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*Esta autora escreve neste espaço às quartas-feiras
 

Nem o micro nos separa mais

13|06|07 • Ontem eu e um amigo brigamos seriamente por causa de computador. Bom, não foi uma briga séria dessas que se vê por aí, nossas brigas são de amigos que se respeitam e se curtem pra caramba. Os quase vinte anos de uma boa amizade podem trazer uma conseqüência dessas (ou não).

Depois de perder uma tarde inteira na limpeza do meu Trovão II (meu computador é meu único objeto que fiz questão de dar um nome), caí na asneira de comentar que demorei todo esse tempo porque mulher tem mania de sair limpando tudo e que costumamos ser minuciosas.

Meu amigo teve o topete de me dizer que mulher não sabe limpar micro, só queria ligar "o bicho" pra ver e-mail e mandar versinhos idiotas pros amigos de Orkut. Completou dizendo que só sabíamos passar um paninho com sabão de coco no monitor e no gabinete quando o filho sujava com meleca. Ilustrou a afirmativa dele com os conceitos que a irmã e as primas têm, de limpar o micro.

Se ele me falasse um absurdo desses na época do meu Trovão I (coitado, como se arrastou implorando por uma faxina e eu nem tchum pra ele...), eu não diria nada. Era mais ou menos assim que eu "cuidava" do meu primeiro micro: um paninho úmido aqui, um sabãozinho de coco ali, um outro produto qualquer que acabava com a película da tela do meu monitor fazendo meus amigos homens rolarem de rir com minhas estupendas faxinas tecnológicas. Trovão I me ensinou bastante sobre o assunto para me tornar uma boa "mãe" pro Trovão II. Aprendi a me virar bem com borrachinhas etc.

Está certo que "quase" não gosto de provocar meus amigos mas dessa vez foi um deles quem me provocou, eu estava quietinha só conversando... Vi e vejo muita mulher montando e desmontando a tralha toda, outras tantas dando conselhos pros desentendidos iniciantes masculinos - alguns nem tão desentendidos assim, pra poder deixar um comentário dessa magnitude passar em branco.  Caímos naquela mesmice antiquada de mulher faz isso que homem não faz, homem faz aquilo que mulher não faz, qui-qui-qui daqui e po-ro-ró dali.

No fim da história, meu amigo teve que dar o braço a torcer (e pagar as cervejas) de que mulheres realmente sabiam tomar conta direitinho de um micro, por dentro e por fora. Senti-me até roubando doce de uma criança mas ninguém mandou ele se meter a besta com uma apaixonada em ser mulher. Viu, amigo? Da próxima vez, arranje alguém "do seu tamanho" pra provocar. Humpft!

Obs.: informo aos interessados que as aspas foram necessárias para realçar os mais de dois metros de estatura do meu amigo que, ao meu lado (um metro e quarenta e oito), fica parecendo que tem ciquenta centímetros a mais. Covardia, né?

Adoro essa luta interminável dos sexos (e algumas outras...). Sei que essa história de homem machista e mulher feminista está mais fora do contexto atual do que ceroulas de lã e calcinhas de flanela. Eles já provaram que são excelentes pilotos de fogão e nós provamos que somos excelentes em tudo mais, que antes eram mal-ditas como "coisa de homem”.

Só pra agradar os meninos, devo contar de muita má vontade, que por conta da minha língua comprida, passarei a manter o micro de meu amigo nos trinques. Não sei como ele conseguiu me fazer aceitar essa tarefa? Deve ser... coisa de homem.


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