Nizo
Neto mostra a cara no show "Falando Sozinho"
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Aos 42 anos,
Nizo Neto vive um bom momento na carreira. Se diz satisfeito
com a vida e com o trabalho. Amante da mágica,
já integrou as entidades International Brotherhood
of Magicians, International Magicians Society, Society
of American Magicians, Academy of Magical Arts &
Sciences, Clube Mágico Português.
Foi Diretor Social, por dois anos, do Círculo
Brasileiro de Ilusionismo. Escreveu uma coluna para
a revista portuguesa “O Mágico”,
referente ao tema. Apaixonado por cavalos, já
nutriu o sonho de ser jóquei, mas o seu peso
e altura o fizeram desistir. Desde 1971, quando estreou
com o pai na televisão, no programa Chico em
Quadrinhos, o ator não parou de produzir. Conhecido
pela versatilidade, é também dublador,
compositor, e canta em seus shows. Já emprestou
a voz para diversos personagens de animação
e filmes. Entre os mais comuns, Mickey Mouse (por dois
anos), Barney (Flintstones) e Presto (Caverna do Dragão).
O comediante está em cartaz com o show Falando
Sozinho, no Teatro dos Grandes Atores, no Barra
Square, de sexta à domingo, às 23h. O
texto é dele, e quem assina a direção
é a atriz Cláudia Rodrigues.
A entrevista:
Crônicas - Algumas pessoas ilustres, filhos de outras mais ilustres
ainda, já comentaram o lado bom e o ruim de ter
um apadrinhamento tão forte. Você acha
que ser filho de quem é (Chico Anysio) já
o ajudou ou o prejudicou em alguns aspectos?
Nizo Neto -
Tudo na vida tem um lado ruim e um lado bom, sem exceção.
Ser filho do Chico Anysio não seria diferente.
Muitas portas se abrem e algumas se fecham. Acho que
ser filho de famoso é legal, mas se paga um preço.
Crônicas - A Maria Rita, filha da Elis Regina, chegou a pedir
que não a comparassem a sua mãe. Você
acha que essa comparação ofende ou é
uma honra?
Nizo Neto -
Ligar meu nome ao do meu pai é inevitável.
Já me comparar com ele é covardia. Como
no caso da Maria Rita, sou filho de uma pessoa de talento
anormal, fora do comum. Ser comparado ao Chico Anysio
é o equivalente a ser comparado ao Peter Sellers
ou Anthony Hopkins. São seres dotados de um dom
acima da média e não é à
toa que são considerados gênios.
Crônicas - Inclusive, no espetáculo, você faz piada
disso. É verdade que você é quase
sempre confundido com o “Seu Boneco”,
papel escrito pelo seu pai para seu irmão?
Nizo Neto - Agora não tanto porque a Escolinha está
fora do ar faz um tempo. Mas na época do programa
confundiam muito. Nem é questão de confundir,
é um fenômeno que muitas vezes ocorre quando
as pessoas “reconhecem” artistas na rua.
Às vezes na hora dá um nó na cabeça
delas e elas te confundem com as pessoas mais absurdas.
Crônicas - Você acha que trabalhar em televisão
seja primordial para que um artista seja conhecido,
pelo menos nacionalmente?
Nizo Neto - Ajuda muito. Esse país é muito grande
e, infelizmente, uma grande minoria tem condição
de pagar por entretenimento. Por isso a TV é
crucial para fazer a pessoa conhecida nacionalmente.
Crônicas - Isso o ajudou na hora de montar o show?
Nizo Neto - Pra vender a coisa, ajuda, com certeza. Não resolve,
mas ajuda.
Crônicas - Em Falando Sozinhovocê
resolveu “botar a carinha de fora”. Como
é isso?
Nizo Neto - As
pessoas têm uma imagem muito limitada a meu respeito.
Me considero um privilegiado de chegar aonde cheguei,
mas ainda não pude dar ao público a chance
de ver o meu real talento. Não há lugar
melhor do que o palco pra mostrar isso. E eu sozinho,
por uma hora e quinze minutos, não tenho pra
onde escapar. Sou eu mesmo ali e acabou, tenho que me
mostrar por inteiro. Resolvi me mostrar por isso mesmo,
para as pessoas me conhecerem melhor. Como artista e
como pessoa.
