Introspecções e perspectivas para encerrar o ano
Imagem: Internet
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Tragédias e comédias, como de praxe, marcaram mais um ano da humanidade. Por esta razão, fecharei 2007 introspectivamente. Pensando nos erros e acertos. Aliás, esta história de Ano-Novo é bacaninha, mas serve a quê e para quem mesmo? No fundo, os ponteiros seguem absolutos. Este tempo demarcado dos calendários é mais uma invencionice humana. Como as marchas pela paz e os canhões pelas guerras.
Não há muito para dizer além do blablablá do anseio de felicidade. Depois, há quem toque o mar com os pés e jogue flores para Iemanjá ou seja lá quem for, querendo pedir algo. Aliás, estamos sempre a pedir alguma coisa a alguém ou a ELE. Como se esperássemos milagres, sorte, amores perfeitos... Como se tais coisas existissem. Como se fosse possível passar pela vida sem tropeços e, muitas vezes, sem encontrar um afago no momento mais necessário.
Vixe. Estou realmente azeda. Mas não sou assim o tempo inteiro. Doçuras abrandam, em alguns dias, a alma angustiada do cotidiano. Hoje, no entanto, faltou açúcar para ver o mundo de festas e luzes ao estouro de champanhes que podem levar a um desastre, uma briga, enfim, uma festa turbulenta. Os índices do Natal foram terríveis. Por estas plagas a bruxa anda solta.
Tudo bem. A gente pode até fingir não ver nada. Assistir aos shows pirotécnicos preparados nas grandes cidades. Se entupir de guloseimas e depois correr horas para dar fim ao peso indesejado. O pior, no entanto, é o peso carregado por muitos a cada instante. Sem chance de queimar as calorias dos pecados cometidos. Alguns tão graves e tão próximos de nós que evitamos comentar.
Eis a carta suicida deixada por 2007:
“Desculpe aos que me amaram. Perdoem aos que me odiaram. Não tenho mais forças para seguir adiante. Sei das dores provocadas e de algumas alegrias... para poucos. Desculpa, mais uma vez, pelos que deixei morrer nas ruas e nas filas. Mas sei da felicidade propiciada a quem aproveitou estes meus dias para amealhar amigos e muita, muita grana. A maior parte alheia. Despeço-me sem saber se fui bom ou ruim, sabendo da possibilidade de ter sido as duas coisas. Enfim, me enforco no tempo determinado, como deve ser, sem antes ser o caos de alguns e o alívio de outros...Adeus. Me guardem na memória ou simplesmente me esqueçam se puderem. Fui”. 2007, do Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo.
E todos dizem Amém!
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*IZA CALBO é jornalista e escritora freelancer em Salvador (BA)
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