Adolf Hitler: “Só detesto Negros, Judeus e... Racistas!"
Se eu disser que Adolf Hitler não gostava de carne e era abstêmio, muita gente, pelo menos por aqui, não vai acreditar. Pois era. Só uma vez, segundo uns historiadores cheios de cachaça na cabeça, disseram ter visto o Bigode do Mal emborcando um copinho de cerveja. O Bigode do Mal também sofria de fotofobia e não suportava quem fumava em sua presença. Sabia, como muitos somente hoje parece que descobriram, que a fumaça é tão ou mais perigosa que o cigarro propriamente dito.
Segundo a sua secretária, uma mulherzinha magra e branca, mas, mesmo assim, num frio danado daquele, bem comestível, Bigode – ele não gostava dessa intimidade - era uma pessoa polida e cordial no trato particular. Era, segundo ainda a branca e magra e comestível secretária num frio danado daquele, quase paternal. Mas, desconfie. Quem está querendo pegar o pássaro, como se diz por aqui, não se diz "xô". Se duvidam, podem perguntar ao Dapenha, escritor paraibano, hoje, radicado em Ji-Paraná, e que sabe cuidar desses bichinhos voadores como ninguém.
El Loco, como Chaplin mostrou muito bem no seu Ditador, era tão louco que nunca teve tempo de dar bom dia ou boa noite aos colegas de farra. Tinha pressa em acabar o mundo. Uma loucura. Por sua vez, Eva Braun, esposa do Bigode por apenas 36 horas, pois, para não se suicidar como simples puta e amante do Führer, casou às pressas, esqueceu no ato da cerimônia o próprio nome e entrou para a história, fato esse que muitos negam, com o velho nome da puta. Trocando em miúdos: morreu sem saber o gosto de ser comida – e bem – depois de casada. Mas não perdeu nada, pois comer – e comeu por muito tempo - uma amante foi sempre melhor.
Segundo Millôr Fernandes, Bigode do Mal costumava dizer que só detestava três coisas na vida: negros, judeus e... racistas! Nunca acreditei, pois, pelo que ouvir falar, Bigode do Mal ia muito além. Era só ouvir falar em Testemunhas de Jeová, que já existiam naquele época, para Bigode mandar acender o forno. Sobre o amigo do peito e de loucura, Heinrich Himmler, esse pelo qual Bigode se derramava em amores – levantaram até um possível caso entre eles -, dizia para quem quisesse ouvir, e todos ouviam, pois se não ouvissem entrariam na próxima fornada, que ele era de uma qualidade extraordinária. E não acreditava, sob qualquer hipótese, que outra pessoa tivesse conseguido movimentar as suas tropas de cães loucos – naquelas condições - melhor do que ele.
Todo não me toque, gritando sempre para disfarçar a voz aveludada que usava quando estava a sós com Himmler, dizia que via no dito cujo nosso Inácio de Loyola, o santo e fundador da Companhia de Jesus. Foi ele, costumava dizer, com inteligência e obstinação, enfornando quem fosse contra, quem deu forma às SS (nada a ver com o Sílvio Santos). E assim, sabendo que Bigode do Mal não estava nem aí para quem não fosse da raça ariana, essa a qual o nosso Ariano (Suassuna) nunca pertenceu, aproveitava o embalo e enfornava também ciganos, homossexuais, eslavos (?), negros e deficientes físicos e mentais. Naqueles tempos, doido de matar de pau, as louras só não entraram na lista porque eram poucas e Hilter desconhecia a Marilyn Monroe. Como os meus dois leitores vêem, uma coisa de louco.
Foi ele, Heinrich Himmler, quem deu forma a essa coisa chamada de holocausto e que muitos ainda hoje continuam pensando tratar-se apenas de um filme de Marvin Chomsky. Mas deixemos esse loucos de lado, e voltemos à normalidade. Havia nos Reichs, principalmente no terceiro, o do Bigode do Mal, uma suruba de matar somdomistas e gomorristas de inveja. O führer, um capítulo que muita gente boa deixa de contar, apesar do suposto Caso-Himmler, era um sujeito "furão". Nenhuma mulher, branca, preta ou colorida, judia ou judiada, escapava do seu espeto. Também era o cão nessa área. Tá na história. Todas eram comida. Dizem ainda que comeu tanto uma sobrinha (Geli Raubal) que a pobre não suportando mais as espetadas do tio se matou. Mesmo assim, mais doido do que nunca, costumava lembrar nos seus discursos que a comida para ser boa começava pela de casa.
E onde é que entra ou sai a Eva Braun? Pelo que contam e este escriba acredita, furão como ele, Eva não foi a primeira mulher, nem ele, o Bigode do Mal, o primeiro Adão. Se a lei Maria da Penha, por exemplo, existisse naquela época, podem ter certeza que ele, mesmo que nunca cumprisse a pena, pegaria no mínimo cem anos de cadeia. Bigode do Mal era violento e sacana com as mulheres. Se botava os olhos em cima de uma, era tiro e queda. A cantada? Simples e direta: fornicar ou ir para o forno. E não tinha essa de escolher entre "forno e fogão" não. Era só forno. Eva Braun, por sua vez, nesses anos de espeto solto, não passava de mais uma comidinha depois de um capítulo de "fornada nas estrelas".
Estão lembrados do possível Caso-Himmler? Conto mais. Naquele época uma mulher também melhorava a barra para homens como o Bigode. Pronto. Foi aí que Eva entrou com cacófato e tudo. Era burrinha, mas entrou bem. O próprio Bigode reconhecia. Ele costumava dizer que um homem extraordinariamente inteligente como ele- modesto, não? - tinha que ter uma mulher burra e primitiva como Eva. E comia. E assim, como vocês podem constatar, a secretária branquinha e amarelinha, mas comestível naquele frio, escondeu que o patrão também foi um dos primeiros machistas e feládaputa da história.
"Filhos, melhor não tê-los...". Ou metê-los? Bigode do Mal não estava nem aí para as máximas poéticas do Vinícius de Moraes que era branco, mas se considerava o mais preto do Brasil na linha direta de Xangô. Melhor deixar pra trás, como diria o Gilberto Gil. E deixava. Muitos sujeitos educadíssimos que eu conheço, brancos e pretos, também costumam dizer que não querem não tê-los, nem metê-los. E que somente sairão de casa para morar sozinhos quando a "vózinha" morrer. Nada demais. Uma opção. Apenas isso. Pois bem. Bigode do Mal não quis. Era casado – ó infeliz escolha! – com o partido e não casaria com mais ninguém. Nem queria filhos. Tanto que, como disse num dos parágrafos aí de cima, só casou com a Eva Braun porque numa incrível "ressaca mortal" não queria que a amante entrasse na história como uma "puta füher!".
A verdade, porém, é que naquela época corria mais rápido do que a mentira e muito mais que o Rubinho barrichello, o que, convenhamos, em se tratando de Rubinho é o mesmo que apostar na vitória de uma tartaruga numa disputa com um coelho, uma história de que Bigode do Mal, mesmo não sabendo separar o normal do anormal, sobrinha de esposa do irmão e suruba de sexo grupal, sabia que toda a sua família era inclinada a comer cocô e tocar fogo em dinheiro. Uma loucura! E, transmitir a sua loucura, nem pensar. Se de louco, embora nunca quisesse ser poeta, todos tinham um pouco, Bigode tinha toda a loucura do mundo e não queria deixar nem dividir com ninguém. Não teve filhos, e fim de papo. E quem quiser que conte outras.
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Humberto de Almeida é escritor
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