Crônicas - Você tem 42 anos e além de ator é
ilusionista, cantor, escritor, dublador, pai, marido
etc. Você acha que no Brasil tem que ser versátil
para sobreviver?
Nizo Neto - Eu
não sou cantor, sou um ator que canta. Acho que
seja no Brasil ou em qualquer lugar, versatilidade ajuda
em tudo na vida. Quanto mais coisas você souber
fazer mais possibilidades você tem. Seja no ramo
que for.
Crônicas - Ainda tem algo que lhe falta na vida?
Nizo Neto - Sei
lá, viver é uma arte e em arte a gente
não pára de crescer e de aprender. Sempre
vai faltar alguma coisa na vida, isso é do ser
humano. E talvez seja isso que nos mova.
Crônicas - O que gostaria que te acontecesse de novo?
Nizo Neto - A
gente sempre gostaria de ter um controle remoto, como
naquele filme do Adam Sendler, pra voltar e consertar
umas merdinhas que a gente fez na vida. Mas eu acho
que não fiz tantas assim a ponto de ter o tal
controle. Não me arrependo de nada. Bom, nem
sei se foi essa a pergunta...
É um show bem
variado, e eu diria que bem honesto

Crônicas - A mágica, de certa forma, é lúdica.
Como é essa sua ligação entre a
mágica que você adota para o show e sua
vida profissional?
Nizo Neto - A
mágica é considerada a “Rainha das
Artes” (pelo menos por nós, mágicos!).
Acho isso perfeito porque só pelo simples fato
de que na mágica TUDO é possível,
já a qualifica para esse título. Por enquanto
eu não tenho no meu show o quanto de mágica
que eu queria que tivesse, porque colocar mágica
em qualquer espetáculo simplesmente complica.
Por isso optei por usar a mágica como “ponto
de ligação” de alguns números,
ou seja, exceto pelo número final, eu não
“paro” para fazer mágica. Mas ainda
vou montar um show só de mágica. Com muito
humor, claro.
Crônicas - Como foi o trabalho de direção de Cláudia
Rodrigues (na TV com A Diarista)?
Nizo Neto - Ótimo.
Ao contrário do que muitos possam pensar, ela
realmente foi lá dirigir e não somente
“emprestou” o nome. Quando eu pensei na
Claudinha, claro pensei também no nome dela,
não vou ser hipócrita, mas sabia que ela
poderia contribuir bastante. E contribui. Só
o fato de ela ter chamado a Anja Bittencourt para co-dirigir
já valeria. Devo muito às duas que acreditaram
no projeto e no meu talento com muito carinho e se dedicaram
sem esperar nada em troca.
Crônicas - Esta seria uma nova fase de sua carreira ou, de alguma
forma, é apenas conseqüência de um
trabalho de anos, tanto na TV como no teatro?
Nizo Neto - Os
dois. Como poderia ser uma nova fase se não tivesse
a fase de trabalho de anos? Com certeza vivo agora uma
fase de grande amadurecimento artístico. O fato
de ter me definido, diria até mesmo ter assumido
ser comediante foi muito importante e com certeza está
sendo decisivo na minha carreira. O fato de ter escrito
um show solo de humor pra eu fazer e ter corrido atrás
pra realizar e de também estar no projeto Riso
de Janeiro, que é um show de variedades
de humor que eu apresento às segundas-feiras
no CCC, Rio, mostra bem isso.
Crônicas - Sites como YouTube e Orkut estão cada vez mais
sendo usados por artistas para divulgação
de trabalhos. Como você enxerga essas possibilidades?
Nizo Neto - A
internet entrou na vida das pessoas como um furacão
e está aí pra cada vez mais nos inundar
com todo tipo de informação. Acho tudo
isso muito bom, assim como as Web TVs, são
ótimas formas de se divulgar nossa arte e uma
forma de comunicação com uma rapidez absurda
em crescimento constante.
Crônicas - Fala um pouco sobre o show Falando Sozinho?
Nizo Neto - Falando
Sozinho é um show 90% Stand-Up Comedy, que
é aquele humor bem cru criado nos Estados Unidos,
onde o comediante entra e, diante do microfone, fala
de coisas engraçadas da vida que a gente vive
quase todo dia e nem percebe. É um tipo de humor
muito atual e, lógico, MUITO engraçado,
que, pra quem vê, parece muito simples de se fazer.
