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*Iza Calbo edita o blogue: http://www.izacalbo.blogspot.com/

» SALVADOR, BA, 25 de JANEIRO DE 2008

O mundo aos pedaços

Fotomontagem: Iza Calbo

Como diria Jack, o Estripador, hoje vamos por partes. Primeiro, leiam atentamente à esta carta escrita por uma pessoa séria e gabaritada:

A Próxima Guerra
Mara Silvia Alexandre Costa

Depto de Biologia Cel. Mol. Bioag.
Patog. FMRP - USP


As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um pouco diferente, mas chegando em Boa Vista (RR) não pude resistir a fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui.

Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até pessoas com um mínimo de instrução.
 

Para começar o mais difícil de encontrar por aqui é roraimense, pra falar a verdade, acho que a proporção é de um roraimense para cada 10 pessoas é bem razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense, piauiense, maranhense e por aí vai. Portanto falta uma identidade com a terra.

Aqui não existem muitos meios de sobrevivência, ou a pessoa é funcionária pública, e aqui quase todo mundo é, pois em Boa Vista se concentram todos os órgãos federais e estaduais de Roraima, além da prefeitura é claro. Se não for funcionário público a pessoa trabalha no comércio local ou recebe ajuda de Programas do governo. Não existe indústria de qualquer tipo.

Pouco mais de 70% do Território roraimense é demarcado como reserva indígena, portanto restam apenas 30%, descontando-se os rios e as terras improdutivas que são muitas, para se cultivar a terra ou para a localização das próprias cidades. (Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus, cerca de 800 km) existe um trecho de aproximadamente 200 km reserva indígena Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e 6:00 da tarde, nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios (com autorização da FUNAI e dos americanos) para que os mesmos não sejam incomodados.

Detalhe: Você não passa se for brasileiro, o acesso é livre aos americanos, europeus e japoneses. Desses 70% de território indígena, diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI.

Detalhe: Americanos entram na hora que quiserem, se você não tem uma autorização da FUNAI mas tem dos americanos então você pode entrar. A maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas a maioria não sabe falar português. Dizem que é comum na entrada de algumas reservas encontrarem-se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui americano tipo nerds com cara de quem não quer nada, que veio caçar borboleta e joaninha e catalogá-las, mas no final das contas pasme, se você quiser montar um empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí camu-camu etc, medicinais, ou componentes naturais para fabricação de remédios, pode se preparar para pagar 'royalties' para empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos produtos típicos da Amazônia...

Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: É os americanos vão acabar tomando a Amazônia e em todas elas ouvi a mesma resposta em palavras diferentes. Vou reproduzir a resposta de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí:

'Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles comandam tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam. Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não entra, aqui vai ser a mesma coisa'.

A dona é bem informada não? O pior é que segundo a ONU o conceito de nação é um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome de nação indígena. O que pode levar os americanos a alegarem que estarão libertando os povos indígenas. Fiquei sabendo que os americanos já estão construindo uma grande base militar na Colômbia, bem próximo da fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o pseudo objetivos de combater o narcotráfico. Por falar em narcotráfico, aqui é rota de distribuição, pois essa mãe chamada Brasil mantém suas fronteiras abertas e aqui tem Estrada para as Guianas e Venezuela.

Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente se for americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um incidente diplomático)... Dizem que tem muito colombiano traficante virando venezuelano, pois na Venezuela é muito fácil comprar a cidadania venezuelana por cerca de 200 dólares.

Pergunto inocentemente às pessoas; porque os americanos querem tanto proteger os índios. A resposta é absolutamente a mesma, porque as terras indígenas além das riquezas animais e vegetais, da abundância de água são extremamente ricas em ouro (encontram-se pepitas que chegam a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras preciosas, minério e nas reservas norte de Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO.
 
Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de Socorro a alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou a alguma autoridade do sul que vá fazer alguma coisa.

É pessoal, saio daqui com a quase certeza de que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho. Um grande abraço a todos. Será que podemos fazer alguma  coisa??? Acho que sim.

Opinião de Celso Luiz Borges de Oliveira

Doutorando em Água e Solo FEAGRI/UNICAMP

Do meu ponto de vista seria interessante que o país inteiro ficasse sabendo desta situação através dos telejornais antes que isso venha a acontecer.

Afinal foi um momento de fraqueza dos Estados Unidos que os europeus lançaram o Euro, assim poderá se aproveitar esta situação de fraqueza norte-americana (perdas na guerra do Iraque) para revelar isto ao mundo a fim de antecipar a próxima guerra.

Opinião pessoal:

Recebi estas informações por e-mail. Não que seja uma novidade. Todos sabemos (creio) do interesse americano no que resta de floresta e riquezas naturais no Brasil. A questão é: o presidente Lula também sabe e não faz nada. As emissoras de TV, em especial a Rede Globo, sabe e não expõe para o público patético que apenas deseja saber quem vai para o paredão do BBB9. Enfim, estamos num mato cheio de cachorros famintos e o bicho já está pegando.

Sobre o Reinado do Momo em Salvador:

Depois de ter sido coroado com seus elegantes 58 quilos, o comerciante Clarindo Silva, dono da Cantina da Lua no Centro Histórico, pode perder o trono. Os candidatos a Momo entraram com a representação no Ministério Público e foi exigida a realização do concurso para a escolha de um rei pesado. A entidade que coroou Clarindo vai recorrer, mas o concurso deve ser feito até terça-feira e pouco provável o MP voltar atrás, dada a polêmica gerada em torno da “marmelada de goiaba”, como já cantava nosso ministro Gilberto Gil. Assim, vamos ver se Clarindo vai para o trono ou não vai. Só entregando ao Chacrinha para decidir.

Sobre o domínio dos traficantes na invasão Planeta dos Macacos:

A invasão Planeta dos Macacos mereceu nota no Jornal da Globo de quinta Feira. Localizada no bairro periférico de São Cristóvão, em Salvador, está sob o domínio de traficantes, a maioria menores de idade. As famílias de dois anos para cá começaram a abandonar as casas, mas a polícia assegura estar tudo sobre controle. Mas a jovem Patrícia Silva, que dava aula de segurança aos moradores, não vai voltar mais para casa. Tomou uma “sova” dos traficantes e pediu para sair. Olha a Tropa de Elite se espalhando. Agora, durma com um barulho destes!

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    *IZA CALBO é jornalista (aposentada) e escritora


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