» CRÔNICAS ANTERIORES |

28|08|08 | O Parque Asa Branca do Gonzagão Virou Motel e Salão de Forró de Plástico

21|08|08 | O Melhor de Um País Que Se Deseja Sério é Um Horário Eleitoral de Graça!

14|08|08 | Gretchen: Uma Candidata Abundante Roçando Numa Pedra Que Canta

07|08|08 | Zé da Luz: um alfaiate que vestiu sua poesia de ritmo e melodia

31|07|08 | Carrego os meus mortos dentro do peito, pois sou todo coração!

24|07|08 | UMA MARIA LIVRE POR FORA, MAS PRESA POR DENTRO AO SEU PRESO HOMEM

17|07|08 | VISITE O ENGENHO CORREDOR DE ZÉ LINS, MAS VOLTE CORRENDO!

10|07|08 | No Voto Ninguém se Perde, Ou Como Escolher o Seu Sanguessuga!

03|07|08 | Lembranças de Lúcio Lins

26|06|08 | A Flecha Preta do Ciúme

20|06|08 | A Música de São João, Sem Fogueira, é Um Verso de Pé Quebrado!

12|06|08 | Como Era Verde o Meu Vale!


05|06|08 | 1968 - O Ano Que Não Vivi

29|05|08 | Existe Algo de Podre no Reino Deles, e Podres Vão Continuar!

22|05|08 | Em Busca do Engenho de Zé Lins e Outras Histórias

15|05|08 | Vandré: "Quero Que Me Esqueçam!"

08|05|08 | Livardo Alves e a Verdadeira História da Marcha da Cueca

01|05|08 | Chora o choro brasileiro, Canhoto morreu!

24|04|08 | O Meu Amor por Tetê Espíndola

17|04|08 | Assisti ao Baixio e Não o Achei Tão Besta Assim

10|04|08 | Se Não Der Pra Segurar, Explode Gonzaguinha!

3|04|08 | Um chorar baixinho no hospital do Amado Batista

27|03|08 | Um Passeio Quase Musical em Simenon

20|03|08 | Minha Inesquecível Paixão de Um Cristo Inesquecível!

13|03|08 | Regina Brown ou Celi Marrom: O mesmo Talento, A mesma Bossa!

06|03|08 | Vai, 1Berto, ser mais um pela vida!

28|02|08 | Se todos fossem iguais a ele, ele seria diferente!

21|02|08 | Nos Caminhos de Augusto, um dos Anjos da Poesia


14|02|08 | Uma Cápsula do Tempo Made In PB


07|02|08 | Arte e Fatos de Uma Noite de Verão

31|01|08 | A Maior Seleção de Todos os Tempos

24|01|08 | Um Vandré Vindo e Bem-Vindo das Terras do Benvirá

17|01|08 | Adolf Hitler: “Só detesto Negros, Judeus e... Racistas!"

10|01|08 | Vital Farias: A Volta do Canta a Dor das Matas e Rios

05|01|08 | Vou Sempre Preferir o Ano Velho, Esse Eu já Conheço

Crônicas do ano de 2007 »


Outros textos deste autor:

2 Dedos de Prosa

 
» este autor escrevE ÀS QUINTAS-FEIRAS


1bertodealmeida1@gmail.com

» JOÃO PESSOA, 26 de junho DE 2008

A FLECHA PRETA DO CIÚME

Arte: Francci

Não sei se é  por força da profissão. Mas, livre e espontaneamente, sempre gostei de começar um assunto, polêmico ou não, como por exemplo o daquele em aquele em que o Marcelo Madureira atirou Glauber no ventilador, com uma confissão. Sendo assim, nessas mal-traçadas, como o ciúme é o mérito da questão, não posso deixar de confessar: nunca tive essa coisa doída e cantada em versos e prosa, chamada de ciúme. Mas, com as desculpas antecipadas aos ciumentos, confesso ainda que sempre achei o ciúme uma frescura de quem vive com o rabo preso ou medo que lhe roubem o rabo.

O ciúme, segundo os entendidos (no melhor dos sentidos) é aquele famigerado sentimento doloroso que as exigências de uma amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou certeza de infidelidade, fazem nascer em alguém. O ciúme, como se vê, não é uma coisa boa. Na definição deixa claro a dor, a exigência, a inquietação, a suspeita e infidelidade. Respondam-me, então: isso pode prestar?

O ciúme é um chá indigesto que alguns doentes de amor, embora neguem esse desejo, continuam ingerindo a cada declaração apaixonada. Mas há um ciúme que eu ainda escuto falar – ou seria "cantar"? – e permaneço um bom tempo sem ir ao banheiro. É aquele famigerado ciúme cantado e responsável por belas canções nascidas de uma suportável dor de... isso mesmo, corno. Essa em que os apaixonados se entregam bêbedos de paixão, mas, mesmo bêbedos de matar de lenço,  desconfiados da fidelidade da mulher amada.

