O Rio de Janeiro Continua Lindo?
A primeira vez que estive no Rio de Janeiro o mês era de agosto e o Rio continuava lindo. Não fui ao Rio para ficar. Nem pretendia. A mala de couro não estava forrada com velhos jornais da província, nem este escriba usava calça de brim-caqui. Não fora assistir a um programa do Chacrinha, nem assistir a uma pelada entre o seu – leia-se o dele – Flamengo e o Fluminense do Chico. Foi, exatamente, para poder voltar.
O Rio estava onde sempre esteve: na cabeça de quem sonhava um dia conhecer o Rio de Janeiro do Gilberto Gil e Caetano Veloso, embora baianos, e do Flamengo de Adílio, Andrade e Zico. Mas, lá no fundo, bem na linha de fundo onde ele assistiu a um golaço de cabeça de Zico contra o Vasco da Gama, este escriba sabia que o Rio de Janeiro não era muito diferente de outros rios que conhecera em suas andanças por essa Vida Severina.
Foi chegando e lembrando que dias antes no Teatro Santa Roza, o mais belo Teatro de sua Parahyba, esse mesmo que o Gilberto Gil comparou um dia a um grande navio, em papo com o Moleque Gonzaguinha, ainda no camarim, ouvira do filho adotivo do Luiz Lua Gonzaga que Começaria Tudo Outra Vez para estar ali, cigarro na mão, recém curado de mais uma tuberculose, se preciso fosse. Se não disse meu amor, foi porque a pergunta nada tinha a ver com o amor dele. Nem com o meu.
Nessa época não se encontrava nas ruas nem nas crônicas cariocas tantas balas perdidas. Bandidos e policiais não perdiam balas com a facilidade de hoje. Balas perdidas, para sermos mais preciso, somente se dava entre crianças, deixando muitas com água na boca e os seus pais, por sua vez, certos de que elas, as balas, não continham cocaína dentro. Bala era Bala. O projétil ficava apenas no projeto. Hoje, porém, triste de quem encontrar uma bala perdida por aí. Triste fado. Triste sina. E Saber quem é o dono, nunca há de.
O Rio de Janeiro que este escriba conheceu num distante mês de Agosto de um ano ímpar, não era mais o das prostitutas que faziam os seus mangues mais alegres e o mar carioca menos poluído. O Sol nas bancas de revista, e ele cheio de vida e nada de preguiça, traziam as notícias dos festivais. O Sol revista, não, as Revistas da TV. E num papo descontraído com um João Nogueira que falava como cantava, ou vice e versa, perguntava-lhe Por que não, Por que não e por que não ? A geléia era geral.
E aí, Francci, da janela ainda se pode ver o Corcovado e o Redentor? Que Lindo!
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*Humberto de Almeida é escritor. Ehmeio para esse sujeito que espera – e deseja – que esse Rio nunca acabe em um mar... de sangue: 1bertodealmeida1@gmail.com
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