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» este autor escrevE ÀS terÇAS-FEIRAS


edejas2006@hotmail.com

» rio de janeiro, 5 DE JUNHO DE 2007

Emoções

São 20h00 e este gigante dos mares começa a mover-se para dar início a sua última viagem. Confesso que senti certa emoção em estar ali, no passadiço, sendo levado por ele até o local onde ficará por vários anos. Esta minha profissão, de vez em quando me premia com momentos como estes.  Enquanto as luzes de Botafogo, Copacabana e Ipanema iam ficando cada vez mais distantes, eu, aqui em cima, olhando para seu “bico,” rasgando as águas da Baia da Guanabara, ia pensando nas inúmeras viagens que ele fez, nas gotas de lágrimas de saudade que sua tripulação deixou cair e que se misturaram ao óleo nesses anos todos de transporte de petróleo pelo mundo afora. Ia pensando onde estariam hoje esses capitães, imediatos, marinheiros, cozinheiros e todos os que passaram partes de suas vidas nesta cisterna flutuante.

Estariam vivos? Será que algum desses morreu a bordo? E sua alma? Será que preferiu ficar? Será que ainda visita a praça de máquinas? Será que algum desses apaixonou-se em algum porto e nunca mais voltou a pisar o convés?

Sei lá. A noite está estrelada e ele segue para cumprir seu destino. O ronco cadenciado de sua máquina vai dando asas à minha imaginação. Dá-me a impressão que ele não é um objeto inanimado. O som da máquina parece um lamento, parece dizer que ainda tem saúde para mais alguns anos de vai-e-vem neste mar sem fim. Seu nome é POLVO, entretanto, apesar de não mais navegar, não cruzará seus braços.

A partir de agora é mais uma plataforma exploradora de petróleo.


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Edejás de Oliveira é escritor

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