Roubo de Anel na CEF, pelo segurança da... Caixa!
14|02|07 • Há um determinado ritual macabro ente eu e os caixas eletrônicos. Como míope, estrambolicamente... míope, nunca sei que botão estou apertando naquele mísero tecladinho. Nem telescópio da Nasa me faz enxergar aqueles microscópicos botõezinhos. Tudo pela nossa segurança! Não importa que você, usuário obrigatório dessas maquininhas, não entenda exatamente que tipo de segurança tem ao brincar de "tentativas e erros" com aquele teclado - sempre com resultado em erro, claro!
Dirijo-me às caixas eletrônicas, tento tantas vezes quantas forem necessárias até que meu cartão seja bloqueado. Saio das maquininhas com cara infeliz (faz parte!) e dirijo-me à gerência onde desbloqueio novamente meu sagrado cartão magnético. Para não repetir o ritual, decido ir ao "caixa de gente que ouve e fala mesmo que não pense". Mas por que não seguir de uma vez ao "caixa de gente que ouve e fala mesmo que não pense"? Para evitar a impiedosa ladainha de gente que não pensa e mesmo assim, pensam que não pensamos: Já tentou o Caixa Eletrônico?
Vou eu, nessa bela manhã de sol ardente do meu Rio de Janeiro, resolver assuntos de dinheiro na Caixa Econômica Federal. E o que mais eu poderia fazer na CEF? Não respondam porque dessa vez quase tive que fazer pose de gatinha de playboy anos 20. Não qualquer Caixa, a agência 0210, infelizmente, a minha agência.
Foi no caixa eletrônico que descobri que inventaram outra senha para que você consiga acessar sua conta e mexer no SEU dinheiro. Além da senha de palavras e da senha numérica, inventaram uma terceira senha (sugiro aos cientistas que estudem a possibilidade de implementarem um computador na cabeça de cada ser humano que nascer daqui por diante para que possamos recorrer aos infinitos tetrabytes responsáveis por guardarem tantas senhas). Nem precisei cumprir meu ritual completamente, a maquininha nem me deixou ver meu extrato sem me cuspir um papelzinho com três letras que eu não sabia aonde enfiar (não, não foi dessa vez que quase fiz pose de gatinha da playboy anos 20).
Tento novamente me entender com a controladora do meu dinheiro que está à minha frente. repito todo o processo pra receber notícias da minha conta. Chega a hora de pedir a senha. E aí, qual ela está me pedindo? A da palavra ou a que acabou de me passar? Como sou muito sortuda, escolhi a senha errada. Ah, que maravilha! Voltei ao meu ritual macabro!... Quase gozando de prazer por finalmente saber em que ponto está a minha relação afetiva com a máqiuna, resolvo não abusar da sorte e corto os passos sequenciais: vou direto à gerência.
Há uma barreira (estou chegando lá...): aquela p@##@ de porta giratória que nunca acerta quem tem metal ou não. Fui barrada. O guarda bigodudo me olha com aquela cara de "bem feito pra você!": Algum metal na bolsinha (era uma bolsinha mesmo, uma mini miniatura de bolsa, com dez centímetros de altura), chave, celular, moedas? Tira e põe aqui na caixinha e tenta passar de novo. Tiro a chave de má vontade e tento de novo. Barrada. O guarda repete as instruções: moeda, celular, guarda-chuva (guarda-chuva dentro de uma bolsinha de dez centímetros??) ou qualquer outra coisa de metal que a senhora tenha esquecido? Respondo que não e era não mesmo. Só tinham papéis dentro da minha bolsa. Ele parece se convencer e manda eu tentar de novo. Barrada pela terceira vez. O guarda que de Belo não tinha nada, repete mais uma vez (que saco!!) e repito minha resposta mais uma vez. O cara insiste que eu tenho alguma coisa dentro da bolsa (eu já ficando estressada...) e novamente repito em alto e bom som que só há papéis em minha bolsa. "Senhora, deve ter alguma coisa de metal na sua bolsa."
