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*Esta autora escreve neste espaço às quartas-feiras
 

Problemas na moto

26|04|07 • Furou o pneu da moto. Na Linha Amarela.

Nunca troquei pneu de moto. Cadê o macaco, onde fica o estepe? Como uma espécie do sexo frágil que nem eu vai conseguir trocar essa roda sozinha?

- OK! Estou apelando. mas já te contei que isso foi na Linha Amarela?
Depois de passar a enorme vontade de chorar pelo desespero de ter acontecido justo ali, naquele pedaço - coisa que durou uns dois segundos, começo a avaliar minhas possibilidades.

Ferramentas! Preciso de ferramentas. E um pneu inteiro. E conseguir uma força a mais nos braços pra trocar essa praga.

Não, preciso mesmo é de uma oficina mas, como chegar lá? Nem sei direito aonde fica a mais próxima.

Será que essa homalhada que passa nos carros não percebeu que o que eu menos preciso agora é de bi-bis e fon-fons? Quero minha moto inteira pra poder sair cavalgando por aí com o vento nos cabelos fazendo tantos nós, até que meus fios lisos se transformem num ninho feito pelo pássaro-arquiteto mais complicado.

Parou um motoqueiro. Moreno (ai meus sais!...).

- Quer ajuda aí, moça?

Quase que respondi que depois daquele "moça", todos os meus problemas tinham sido resolvidos.

- Meu pneu foi pro espaço.

- Vou dar uma olhada.

- OK.

O homem abaixa avaliando o pneu e de quebra, olha discretamente minhas pernas.

- Moço?

- Que? Precisa de mais alguma coisa? Está passando mal?

- Não. Só queria avisar que minhas pernas estão bem, a moto é que parece estar precisando de socorro.

Ele sorri meio sem graça.

- Ah, moça! Desculpe, sabe como é homem, né?

- Sei. Pode me ajudar a chegar a algum lugar bem longe daqui?

Posso jurar que li os pensamentos dele.

- Vou rebocar até uma oficina logo ali adiante, a uns três minutos daqui. Serve? Pelo menos você não fica parada aqui.

- Serve sim. Obrigada.

Montei na moto. Já viram moto ser rebocada por outro motoqueiro? É a coisa mais fofa!
Chegamos na oficina. Os mecânicos estavam num papo animado e pararam quando nos viram chegando.

Desci da minha moto e tirei meu capacete cor-de-rosa. Meu rebocador foi mais rápido que eu e já ia se dirigindo a um dos mecânicos, explicando a situação. O mecânico me olha, sorri e vem na minha direção.

- Dona, vou trocar o pneu da senhora mas vai levar uma hora pelo menos.

- Sem problemas, não tenho pressa. Eu espero.

Viro-me para agradecer ao moreno rebocador e ele convidou-me para uma cervejinha num bar ali perto.

- Que tentação - penso comigo.

- Não, obrigada. Você já fez o bastante, não quero ocupar mais o seu tempo.

- Incômodo algum, não estou com pressa.

O mecânico olhando...

- Você vai cuidar da minha moto logo? - perguntei pra ele, como quem dá um leve puxão de orelhas.

- Vou sim, Dona! Tô indo lá. Pode ir com seu amigo que depois vou lá avisar a senhora.
O moreno:

- Vamos lá, conheço a rapaziada. Não vai se aborrecer, prometo.

Está calor e, assim que ele virasse as costas, eu iria parar no barzinho mesmo. Pelo menos ficaria na sombra e, não estaria sozinha.

- Antes só que mal acompanhada - penso eu, lembrando os conselhos de minha e de muitas mammys.

Outra vozinha dentro de mim replica: Ai meus sais! É um moreno tão lindinho...

- Desculpe, fico com as mammys - respondo eu pra essa capetinha na minha cabeça.

- Não, meu anjo. Obrigada. Não bebo.
Essa mentira saiu com muita má vontade! Esses morenos ainda acabam com meu juízo...


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