TRAGÉDIA URBANA
Carlinhos: 18 anos, ensino fundamental incompleto. Morador de um conjunto habitacional carente, onde o poder público não comparece.
Jorge: Pai de Carlinhos. Pedreiro autônomo e biscateiro.
Vilma: Mãe de Carlinhos, Mônica e Lia.
Jorge foi embora de casa quando Lia nasceu.
Mônica: 17 anos. Grávida de seis meses. O pai da criança que estar por nascer está desempregado e não tem profissão definida. Mônica também não completou o ensino fundamental.
Lia: cinco anos. Perambula com a mãe pelos bares até altas horas da noite.
Lia chora pedindo à mãe para ir a casa, tem fome.
Vilma manda que ela cale a boca ou levará uma surra.
Mônica já passou por este estágio. Já deu plantão nos bares até a madrugada com a mãe, já chorou de fome e também já apanhou por não prender o choro.
Carlinhos também já esteve nas ruas com esta mãe que, inexplicavelmente não gosta dos filhos que pariu.
Hoje Carlinhos está preso por tentativa de assalto à mão armada.
Na prisão, Carlinhos está se graduando em assalto, roubo, estelionato e tráfego de drogas.
Nesta sua pouca idade, onde acontece a formação do caráter do homem, ele não tem referências para o bem.
Quando sair estará preparado para outras investidas criminosas.
Jorge e Vilma se empenharam para que fosse assim. O destino de Carlinhos foi traçado por eles.
O filho que Mônica está para dar a luz corre o risco de ter destino igual.
Jorge e Vilma deveriam também estar cumprindo pena em alguma unidade prisional para pais que imputaram a orfandade aos próprios filhos. Talvez seja este o caminho para que se diminua o número de jovens delinqüentes, cujos pais não lhes deram a menor oportunidade de escolherem outro caminho.
Enquanto isso Lia pede socorro.
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Edejás de Oliveira é escritor
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