Não há como evitar sentir-se constrangida nesses momentos. Eu vestia uma bermuda de ginástica e uma camiseta justinha. Se eu estivesse armada, o volume apareceria de forma bem nítida. Nem com absorvente eu estava para dizer que havia algum volume estranho em meu corpo. Absolutamente apenas eu e minha bolsinha. O guardinha que não era Belo, retoma nosso colóquio: "A senhora não vai conseguir entrar se estiver com algum metal".
- Não tenho moedas, nem guarda-chuva, nem celular, nem nada de metal ou qualquer material parecido com metal comigo. Você quer que eu tire a roupa pra conferir (e já colocando as mãos na base da minha camiseta)?
- Tenta de novo.
Tentei. Barrada pela quarta vez. Pedi de volta minha chave que estava com ele e saí do banco. Pensava em ir a uma Casa Lotérica tentar receber notícias frescas do meus adoentados trocadinhos, presos naquela agência e sem esperanças para que eu pudesse resgatá-los. Tem um probleminha com gente muito calma e paciente: quando o stress bate, ele bate! Volto à agência.
- Chama o gerente pra mim, por favor!
- Qual o gerente que a senhora quer?
Mais uma descoberta crucial na CEF: Tenho que saber de todos os gerentes, todos os horários e funções de cada um (nem sei quantos são, confesso... falha irreparável a minha. Como pretendo que o banco me atenda se nem sei quantos gerentes são?). Não vou cavucar mais nada senão vou descobrir que tenho também a obrigação de conhecer os dados completos de todos os funcionários naquela agência: seus dados pessoais, de contato, apelidos, currículo, funções, histórico escolar, carteira de vacinação e breve descrição física.
- Quero falar com o gerente desta agência - respondi enquanto pensava com meus botões: será que existe isso nessa agência ou chutei errado?
-Não posso chamar o gerente se a senhora não sabe qual gerente a senhora quer.
Fala sério! O cara finalmente abusou da minha sacrossanta paciência. Quer gracinhas? Vamos pra gracinhas...
- Eu quero falar com o gerente, sou cadastrada nesta agência e estou com um problema. Quero resolver com o gerente.
- Não posso chamar o gerente.
Pode não santa? - penso eu de novo.
- Ô GERENTE DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAAAAAL... GEREEEEENTEE... EU QUERO FALAR COM O GEREEEEENTE!....
Aguardo alguns segundo para verificar se houve movimentação dentro da agência. Nada, a não ser um bando de gente me olhando, eu nem sabia que tinham tantos gerentes assim nessa agência...
- GEREEENNNNTEEEEE... CADÊ VOCÊ???????? QUERO FALAR COM O GEREEEEEEEEENNTE... TEM ALGUM GERENTE NESTA AGÊNCIA QUE POSSA ME ATENDEEEEERRRR?????
Aumento mais o volume até ser ouvida na Via Láctea.
- GEREEEEEENNNNNTTTTTTEEEEEEEE....
GEREEEEEEEENNNNNNNNNNNTEEEEEEE...
Faço uma pausa para verificar o interior da agência novamente. Vejo um senhor descendo uma escada, olhando para a entrada do banco. Imagino que deva ser o gerente com quem eu tenho que falar, pelo menos, espero que sim.
vem ele com passinhos de Jessica Rabbit, do Roger Rabbit. Só faltou uma das mãos no quadril. sai da agência com aquela caaaallllllma que me deu até vontade de rir.
- Boa tarde, o que aconteceu?
- Boa tarde, eu não estou conseguindo usar a máquina eletrônica e nem entrar no banco para saber do MEU dinheiro.
- Por que a senhora não consegue entrar no banco?
- Poque algum imbecil resolveu ficar travando a porta pra mim. Já tirei minha chave da bolsa e não tenho mais nenhum metal.
- Tenta de novo.
Barrada pela quinta vez!
