Patrícia Mellodi
por Francci Lunguinho
As composições de Skylab e Torquato Neto não estão no CD, mas farão parte do repertório da cantora Patrícia Mellodi, no show que ela fará no Rival Petrobrás. Abaixo, confira a entrevista exclusiva para o “Crônicas Cariocas”, concedida ao colunista Carioca da Silva.
Crônicas - Você irá se apresentar no Teatro Rival no próximo dia 25 de outubro. Como você está se preparando para pisar pela primeira vez num palco onde já se apresentaram grandes nomes da MPB, e é considerado um ícone da resistência cultural carioca?
Patrícia Mellodi – Eu nunca me preparo pra um determinado local, mas para um espetáculo. Porque se eu ficar pensando que aquele lugar é muito importante ou palco onde os grandes pisaram, eu vou ficar ansiosa, nervosa e isso não é legal. Preparo-me muito bem para o show e quando acabar de fazer o show, vou curtir o fato de ter pisado naquele palco. Primeiro eu faço, depois eu vou pensar no assunto.
Crônicas – Você chegou a afirmar recentemente que seu sonho era ser convidada para uma entrevista no Programa do Jô, o que de fato acabou acontecendo. E agora vem este show no Rival, que é o sonho de qualquer artista em início de carreira. Qual será o próximo grande momento de Patrícia Mellodi?
Patrícia Mellodi - Gostaria imensamente de rodar pelo Brasil com esse show, ir a lugares onde ainda não fui, conquistar público novo.
Crônicas – Quem acompanhou a sua trajetória sabe que você explorou a internet de uma forma bastante intensa na divulgação de suas músicas. Foi a internet a única forma que você encontrou para tornar-se conhecida?
Patrícia Mellodi - Acho que a internet é um milagre da modernidade. Posso entrar em vários lugares, chegar a várias pessoas, sem ter que pagar ou ser famosa pra isso. E, realmente no momento atual de minha carreira, ela é a ferramenta mais poderosa que tenho. Mesmo depois de ir à televisão, como no caso do Programa do Jô, faço uma continuidade do trabalho de divulgação aqui nas teclas do meu computador.
Crônicas – Continuará usando sites como Orkut para promover seus shows?
Patrícia Mellodi – Com certeza. A coisa ainda está no princípio e a tendência é ficar cada vez mais requintada essa divulgação pela internet.
Crônicas - Você é quem ainda responde aos e-mails e telefonemas dos fãs ou já passou essa bola para alguém?
Patrícia Mellodi – Respondo a grande maioria, mas quando a coisa aperta tenho uma secretária de internet que me dá uma força temporariamente. Mesmo assim leio a tudo e oriento as respostas, pois quero conhecer as pessoas, o que elas pensam, quero conquistá-las.
Crônicas - Quanto tempo você se dedica à música hoje em dia? Sobra tempo pra cuidar da vida pessoal e da família?
Patrícia Mellodi - Eu quero ser feliz e isso implica em ter família, amigos, trabalho, dinheiro, beleza e saúde. Eu quero ter tudo! Então tenho que me “virar nos 30” e fazer as coisas correrem bem. Às vezes falho ali, falho aqui, mas tento dar conta do recado. Pode ser que o trabalho crescendo mais, a coisa complique, mas por enquanto estamos bem.
Crônicas – Como tem sido a recepção do público carioca nos seus shows?
Patrícia Mellodi – Tenho tido casa cheia e uma recepção maravilhosa. Isso me anima muito, pois não estamos tocando nas rádios cariocas. E ter público nesse caso é quase um milagre.
Crônicas – Qual música deste “Pacote Completo” você acha que tem a ver com o seu atual momento?
Patrícia Mellodi – “Tudo vai Passar” que é uma parceria com Marcelo Miranda. Pois a letra fala da roda da vida. “Um dia de pés no chão e no outro vestido de rei...” Sempre que estou no palco brilhando e as pessoas aplaudindo, eu me lembro dos dias de dificuldades, de pobreza e dúvida. Fico muito emocionada com o dia de amanhã, com um dia após o outro.
