos, ressaltando o salgado, o doce, o amargo, o picante, o suave, transformando a existência num banquete de paladar dionisíaco;

as dores se suavizam, nos corpos anestesiados pelo bálsamo da paixão;

nada custa tanto que não possa ser presenteado, nada está tão longe que não possa ser buscado, nada é tão seu que não possa ser doado;

amar é tudo: o norte da caminhada, o alvo das buscas, o começo do que se tenta e o alcance do que se deseja.

Para os que se amam, enfim, cada batida do coração – acelerada na paixão, mais suave no amor prolongado, quase extinta no amor-saudade – é a própria vida, completa, intensa, maravilhosa, traduzida em sentimento.

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    J. Carino é professor universitário aposentado, consultor e escritor, sendo autor de “Olhando a Cidade & Outros Olhares” (UniverCidade Editora, 2004), livro de crônicas sobre os bairros do Rio de Janeiro, com apresentação de Ruy Castro. Para conhecer mais sobre o autor visite a sua página www.jcarino.com.br


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