- Faça o seguinte - entreguei meus documentos e meu cartão do banco - o senhor, por favor, fecha a minha conta.
- Pra senhora fechar a sua conta, terá que entrra no banco.
- Para que eu entre no banco é preciso que o banco me deixe entrar.
- A senhora não tem nada de metal na bolsa?
Juro que pensei em pular no pescoço do gerente mas não o fiz. Tive que segurar uma gargalhada fora de hora porque a imagem de minha pessoa tomando esta atitude, se formou na minha mente. Olho pra baixo e comento qualquer coisa para manter a concentração séria. Ai, meus sais! Acabei de ver o cara deitado no chão, de terno e gravata se esperneando a toda velocidade com de olhos esbugalhados e muito mais de meio palmo de língua pra fora (seria o homem borracha, da série Marvel?). Tem horas que uma imaginativa geminiana tem que bancar a Fernanda Montenegro pra não se molhar de rir. Imagina eu, urinando ali na porta da agência e tendo que explicar o motivo do líquido quente escorrer por minhas pernas, sem permissão?
Enfim, o problema eram os brincos (??) de plástico imitando metal e meu anel - esse era de metal. Latão de camelô chileno, mas ainda assim, um metal! Ponho meus preciosíssimos objetos na tal janelinha.
- E agora, o que mais?
O gerente teve o descaramento de me perguntar: - A senhora deixa a bolsa com o guarda?
Alguém nessa situação deixaria? Não deixei, respondi com um simples "não".
- Não tem problema, já vi o conteúdo da bolsa da senhora e o segurança vai autorizar sua entrada.
Tá bom, não era o Homem-Borracha, era o super-Homem com visão de Raio-X! Só mais um pequeno engano meu... Sorry!
Devia ter comemorado minha entrada com alguns saltos e cambalhotas, mas não achei apropriado. Melhor deixar para quando tiver resolvido meus problemas no banco. Fui direto ao segundo andar saber da minha senha (força de hábito). A menina que não sei o nome nem seu histórico nem fui comunicada de sua biografia, atendeu-me e disse que estava tudo ok. Beleza! Vou ao "caixa de gente que ouve e fala mesmo que não pense" saber do meu dinheiro e fazer uma limpa nos meus trocadinhos. Pensaram que ia ser mole? Outra barreira: Pra ir ao caixa tem que pegar a senha "com aquele rapazinho ali naquela mesa", segundo um dos que agauardavam sua vez. Fui à mesa.
- O que a senhora vai fazer?
- Conferir meu extrato, retirar meu dinheiro e fazer dois depositos.
- A senhora já tentou o caixa eletrônico?
- Já fui no caixa eletrônico, já bloqueei minha senha, já desbloqueei e não quero bloquear de novo. Quero caixa com gente.
- Mas o caixa não vai atender a senhora, vai mandar a senhora para o caixa eletrônico.
- Eu prefiro o caixa com gente.
- A senhora tem que ir ao caixa eletrônico.
- Há alguma lei que me impeça, como cliente desta agência, a preferir o caixa com gente, aquelas caixas que estão ali? - apontei para as duas mocihas que estavam no caixa.
- É que isso deve ser feito no caixa eletrônico.
- Mas há alguma lei? É proibido preferir o caixa com gente?
Ele faz uma cara de saco cheio e me entrega a senha.
Não passei mais nenhum problema no caixa de gente, só nãoo consegui meu extrato, o banco não sabe o que faz com o meu dinheiro...
Venho embora e me dou conta de uma coisa apenas: o tal guardinha não me devolveu o meu anel de latão! Logo o meu anel? Vocês não imaginam o trabalhão que dá encontrar um anel que caiba sem cair, no meu dedo de tamanho infantil. Demoro séculos para encontrar algum que entre sem ficar largo e, um guardinha que deveria se preocupar com o não-roubo, resolve me fazer uma limpa dessas? Isso é realmente um absuro!...
Estou resolvendo se faço um BO contra o banco, contra o guarda ou contra os dois...
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