Gosto de ouvir, embora com algumas restrições pelo derramamento exacerbado, o ciúme cantado por Chico Buarque (Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci"); Lupicínio Rodrigues (Amigo Ciúme), Noel Rosa (Com ciúmes do gerente impertinente) Herivelton Martins ("Foi o ciúme que se debruçou sobre o meu coração") Caetano Veloso ("O ciúme lançou sua flecha preta") e, entre outros, Roberto Carlos, que não vou citar porque são muitas e de poucas eu gosto. Porém, algumas confissões ciumentas agridem tanto a música que dão um dó maior dentro do peito de quem as ouvem. As suas letras sofredoras, feitas naquele ritmo de "sou o mais lascado de todos os apaixonados", acabam maltratando esses ouvidos cheios das "lapadas nas rachadas".

Ora, quem tem saco para ouvir e gostar e curtir uma coisa como "tenho ciúme do sol, do luar e do mar, tenho ciúme de tudo, tenho ciúme até da roupa que tu veste?" A letra, além de ser de um mau gosto feladaputa, é uma confissão de loucura. Uma pessoa assim, podem escrever: precisa urgentemente de um tratamento de choque. O problema não é do compositor Waldir Machado. Ele, sujeito inteligente, está apenas vendendo o peixe dele, e muito bem. O povão encornecido (Guimarães Rosa não pode?) e besta gosta. Fim de papo. O mesmo que continua enchendo as "burras" das nossas duplas sertanejas e achando que estão pagando por um produto de boa qualidade.

E aquele outro grupinho idiota que em tempos idos saiu por aí gritando para a infiel "eu me mordo de ciúmes"? Para o escriba, mordida é pouco. Merece mais um ultraje sem rigor algum. Sendo ele, tomaria estricnina ou colocaria "chumbinho" na salsicha do cachorro-quente. Andar se mordendo por aí de ciúmes, convenhamos, não é uma coisa normal. Pior que se morder de inveja ou morrer de medo. Não sei quem foi que disse que o ciúme era a lepra do amor. Então, botem lepra nisso...

E quem não se lembra de Deni e Dino, duplinha sem graça que tentava animar as "jovens tardes de domingo" com uma musiquinha em que dizia '"se há ciúme é porque existe amor/ muito ciúme também pode causar dor"? A dor, pelo que imagino, pois não posso afirmar com certeza, uma vez que nunca senti a dita cuja, deve ser – de novo! – isso que chamam por aí de "dor de corno". Se há ciúme é porque existe amor... Então o amor é o Ping e o ciúme o Pong. Não podem viver separados. E haja frescura.

Até que gosto do João Bosco e do Aldir Blanc, dupla responsável por uma das mais belas figuras da nossa MPB ("Nuvens lá no mata-borrão do céu /Chupavam manchas torturadas"), quando dizem em sua Latin Lover que '"hoje morre, sem revólver, sem ciúme, sem remédio. De tédio...". Um tiro certeiro no Álvaro!

Pois é justamente isso o que ocorre com o escriba, quando ele escuta essas confissões lamentosas. É certo que tem muito gente por aí caindo pelas tabelas e morrendo de ciúmes. De minha parte, porém, revelo aos meus dois leitores que prefiro morrer de tédio. E acrescento mais um motivo: nunca gostei de vodka. Agora, se o ciumento morresse mesmo de ciúmes, este escriba seria o primeiro a mandar flores e desejar ao finado "muitos anos de morte!"

Em tempo: Aguardem. Em breve Humberto de Almeida também no EU PLURAL!

...........................................................................................................................................................
*Humberto de Almeida é escritor


Voltar | Capa


   
Crônicas Cariocas® - 2006 / 2008
Matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores
» Outros Canais | 2 Dedos de Prosa | Artes das Ruas | Caderno de Cultura | 1º Concurso Crônicas Cariocas 2008 | Cultura: agenda | Cultura: artes plásticas | Cultura: eventos | Cultura: meu clássico favorito | Cultura: show | Cultura: teatro | Cinema | Cinema Falado | Cinemão | Cinematógrafo | Mise en Scène | Respirando Cinema | TelaGrande | Festival do Rio 2007 | Contos | Contos de Terror! | Convidado Especial | Copa 2014 | Cristo Redentor | CrônicasTur | Dicas de Português | Editorial | Entrevistas | Esportes & Saúde | Exclusivo | HQ's | Infantil | Infantil: english | Literatura | Meu Bairro | Música | Música & Voz - Tatiane Vidal | Oise | O Que Estou Lendo | O Rio em P&B | Pan2007 | Poesias | Reportagens | RsRsRs | Crônicas Sociais |