Os parabéns vão para Isabella ao lado do Papai do Céu
Fotomontagem: Iza Calbo
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Era uma vez uma menina chamada Isabella. Nesta sexta-feira (18/04), ela deveria apagar a velinha de seus seis anos. Mas, não se sabe por qual razão, no dia 29/03, a pequena mocinha foi jogada pelo sexto andar do London, um prédio de luxo em São Paulo. Era noite. Fazia frio. No chão, apesar de múltiplas fraturas, ela ainda respirava.
Antes, no apartamento, foi espancada e asfixiada. Havia manchas de sangue e a marca de uma sandália – a do pai – na cama do meio-irmão de três anos.
Hoje, ele e a madrasta Ana Carolina – mesmo nome da mãe – foram prestar depoimento. Tudo indica que serão presos de novo. A madrasta estaria com depressão pós-parto desde o nascimento de um outro filho, ainda mais jovem. Morria de ciúmes da mãe da enteada e, sabe-se lá porque também, pode ter matado a menina para ver se matava o ciúmes da mulher que era companheira do marido e vivia com este quando ela o conheceu.
Na verdade, a mãe de Isabella foi deixada porque o pai preferiu a outra Ana Carolina.
Então, era uma vez uma menininha, que não tinha nada a ver com esta história toda e acabou pagando o pato bonito. Mas vamos parcelar as culpas.
A mãe via marcas no corpo da filha a cada 15 dias, quando ela ia para a casa do pai. Diz ter perguntado a respeito e ter a menina respondido que eram frutos de brincadeiras com o irmão.
Relembrando: o pai havia ameaçado a mãe (ex-mulher) de morte, caso esta matriculasse a filha na creche. Ela deu queixa. Ela sabia do grau de violência deste homem. As notícias dão conta de agressões por parte do pai às duas mulheres e agressão ao filho de três anos, num dia em que estava nervoso.
Pergunta: Você deixaria sua filha sozinha com esta pessoa? Não pediria ao juiz visitas supervisionadas? O cara era um playboy. O pai, um advogado rico, pagava todas as despesas. Até a pensão da neta.
Sinceramente, era uma vez uma menininha que estava à mercê da sorte de um bando de adultos. Uma mãe zen (bom para ela), uma madrasta deprimida (ruim para todos), um pai agressivo (sem comentários) e um avô cheio da grana e protecionista.
Quem perdeu a vida? Isabella. Antes, ela foi ao mercado com a família 2 e depois a uma festa na família 3 (da madrasta). Quando voltou, sabe-se lá porque, ao invés de dormir o sono dos justos foi submetida a uma noite de horrores e, ainda viva, jogada do sexto andar.
Quem fez isso (- Foi você papai?) estava querendo se livrar das evidências ( - Foi você quem mandou vovô?).
Enfim, era uma vez uma linda criança que teve de morrer para mostrar o grau de violência doméstica do País, como bem colocou o jornalista Gilberto Dimenstein em seu blog.
E só teve esta repercussão toda porque envolveu a elite. Nas favelas acontece o tempo todo, mas ninguém fica sabendo e, quando sabe, se indigna e se conforma. Aliás, este é o país do conformismo e Deus continua dando o frio conforme o cobertor.
Feliz aniversário Isabella. Pena que você não tenha tido a chance de apagar sua sexta velinha. Alguém se adiantou e pode acreditar: não foi Papai do Céu!
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*IZA CALBO é jornalista (aposentada) e escritora
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