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*Esta autora escreve neste espaço às quartas-feiras
 

Comunidades de Relacionamentos

11|04|07 • Adoro café, não vivo sem café. O café é meu amante e costumo dizer que café é que nem sexo em pó: quente e satisfatório.

Eu devia participar de alguma comunidade sobre o café. Uma não, como viciada bebedora de café teriam que ser várias. Para que não fiquem com uma impressão errada de mim, achando que sou elétrica demais, acrescento algumas comunidades no meu currículo: Estou tentando largar o café.

De consciência pesada pela preocupação inútil pelo que os outros pensam de mim, corro a buscar alguma comunidade que neutralize tal atitude e lá está ela: Não ligo para o que os outros pensam de mim. Dormirei tranqüila, com minha insegurança assim resguardada.

Acho engraçado ficar olhando as comunidades que demonstram opiniões pessoais e atitudes alheias. Descobri que as pessoas são muito mais inseguras do que parecem.

Na Internet não vale nada sua aparência física. Qualquer pessoa tem exatamente a cara da tela do meu papel de parede. Valemos pelas comunidades que participamos.

Não raras vezes, algumas comunidades servem para um resumido papo discreto. Um dia recebi um e-mail cheio de ofensas e uma amiga morreu de rir com o teor meio piegas e infantil do conteúdo. Logo em seguida me mandou o link da comunidade Mulheres odiadas por namoradas. Achei engraçada a descrição e entrei. Alguns dias depois quando venho conferir meus e-mails lá estava essa mesma amiga dizendo que alguém tinha entrado numa comunidade Não odeio nada. Foi a minha vez de morrer de rir porque a dita cuja tinha várias comunidades do tipo Eu odeio. Cheguei a procurar alguma que se adequasse à minha visão de Viramos crianças agora? Mas infelizmente na época, eu não achei. Mas entrei na Não odeio nada nem ninguém e na Sem ódio no coração. Não sei o que houve depois porque mil e uma tarefas apareceram e não pude mais brincar de bater papo.

Mas os papos continuam ativos por aí. Essa semana ri um bocado com um amigo que eu não conversava a tempos, me contando sobre o caso dele. Acabou um relacionamento e um dos dois entra numa comunidade intitulada Estou disponível enquanto a outra parte entrou em alguma afirmando Estou carente.

Como o primeiro não estava nem aí pro outro, entrou rapidamente na Tô nem aí pra sua carência. A outra parte replica com algo mais ou menos assim: Minha carência não tem nada a ver contigo. A conversa se encerra logo depois de um entrar na Bom pra você porque já estou em outra enquanto o outro na próxima semana, provavelmente entrará em alguma Estou bem melhor sem você.

Se você que está lendo não faz parte de alguma comunidade de relacionamento provavelmente não está entendendo nada do que estou falando. Problema seu porque acabei de entrar na Não vou explicar nada.


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