DOCE PERSEGUIÇÃO
Receber presentes de alguém pode ser ato costumeiro. Não receber é ansiedade de espera em datas especiais ou mero conhecimento de outrora, quando sabiam-se aproximados. Ficamos adultos e egoístas vão se tornando as pessoas, independentes endividados, com si próprios, com simples palavras de afeto por mais próximos que sejam! Quase não vemos os outros que gostam da gente. Somos queridos e ganhamos cada vez menos coisas que tragam surpresas. As melhores ficarão na lembrança inesperada de algum dia poderem voltar...
Se estamos com uma maçã do amor em algum parque, dizem que seremos felizes no jogo, temporários a escolher ou infelizes em ambos todo o tempo. Gostaria de ser fortune teller1 e desconfiar de ciganas que roubam poesias, mas acredito piamente nos seus anéis assim como queimo baralhos de tarô. O medo de ver a carta da morte ou vivermos enforcados em certezas que descompletam aspirações. Mais fácil pagar o preço de um vestido cigano e concordar, do que sermos cozidos no caldeirão das vaidades... Infeliz destino queremos sempre por longe, sem perguntar-lhe qual religião professa. Se for atéia de duas cabeças, como a cobra que amedronta morderá e assoprará os bagos enquanto gritam e pelancas femininas, vitoriosas, também serão molhadas que deslizam... Vivam os balões de gás reunidos! A roda-gigante que no alto vê, com ângulo, paisagens felizes da noite que briga: o rachade carrinhos, aviõezinhos que não voam e dão tiros que não matam, de rolhas arrancadas e caídas, amparadas pelo pano velho ou plástico preto fechado no zíper, tudo bem animado até que uma moça yankee resolve se jogar e não é da ponte-aérea: exatamente ali, uma tentativa de estupro justo na TPM e num banco circular ao lado? Acima de nós!Estão discutindo levantados, no balanço pendurado dos gritos que empurram à borda, princípio de luta e vão cair! Sim, agarraram-se no ódio de quem pouco espera, agora é questão de segundos a roda não girar, como se voltasse heróico desfecho. A Paz fica parada, enquanto a falta de amor desaba! Um medo acrobata que implora rede de proteção e tapumes, novos carregamentos chegando ao barulho inocente dos realejos? Não, nesses dias seguros, nem os policiais da ordem e do progresso conseguem manter a normalidade no parque. Violentos serão os comportamentos também.
De nada adiantou o looping que fizemos tentando escapar da cascata de água e miras noturnas. Ganhamos experiência nos carrinhos, aprendendo a conviver com banhos de mar em poluídos centros urbanos. O que nos conforta é saber que inúmeras lanchas patrulham as entradas marítimas das Baias de Miami e da Guanabara. Claro, lá não existem cubanos, chicanos não são 1/3 da população da Florida e aqui existe eficiente guarda costeira! Todos os esforços em impedir a chegada da coca, da violência foram presenteados com um século de livre cambismo de armas e facas, que vêm em travessas de bolos paraguaios. Felizmente não participamos deste câmbio: desativaram as ferrovias que cruzavam o Pantanale outra mais sucateada que ia até Panorama, nas margens do Rio Paraná. Não existem trens para o Uruguai nem Argentina, apesar de vasta planície e falarem em integração no Mercosul, aliás, não existem trens de passageiros no Brasil, salvo pouquíssimas e limitadas linhas, turísticas. A armas vêm pelas rodovias mesmo ou ainda estão entre nós, depois dos atrasos executivo e congressual em proibi-las.
Bem, tentaram proibir (nota 10 Laurinha!), apesar de reacionários ainda fazerem lobby pelos esquadrões da morte e pela vitória do NÃO... Agora, em conjunto, recriar uma mentalidade pacifista na população leva tempo. Vou fazendo minha parte (de assinante malvado), doce perseguição, como os alunos de Lalu que nos perseguem pelos parques de diversão, shoppings, pelos supermercados, pelas praias, aborrecentes felizes que surpreendem em qualquer lugar! Escrevo loucuras nunca respondidas que viraram manchetes em alguns domingos no jornal: enquanto faltar inspiração, escreverei por eles.
(1) Os que prevêem o futuro.
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*Dr Guto gostava muito do Tivoli Park, na Lagoa...
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