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» este autor escrevE ÀS terÇAS-FEIRAS


edejas2006@hotmail.com

» rio de janeiro, 26 DE FEVEREIRO DE 2007

Um anjo chamado João

Dias atrás, o país assistiu estarrecido a mais uma barbárie. Um menino de seis anos sendo arrastado, preso pelo cinto de segurança, em um carro dirigido por indivíduos que me falta agora o termo apropriado para designá-los. O ser humano de hoje perdeu totalmente a dimensão do cruel, do desumano, do ilícito, do legal. Algum tempo atrás, um grupo de jovens de classe alta, em Brasília, acharam que não havia nada de mais atearem fogo em um índio. Quando foram interpelados pela polícia, se defenderam dizendo que pensavam se tratar de um mendigo. Em suas mentes, mendigos devem arder em chamas até a morte. Não tem nada de mais. Um pouco mais recente, um outro grupo de facínoras ateou fogo em um ônibus, não permitiram que os passageiros saíssem, e assim, causando a morte de várias pessoas, inclusive de um bebê. A pessoa que ateou o fogo, ao ser interrogada, não demonstrou o menor remorso pelo crime bárbaro cometido.

Acho que a morte do pequeno João deve servir como um marco de mudanças nas leis.

Precisamos acabar com a hipocrisia de alguns organismos que insistem em citar os direitos humanos para quem não tem o menor princípio humanista. Esta história de menor infrator, passar um período na FEBEM e depois sair cometendo crimes de novo tem que ser olhada com carinho. Estes monstros que mutilaram João, não podem ser considerados criminosos comuns. São bárbaros, são desprovidos de qualquer sentimento de amor ao próximo. Não devem continuar em nosso convívio. Não devem ir entretanto para a cadeia, lá ficarão um período, e depois estarão nas ruas fazendo algo bem pior. Sei que este texto será rechaçado por alguns sociólogos de plantão, que nunca perderam algum filho para os animais da barbárie. Argumentarão que a  pena de morte, não diminuiu a criminalidade nos paises onde ela é empregada. Mas, se no caso do índio Galdino, a justiça tivesse sido implacável com os autores do  crime, talvez o pequenino João estivesse agora correndo atrás de uma bola no recreio de sua escola.

Desculpem-me os leitores do CrônicasCariocas e os companheiros colaboradores. Desta vez, estes bandidos foram longe demais. Precisamos dar um basta!


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Edejás de Oliveira é escritor

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