Mas como eu gosto de várias formas de humor,
tem também monólogos onde eu faço
personagem (um deles eu contraceno com a voz do Tony
Ramos), faço algumas mágicas e canto também.
Enfim, um show bem variado, e eu diria que bem honesto,
porque, pelo que eu tenho feito por aí, noto
que as pessoas, além de saírem bem felizes,
saem conhecendo um pouco mais de mim. Isso até
complementa a pergunta sobre “botar a carinha
de fora”.
Crônicas - Você morou um tempo nos Estados Unidos, onde
trabalhou como barman e acabou se profissionalizando.
O que essa experiência trouxe pra você no
preparo como artista?
Nizo Neto - Tudo
que um artista vive na vida pessoal com certeza vai
acrescentar a ele profissionalmente. Foi uma bela
experiência atrás do bar, mas o que eu
aprendi mesmo como barman é que o bom mesmo é
ser artista!
Crônicas - Você brinca o tempo todo com os diversos personagens
que povoam o cotidiano carioca. Gente famosa, até
seu o pai é citado em suas piadas. O que é
mais fácil fazer rir hoje em dia?
Nizo Neto - Nesse
tipo de comédia de cotidiano TUDO pode fazer
rir. Sendo observador e tendo um bom senso crítico
e de humor dá pra se fazer piada de praticamente
tudo.
Crônicas - E esse gosto pelos cavalos?
Nizo Neto - Sempre
adorei cavalos. Meu pai tinha cavalos no jóquei
quando eu era criança e meu sonho era ser jóquei
(e de certa forma ainda é...). Com 1,87m e pesando
80 kg, no dia em que inventarem corrida de elefante
eu tenho alguma chance. Por causa da minha altura (graças
a Deus!!!) tive que optar pelo hipismo, que eu pratiquei
por anos. Ainda temos cavalos de corrida e eu acho um
esporte muito emocionante e belíssimo.
Crônicas - Fale de sua experiência com dublagem de filmes
e desenhos animados. E como é dublar filme pornô?
Nizo Neto - Dublagem
é uma grande escola para o ator , ela substituiu
o rádio. Embora como espectador , eu prefira
ver filme legendado , tenho profundo respeito pela dublagem
e eu considero a brasileira entre as melhores do mundo.
Quanto a minha experiência como dublador de filmes
pornô , vocês vão ter que assistir
Falando Sozinho pra saber como foi....
Crônicas - O ano de 2006 foi excelente pro teatro do Rio, e em
2007 já aconteceram várias estréias
de peso. Estamos vivendo um momento bom para o teatro
carioca?
Nizo Neto - Acho
que sim. Temos excelentes espetáculos em cartaz,
mas ainda é muito difícil colocar público
nos teatros. O Rio não tem muito essa cultura
de teatro, talvez por ser uma cidade praiana. Mas esse
ano entrou bonito. O difícil é patrocínio,
né? Isso é um mistério!
Crônicas - Quais as peças, além do “Falando
Sozinho”, claro, você recomendaria assistir
aqui no Rio de Janeiro?
- O Pregoeiro (Espetáculo com o ator e clown
Marcio Libar). Sexdta à domingo, 21h, na Casa
da Gávea (até domingo 28/01).
- Riso de
Janeiro (Show de humor comandado por Marcio
Libar e Nizo Neto. Cada semana um show diferente com
quatro comediantes convidados). Segunda-férias,
às 21h, no Centro Cultural Carioca (Pça.
Tiradentes).
- Comédia
em Pé (Show de humor comandado
por Cláudio Torres Gonzaga). Quarta-férias,
às 21h, na Casa de Cultura Laura Alvin (Sala
Rogério Cardoso).
- Nada Contra (Espetáculo de Improviso com a Cia. Teatro do
Nada). Sextas e sábados, às 21h, no Centro
Cultural Suassuna, Barra.
- Toilette (Comédia de Walcyr Carrasco, Dir. Cininha de
Paula). Quinta à domingo, no Teatro dos Grandes
Atores (Shopping Barra Square). |