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*Iza Calbo edita o blogue: http://www.izacalbo.blogspot.com/

» SALVADOR, BA, 12 DE SETEMBRO DE 2008

A nadadora Verônica mostra nas Paraolimpíadas que garra vai além das deficiências

"Existem homens que lutam um dia e são bons; existem outros que lutam um ano e são melhores; existem aqueles que lutam muitos anos e são muito bons. Porém, existem os que lutam toda a vida. Estes são os imprescindíveis" (Bertolt Brechet).

Fotomontagem: Iza Calbo


Onze ouro, oito prata e 12 bronze. Este foi o saldo de medalhas do Brasil nas Olimpíadas de Pequim. Total: 31. Vigéssima terceira posição no ranking. No sábado (13/09) a baiana Verônica Almeida, 33, portadora de síndrome degenerativa com perspectiva de viver mais seis anos, ganhou o primeiro bronze na natação em Paraolimpíadas. As competições foram  iniciadas dia 6 e que prosseguem até dia 17. O Brasil contabiliza até o momento tem 11 ouro, oito prata e 12 bronze, com 31 medalhas. Estava em décimo lugar na classificação geral.

Os jogos paraolímpicos tiveram início em 1960. São provas de pura emoção, pois mostram a superação de pessoas portadoras de necessidades especiais. Infelizmente, na TV, não têm quase nenhum destaque. Exceto quando um brasileiro leva uma medalha. E, pelo andar da carruagem, nossos atletas com deficiências diversas têm mais capacidade de vencer do que aqueles que enxergam, escutam, andam... E, bom lembrar, ganham milhões para muitas vezes não mostrar nenhum brilhantismo. Caso da seleção de futebol masculina. O grande vexame das Olimpíadas de Pequim.

Neste sábado, os moradores da Saúde, bairro onde ela e seus familiares moram, acordaram 5 da manhã para torcer por Verônica, uma moça cheia de garra e vida. Agora, ela vai tentar um tratamento alternativo em Paris, na França, buscando ir além dos seis anos anunciados pelos médicos. Numa cadeira de rodas, a nadadora agradeceu pela vitória que, para ela, representa uma espécie de sinal. Um sinal no sentido de que sua vida será um pouco mais longa.

Mas a exibição dos jogos paraolímpicos, ao menos no Brasil, não rendem lucro às TVs brasileiras. Quem vai anunciar num jogo de basquete com pessoas cadeirantes? Ou numa competição onde pessoas correm para chegar à reta final sem ter olhos para ver? Pelo visto, falta aos empresariado esta sensibilidade. Os telespectadores foram massacrados pelas Olimpíadas dos “normais” e são privadas de ver um espetáculo no sentido mais abrangente desta palavra.

O bronze de Verônica abriu a manhã de sábado numa Salvador meio fria, mas com frestas de sol anunciando dias mais quentes. Abriu os sentidos de quem acha a vida algo desprezível e sem razão de ser. Ora, se aquela moça, ex- personal, bonita, jovem, mas marcada para morrer, é capaz de se jogar na piscina e conseguir superar tudo isso, porque nós não podemos nos jogar na vida e vencer as adversidades?

Verônica é um exemplo.
É a possibilidade em tempo real.
A dificuldade atropelada pela velocidade de quem não pode andar.
Enfim, a cara verdadeira de uma competição.
Sem uso de substâncias proibidas.
Sem trapaças.
Sem fazer corpo mole como os nossos jogadores da seleção.
Parabéns Verônica por representar o Brasil dos desamparados.
O Brasil das deficiências.


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    *IZA CALBO é jornalista (aposentada) e escritora


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