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» este autor escrevE ÀS terÇAS-FEIRAS


edejas2006@hotmail.com

» rio de janeiro, 13 DE SETEMBRO DE 2006

De companheiro para companheiro

Sou metalúrgico, e igual a você sou torneiro mecânico. Não tenho feito outra coisa nos últimos vinte anos, senão defendê-lo. Apesar de morar no Rio de Janeiro, acompanhei sua trajetória desde os tempos em que você militava no ABC. Sua eleição para o Sindicato paulista. Sua prisão pelo regime militar, e tudo o mais. Você liderou o movimento contra a corrupção no governo Collor, que culminou em impeachment. Além de mim, outros companheiros desejavam vê-lo em Brasília. Convenci minha família a votar em você. Sempre. Você andou perdendo algumas eleições. Nós não o abandonamos. Nós queríamos tirar do poder aqueles políticos que jamais fizeram algo de ”peso” para o povo.

Achei ridícula a atitude daquela atriz, na eleição passada, dizendo que estava com medo de sua vitória. Dizia ela naquela ocasião que, se você vencesse a eleição, o Brasil estaria perdido. Nas minhas conversas de botequim, percebia que muitas pessoas tinham a mesma opinião que a da atriz.

Eu tentava fazê-las pensar o contrário. Eu dizia a elas que você era diferente. Quando elas diziam que você não tinha cursado faculdade, eu argumentava que conheci um metalúrgico, Luiz Sérgio, que também não era universitário, e que foi um bom Prefeito na cidade de Angra dos Reis.

Deu certo, você venceu. Mas, e agora? Sei que você fez algumas melhorias para país. A decisão de construir no Brasil as plataformas de petróleo, gerando milhares de empregos, foi maravilhosa, mas, há muita coisa ainda a ser feita. É bem verdade que quatro anos não são suficientes para se consertar um país cheio de avarias, mas, você prometeu muito. Não devia.

É preciso dizer também que, ninguém em sã consciência, consegue entender como pôde pessoas importantes do governo, por exemplo, o Palocci, que gozava de total confiança da população, participar de atos ilícitos como violações de contas bancárias etc. Atitudes estas, que não combinam com a proposta inicial deste governo. Você, que sempre defendeu uma administração honesta, séria e limpa, não poderia ter deixado isso acontecer. Lembro-me bem que o slogan do partido era: UMA MANEIRA DIFERENTE DE GOVERNAR. Eu diria que não foi, e não está sendo diferente. Foi e está sendo exatamente igual às outras maneiras já conhecidas. Com esta estória do dossiê e outros casos escabrosos, você se nivelou aos que hoje são da oposição. Eles sempre usaram as piores práticas. Tivemos o caso dos anões do orçamento. Tivemos o caso da violação do painel de votações. Tivemos caso de envio de dinheiro para paraísos fiscais. Tivemos o caso da compra de votos para aprovar a emenda da reeleição. Eles conseguiram sair ilesos.

Alguns dos que te acusam hoje fizeram parte desses escândalos no passado. Você teve a chance de esmagá-los de uma vez por todas, fazendo um governo sem máculas, porém, você preferiu municiá-los com todos estes fatos obscuros. Você se esqueceu que eles são profissionais. Não desistirão nunca de depô-lo do governo. Hoje, me sinto mal ao assistir na TV, pessoas da estirpe de: Roberto Jefferson, Tasso Jereissati, Jorge Bornhauser, Antonio Carlos Magalhães, Fernando Henrique Cardoso, Arthur Virgílio, e outros mais, dizendo que estão horrorizados com estes fatos.
Seria cômico se não fosse trágico. Logo eles, falando isso! Foram concubinas do poder durante uma vida inteira, compactuando com toda sorte de “negócios”.

Bem, daqui a algumas horas, você terá uma nova oportunidade. Poderá se redimir dos erros, inclusive das escolhas mal feitas de auxiliares. Até o pior criminoso tem uma segunda chance de voltar ao convivo pacífico com a sociedade. Você também terá a sua. Se eleito, e não for incapacitado juridicamente de exercer o governo, aja com a sabedoria que se adquire após alguns solavancos que a vida nos dá. Faça realmente um governo diferente.

Seja aquele Lula, que encheu de esperança este povo sofrido. Faça um governo exemplar, e passe a fazer parte da história desse país, como o presidente que veio do povo, e governou para o povo. Boa sorte.

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Edejás de Oliveira é escritor

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