» crÔnicas ANTERIORES |

05|08|08 | Para os Que se Amam

29|07|08 | Sejamos Gentis Com As Coisas

22|07|08 | Óculos

15|07|08 | Sob a Luz do Poste

08|07|08 | O Relógio de Pêndulo

01|07|08 | Prometo Que...

24|06|08 | A Cidade e Seus Espelhos

17|06|08 | A Nova Cara da Solidão

10|06|08 | O Capinzal

03|06|08 | Na Vitrine da Vida

27|05|08 | A Ponte

20|05|08 | Eu, Seresteiro

13|05|08 | Andando de Moto

07|05|08 | No Trânsito

29|04|08 | Aquele Bolo Fubá

22|04|08 | Sobrevivem os Chapéus

15|04|08 | Um Gato na Chuva

08|04|08 | Um Doce Pesadelo

01|04|08 | Quem Viu a Cortesia Passar?

25|03|08 | Em Defesa do Andar

18|03|08 | Cordas da Esperança

11|03|08 | Que Cheirinho de Café

04|03|08 | Parabéns, Cidade Maravilhosa!

26|02|08 | Em Busca da Tarde Suburbana

19|02|08 | Uma Boa Gargalhada

12|02|08 | Lustres

05|02|08 | Quarta-Feira de Cinza

29|01|08 | Benefício do Apagão

22|01|08 | As Rezadeiras

15|01|08 | O Mata-Mosquitos

08|01|08 | PEQUENOS GRANDES MISTÉRIOS

05|01|08 | Estrelas da Terra


Crônicas do ano 2007
»

Crônicas do ano 2006 »

Outros textos deste autor:
Contos | Poesias |


 
» este autor escrevE ÀS terÇAS-FEIRAS


carino10@yahoo.com

» NITERÓI, 11 DE MARÇO DE 2008

QUE CHEIRINHO DE CAFÉ!

Ah, o cheirinho do café! Poucos odores se igualam a esse, e talvez nenhum o supere. Quando aquele pó marrom escuro se encontra com a água fervendo, uma simbiose única, original, inigualável acontece. O translúcido do líquido vai contaminando com umidade a opacidade escura do que resultou da moagem dos grãos; a água vai se insinuando entre as minúsculas partículas do pó. E um milagre acontece.

Milagre sim. A começar pelo cheirinho, que embora referido, assim, no diminutivo ditado pelo carinho, na verdade é grande e poderoso, a ponto de invadir narinas a muitos metros de distância. Um ambiente em que se passa um bom café parece ficar para sempre impregnado. Qualquer cozinha moderna, com a brancura asséptica dos ladrilhos, parece converter-se numa antiga e enfumaçada cozinha de fazenda, em que o coador fumegante, sobre a chapa de um fogão de lenha, torna-se o rei dos cheiros, pelo menos enquanto dura a milagrosa transformação de água e pó em café.

Miraculoso é o poder do cheiro de café para atrair os paladares – até em lugares improváveis, como o centro da cidade durante a correria do dia-a-dia. É quase impossível a gente passar por perto de um bar ou de uma cafeteria sem que nossas papilas gustativas se juntem às nossas narinas num complô para nos levar a entrar e tomar um café.

E não importa a hora em que isso aconteça: de manhã, de tarde, de noite, de madrugada, é o mesmo o poder do odor de café.

Nos tempos de antanho, esse cheiro se propagava, e muito dele se perdia. Com a sofisticação dos tempos modernos, as embalagens à vácuo vieram contribuir decisivamente para que o delicioso odor do café seja preservado ao máximo.

Quando a gente abre a embalagem em que o café fica aprisionado, um demônio sedutor transformado em odores se liberta. E aquele cheiro delicioso não leva sua delícia apenas a nossas narinas; o cheiro se propaga, se eleva, impregna tudo, viaja longe e permanece perfumando o ambiente por um bom tempo.

Acordar cedo é, talvez para a imensa maioria, uma tortura. Deixar o aconchego da cama, obrigado pelo chamado do dever - trabalho, estudo,  não importa – é duro. Mas, quando a gente se aproxima da mesa do café da manhã, o cheiro do café parece nos fazer despertar para a vida. É como um passaporte que permite o ingresso no mundo real de quem vem do mundo dos sonhos. Esse odor inconfundível torna-se uma mensagem cifrada comunicada ao nosso cérebro através de nosso nariz: Vamos lá! Começou o dia.

E depois que saímos o cheiro de café parece nos acompanhar. No escritório da empresa, no refeitório da fábrica, na agência do banco, na lanchonete da escola ou faculdade, lá está o odor, recebendo-nos em seus braços  de fumaça enovelada, que sobe quando o café está sendo preparado.

Duas coisas interessantes. A primeira é que muita gente gosta até mais do cheiro do café que do próprio café.

A outra coisa interessante: gente à beça não gosta de café, mas gosta... do cheiro de café.

É como se o café, ciente do seu poder de sedução, se contentasse em prender alguns, mesmo sem usar todo o seu feitiço, mas apenas o odorífico.

Quem pode entender coisas assim?

Mas eu falei acima em milagre. Milagres não são para ser entendidos; são milagres, pronto; creiamos neles ou não, beneficiem-nos ou não.

Vamos então aproveitar para preparar ou simplesmente tomar um café. E cuidemos de cheirá-lo gostosamente!

...........................................................................................................................................................
J. Carino é professor universitário aposentado, consultor e escritor, sendo autor de “Olhando a Cidade & Outros Olhares” (UniverCidade Editora, 2004), livro de crônicas sobre os bairros do Rio de Janeiro, com apresentação de Ruy Castro. Para conhecer mais sobre o autor visite a sua página www.jcarino.com.br

Voltar | Capa


   
Crônicas Cariocas® - 2006 / 2008
Matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores
» Outros Canais | 2 Dedos de Prosa | Artes das Ruas | Caderno de Cultura | 1º Concurso Crônicas Cariocas 2008 | Cultura: agenda | Cultura: artes plásticas | Cultura: eventos | Cultura: meu clássico favorito | Cultura: show | Cultura: teatro | Cinema | Cinema Falado | Cinemão | Cinematógrafo | Mise en Scène | Respirando Cinema | TelaGrande | Festival do Rio 2007 | Contos | Contos de Terror! | Convidado Especial | Copa 2014 | Cristo Redentor | CrônicasTur | Dicas de Português | Editorial | Entrevistas | Esportes & Saúde | Exclusivo | HQ's | Infantil | Infantil: english | Literatura | Meu Bairro | Música | Música & Voz - Tatiane Vidal | Oise | O Que Estou Lendo | O Rio em P&B | Pan2007 | Poesias | Reportagens | RsRsRs | Crônicas Sociais |