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» este autor escrevE ÀS terÇAS-FEIRAS


edejas2006@hotmail.com

» rio de janeiro, 13 DE SETEMBRO DE 2006

É preciso reinventar a família

Seria muito bom se pudéssemos usar este espaço para escrever somente coisas bonitas e agradáveis. Entretanto, tenho que fazer alguns comentários sobre duas notícias tristes que veicularam toda a semana: A morte dos cinco jovens no acidente de carro na lagoa e a insistência do senador Ney Suassuna em afirmar na CPI, que nada tem a ver com o caso das ambulâncias. Ao dizer isto, o senador está nos chamando de idiotas.

Quando vejo jovens morrendo por nada, fico profundamente chocado. Penso principalmente nas mães. As mães que carregam em seus ventres aquela vida vários meses, amamentam, ensinam as primeiras palavras, as brincadeiras, e com os olhos mareados ficam nos portões das escolas olhando o filho desaparecer no corredor, levado pela professora no primeiro dia de aula. Depois, já mais tarde, quando começam a namorar, recebem em suas casas os namorados e namoradas com aquele carinho. E agora? E aquele quarto vazio?

A quem elas irão cobrir à noite dando aquele beijo? O problema é que, tanto os pais quanto as mães, às vezes exageram na dose de demonstração de amor e acabam esquecendo de ensinar-lhes a regra número um do bem viver: bom senso. Nas classes mais favorecidas, a falta de bom senso se verifica nos jovens, menores de idade, dirigindo sem habilitação ou consumindo bebidas alcoólicas nas boates, ou ainda, fazendo as duas coisas. Apesar da pouca idade, já possuem uma cópia da chave de casa. Não há limites de horário. Os pais são estudados, e querem ser modernos. Nas classes menos abastadas, com exceção do automóvel, o quadro não é diferente. Os pais freqüentaram menos as escolas e devido a uma vida de privações, tentam compensar, deixando os filhos à vontade. Com todo o respeito a esta família enlutada, é preciso rever alguns valores. Não basta dar um automóvel ao filho ou uma viagem ao exterior. Os pais devem ser bons exemplos, devem dar limites, e nada disso impede de serem verdadeiros amigos dos filhos, a ponto de, quando eles estiverem a um passo de cometerem algum delito, parem e pensem: meu amigo está em casa me esperando, e vai ficar muito triste comigo.

Foi dessa maneira que eu fui criado. Nasci e cresci na favela. Recebi os mais variados convites. Ofereceram-me drogas, convidaram-me para participar de roubos. Sabem como resisti? Pensava em meu pai. Pensava o quanto meu amigo ficaria decepcionado

Quanto ao senador Ney Suassuna, eu prefiro o de nome Ariano.

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Edejás de Oliveira é escritor

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