Crônicas – Você canta em seu show um múscia de Rogério Skylab (Você Vai Continuar Fazendo Música), mas vocês têm estilos musicais bem diferentes. Como surgiu a idéia de incluir uma música dele em seu CD?
Patrícia Mellodi - Quando assisti o Skylab pela primeira vez me apaixonei e o incluí em meu show. Acho que ele é louco, irreverente, rock na veia, anda a margem de tudo e tem o seu caminho, seu público e isso bastam! Comprei um CD dele e esbarrei com essa música. Fiquei pasma, era tudo o que eu queria dizer. Choca e emociona ao mesmo tempo. Eu gosto disso. Aliás, eu só canto malditos nesse show, Skylab e Torquato Neto. Só falta o Tom Zé! Sou romântica, mas sou política e panfletária de vez em quando.
Crônicas – E essa história de cantar em Hebraico. Como foi isso em sua vida?
Patrícia Mellodi – Fui convidada pra cantar numa banda Judaica. E como a grana estava curta aceitei o desafio mesmo não sabendo cantar uma sílaba nessa língua. Fiz um estudo dirigido com o cantor da Banda que é Marroquino. Ele me ensinou tim-tim por tim-tim. Cada pronúncia, cada significado, cada intenção. E não é que eu aprendi direitinho! Todos vinham falar comigo em hebraico, achando que eu era judia, e falava a língua.
Crônicas – Quais suas influências musicais?
Patrícia Mellodi – Muitas. Bossa Nova, Jazz, Rock, Musica nordestina, Mineira, Hebraica, Pop. Sou uma colcha de retalhos. Mas com certeza mais influenciada por música brasileira.
Crônicas – Na entrevista dada ao Jô você disse que tem uma ligação muito forte com a numerologia. O nome Patrícia Mellodi, por exemplo, veio de uma dessas combinações. Você não tem medo de se tornar refém disso?
Patrícia Mellodi – Não me sinto refém de nada, a não ser da minha sensibilidade. Essa me tortura sempre que pode! Gosto de coisas místicas, inexplicáveis à razão. Por que sinto no fundo do coração que estamos envoltos num grande mistério. Números é somente um deles. Patricia Mellodi dá 3. Número da trindade divina, da criativa, da alegria. É isso que eu quero. Mudei o nome porque eu tinha mudado, tinha me espiritualizado. Patrícia Mello "di", o DI da diferença.
Crônicas – O "Crônicas Cariocas" é uma revista eletrônica que pretende contribuir para o enriquecimento cultural e social brasileiro. Alguns de nossos leitores estão ávidos para contribuir nesta tarefa. Suas músicas são bem feitas e têm textos bem trabalhados. Houve a preocupação com a qualidade das músicas na hora de escolher o repertório?
Patrícia Mellodi – Sempre me preocupo com a qualidade, com o acabamento do que faço, mas principalmente tenho compromisso com a minha verdade. Faço exatamente o que gosto e o que sinto. Escolhi as músicas que me definiam artisticamente melhor nesse momento da minha vida.
Crônicas – Use este espaço para deixar um recado para quem quiser prestigiá-la no Rival, dia 25.
Patrícia Mellodi – Amigos leitores do Crônicas Cariocas, fiz esse show com muito carinho. Banda Completa, figurino, cenário, exibição de clipes e direção geral de Márcio Trigo. Abram seus corações pra ouvir e sentir meu novo trabalho “Pacote Completo”. Preciso muito de vocês e tenho muito a oferecer também. Vamos nos apoiar?
Crônicas – Obrigado pela entrevista.
Patrícias Mellodi – Muito obrigado ao “Crônicas Cariocas” por todo apoio na divulgação do meu trabalho. Parabéns pelo enriquecimento da nossa cultura através dessa revista eletrônica, uma manifestação genuína de bom gosto e amor às artes brasileiras.
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*Francci Lunguinho é editor do CrônicasCariocas
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