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» RIO DE JANEIRO, 7 DE MAIO DE 2008

Mães com M maiúsculo

Arte: Francci Lunguinho

Dizem por aí, que mãe é tudo igual, só muda o endereço. Discordo disso. Acho que cada uma tem a sua particularidade, o seu “que” a mais ou a menos, são todas ímpares. São como o nosso DNA – cada mãe é única.

No entanto, quando se trata do tão falado amor incondicional, quase todas elas são, realmente, muito iguais. Digo quase todas, porque existem mães que não nasceram para serem mães. Algumas até insistem, mas não tem jeito, não é delas. E ser mãe com M maiúsculo não é uma opção, é algo que a mulher traz consigo desde o seu nascimento. Não estou simplesmente falando sobre o fato de serem elas, as principais responsáveis pela perpetuação de nossa espécie. Isso seria um ato extremamente machista – além do que, não podemos nos esquecer, em hipótese alguma, das mães adotivas, que adotam os filhos, mas não o amor que sentem por eles. Esse amor está nelas, sempre esteve. As crianças apenas farão com que esse nobre sentimento comece a fluir em grandes e infinitas proporções. Falo sobre o ato inato da entrega, do se dar o tempo todo. Essa doação do amor incondicional é que, infelizmente, não está presente em algumas mães.

Mas estas, ao que parece, felizmente, não são maioria. A maior parte de “nossas” mães, são as tais com M maiúsculo. São capazes de trabalhar fora o dia todo e, ao chegarem em casa, ainda se jogarem no chão – sem o menor sinal de cansaço – para brincar com suas crianças durante um bom tempo. O sorriso, o abraço e todos os carinhos possíveis e imagináveis que entregam aos filhos são impressionantemente sinceros e espontâneos.

Dificuldade no dever de casa? Chamemos a mãe. Sente dores, está triste, precisa conversar? Mãe. Mãe, presente o tempo todo em nossas vidas. Se para os pais, os filhos sempre serão “as nossas crianças”, para as mães, os filhos sempre serão “os meus bebês”. Ao menor sinal de perigo elas correm e oferecem seus colos. Mesmo que, muitas vezes, nós filhos, não consigamos entender e respeitar tamanho cuidado e preocupação constante, isso para elas não importa. Negue seu colo uma vez, e elas lhe oferecerão outras tantas vezes quanto acharem necessário – ou seja, todos os dias.

Elas, as com M, nunca se afastam, nunca se ausentam, nunca fecham totalmente os olhos, nunca renegam, nunca desencanam de suas preocupações com os filhos. Acho mesmo que elas nem dormem. Muito provavelmente, seja por isso que, na tão comum frase “filho feio não tem pai” não haja espaço para elas. Para as mães os filhos sempre serão lindos. São bandidos: “são lindos, são meus”; são problemáticos: “são lindos, são meus”; são frequentemente tachados e marcados (os homossexuais, os viciados, as prostitutas, os tatuados, os cabeludos, os de “vida alternativa”...) por parte da nossa sociedade: “são lindos, são meus”. Elas nunca desamparam. Felizes aqueles que têm mães com M maiúsculo.

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Elano Ribeiro, 33, é escritor, autor de contos, crônicas e poesias.


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