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*Iza Calbo edita o blogue: http://www.izacalbo.blogspot.com/

» SALVADOR, BA, 15 DE AGOSTO DE 2008

AÇÃO DE PEDÓFILOS GANHA EVIDÊNCIA COM EXPOSIÇÃO DE CRIMES CRUÉIS

Fotomontagem: Iza Calbo


Nos últimos dias, com a instauração da CPI da Pedofilia por parlamentares de Brasília (DF), este crime vem roubando a cena dos noticiários e deixando muita gente boquiaberta com o nível de violência e crueldade praticado contra crianças por homens, na maioria das vezes, acima de qualquer suspeita.

Até porque, esta é uma das características mais pontuais entre os pedófilos. Normalmente, estas pessoas são da própria família – pai, padrasto, tio etc – ou mantêm boa relação com os familiares de suas vítimas. Esta semana, na quarta-feira, a prisão de um homem em São Paulo deixou o Brasil chocado. Afinal, ele estava tomando conta de Daniel, um menino de dois anos que, segundo ele, caiu da escada. Atordoado, o “bom vizinho” disse ter prestado os primeiros socorros. No sábado, ele foi ao enterro do garoto.

Esqueceu, no entanto, de limpar as evidências. Colocou o filho de 13 anos como testemunha, mas o laudo cadavérico do IML apontou a perfuração de vários órgãos do garoto de dois anos. Ainda resta saber se havia sêmen do acusado no intestino da criança como chegou a ser divulgado pelos jornais. E também se foi usado algum objeto para causar as perfurações, a exemplo de um cabo de vassoura. Porém, não há dúvida: a criança foi espancada até a morte, enquanto o outro filho do agressor, de mesma idade da vítima, dormia e o maior, de 13 anos, jogava bola na rua.

O garoto de 13 disse em depoimento ter visto a queda da criança, obviamente pressionado pelo pai. Nos depoimentos, o pedófilo apresentou versões diferentes, mas a polícia de São Paulo esperou o laudo para prender o aparentemente honesto pai de família.  

Também esta semana, na quarta-feira (13/08), a faxineira de 55 anos foi a um posto de saúde de Guarulhos levar as duas filhas, de 8 e 12 anos, para fazer uma consulta. Enquanto esperava pela senha, observava as meninas brincando na área em frente ao posto. Um homem estranho se aproximou das duas e abraçou a mais velha.

Segundo as crianças o tal homem ofereceu a elas uma boneca em troca de um beijo. Elas aceitaram, mas após o beijo ele disse que a boneca estava numa casa próxima dali. Por sorte, a mãe notou o assédio e começou a gritar. O suspeito foi achado pelos seguranças do posto num ponto de ônibus. Estavam salvas. Ao menos estas.

De sábado até quarta-feira passada, apenas em São Paulo, foram presos ainda um adolescente de 17 anos suspeito de abusar de uma menina de 6; um homem de 28 anos que assediou uma criança de 12; e um homem que na segunda-feira amarrou duas crianças em casa para assistir a um filme pornográfico. Segundo a Promotoria da Infância e da Juventude de São Paulo, a cada mês, são registrados pelo menos 60 casos desse tipo de crime no estado.

Mas a violência não tem barreiras. Em meados de julho, a pequena Iasmim Macedo Silva, de dois anos também foi violentada e morta em Acopiara, na Região Centro-Sul do Ceará, a 359 quilômetros de Fortaleza. O caso se deu na residência da vítima, situada no Sítio São João, próximo ao distrito de Umari, a 70 quilômetros da cidade. Mais uma vez, o acusado do crime é um vizinho, o trabalhador rural Luiz Paulo Macedo, 22 anos, primo da criança.

O corpo foi examinado em Acopiara e, segundo a polícia, o médico legista constatou traumatismo encefálico produzido por instrumento contundente. À tarde, a criança foi sepultada no cemitério do distrito de Umari. De acordo com cabo Cleiton, do destacamento de Acopiara, o pedófilo freqüentava a residência da vítima, muitas vezes colocando-a no colo. O homem foi preso no mesmo dia e autuado em flagrante. Iasmim foi morta a golpes de enxada.

Há menos de dois meses, Fábio Alves Costa, 19 anos, espancou até a morte o enteado de dois anos. Não era pedófilo, mas tinha em comum com estes a crueldade. O crime aconteceu em Iúna (ES), a 80 km de Manhuaçu. As agressões ocorriam há um ano e o padrasto chegou a levar o menino para o hospital.

Na versão do rapaz, a criança havia caído da escada. Como sempre! A mãe do garoto, Sandra Helena Miranda Sena Lino, 29, também apanhava do “marido” e tutor legal do filho dela. Fábio era ligado ao tráfico de drogas. A mãe sabia das agressões contra o filho, mas nunca procurou a polícia. Culpada? Também.

Bem, a agressão contra crianças indefesas é algo não apenas a se lamentar, mas a se combater. Quando se trata de pedofilia, o cuidado deve ser ainda maior. O pedófilo está quase sempre infiltrado no seio familiar, ameaçando diariamente suas vítimas. E, por experiência própria, é fácil assegurar o quanto pessoas atraídas sexualmente por criancinhas são dissimuladas e bem relacionadas com outros pais. Diria, até, quase sempre agem como exímios pais de família. É a forma de manter o abuso. De esconder o crime. De calar a vítima.

E, quando descobertos tardiamente negam o fato e conseguem continuar levando uma vida social movimentada, sem levantar suspeitas. No caso vivenciado por esta cronista, o pedófilo além de continuar livre, ainda costuma dizer a quem acaba sabendo, que tudo não passa de coisas de uma mente fantasiosa (A MINHA).

Infelizmente, a maioria acredita. Mas tenho guardada uma gravação na qual ele assume sua “doença” e a brutalidade de seus atos. Ele sabe e as pessoas mais próximas também. Todos se calaram, é fato. Contudo, há de existir algum tipo de justiça neste mundo tão insensato... Se não houver, nossas crianças continuarão sendo enterradas e, se vivas e vítimas de violência do tipo, roubadas em sua infância. Sem direito de escolher de quem será o primeiro beijo ou com quem terão a tão sonhada “primeira vez”, transformada pelos pedófilos em óbito ou pesadelo para o resto da vida. Delas e de quem as ama.

A pedofilia mata todos à sua volta. Esta é outra característica deste crime. 


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    *IZA CALBO é jornalista (aposentada) e escritora


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