QUEM ESTÁ VIVO SEMPRE APARECE
Meus amigos, estou passando uma temporada aqui em S. Paulo, trabalhando tal um mouro, e dei uma sumida do nosso “crônicas...”. Confesso que gostaria de retornar escrevendo coisas amenas. Mas, apesar destes últimos acontecimentos sobre a corrupção desenfreada - que já vem desde o ano de 1500 - milícias sitiando bairros inteiros, mortes de crianças causadas por balas perdidas, policiais matando inocentes, policiais morrendo, mortes premeditadas de pessoas que escolheram um caminho tortuoso de viver, e outras mazelas que o país ainda vive, ainda resta alguma esperança e alegria. Quando chego a casa às sextas-feiras, vindo de Sampa, o reencontro com a moça que cuida de mim, a quem chamo carinhosamente de D. Onça, minha última filha Estela, digo última porque os outros filhos já se casaram e “bebê”, o pequeno cão pinscher, esqueço momentaneamente de todo o lado negro dessa vida e só quero ser feliz. Penso: deixem os maus brasileiros pra lá. Eles estão perdendo uma oportunidade única de deixarem registradas suas passagens pelo planeta com boas obras. Não percebem que para ser feliz, basta ter noção do bastante. Para eles o bastante é o infinito.
Entretanto, uma hora dessas, são recolhidos para uma outra dimensão, e todo o ouro acumulado ficará por aí. Todos os alqueires de terra ficarão por aí. Todas as oportunidades perdidas de fazer alguém feliz ficarão por aí.
Bem, agora preciso ir. O almoço está na mesa, e D. Onça não gosta de esperar. Eu volto.
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Edejás de Oliveira é escritor
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