Men at Work
...e a última sirene soou. Quando soa a segunda sirene, a última, todos os trabalhadores sabem que devem se reunir no local de trabalho e aguardar as instruções pertinentes ao novo dia. Nessa hora, além de se ouvir instruções sobre o trabalho a ser realizado, também se ouve recomendações sobre segurança do trabalho. O chamado DDS. Diálogo Diário de Segurança. Hoje, infelizmente, o tema dito pelos diretores da fábrica, tratou sobre como aconteceu o acidente que vitimou um trabalhador. Foram relembradas as normas de segurança, frisaram-se as melhores maneiras de se realizar um trabalho sem riscos de acidentes, recomendou-se fazer uma análise de todos os riscos possíveis na execução de um trabalho etc.
Orou-se pela alma do companheiro falecido, vítima do acidente acontecido. Horas depois, recomeçou o formigueiro humano circulando nos esqueletos na construção da plataforma de petróleo. A humanidade, escrava de seus anseios de progresso, paga um preço alto para atingir suas metas. Esta enorme máquina ordenhadeira de petróleo e gás tem pressa em sua construção. O produto da possível ordenha, mesmo antes de concretizá-la, já faz parte dos cálculos dos dirigentes do país.
Os contratos urgem tempo. Infelizmente, algumas horas depois, ninguém se lembrava mais do nome do trabalhador acidentado. Em parte porque outros acidentes já aconteceram, quando não, porque o operário, no fundo, é apenas um número nos registros da fábrica. Mas, nem tudo são espinhos nesta vida de trecheiro (trabalhador que vive pelos quatro cantos do país, em canteiros de obras). Eu, de minha parte, acho muito interessante os sotaques, gírias e outras pronúncias do interior. Como atualmente divido uma casa com mais sete companheiros, em Angra dos Reis e, cada um deles é oriundo de um estado do Brasil, aprendo e me divirto bastante com este convívio. E assim vou indo, fazendo uma limonada de cada limão recebido.
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Edejás de Oliveira é escritor
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