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» SÃO PAULO, 13 DE MARÇO DE 2008

A TEORIA DO PONG

Nunca sei bem o que escrever quando penso em alternativas para melhorar de vida e horas queremos melhorar, horas queremos que tudo pare e fique como está, antes que o redemoinho de ilusões nos leve pelo mundo que poderá ser seguro - vamos vivendo, pulando como bolinha colorida no salão, enquanto pisam as botas e sapatos moralistas, sandálias vermelhas de salto afiado, longe de acertar a levíssima bola que deveria cair mais para o lado certo das letras...

Colecionei algumas obras de auto-ajuda, vida saudável, globo rural, aprenda a fazer licores, a maravilhosa cozinha espanhola, desvendando a cerâmica marajorara, aprenda a pescar sem  jogar sobre as bolas, a pintar o sete sem ofender os outros e consegui, desaprender o que deveria ter por lição; ensinar aos que não quisessem votar, complicado sim, mas tento resolver as equações com ajuda do Help matemática, intacto, outra coleção que não abri. Elas estavam todas quietas na estante e decidi demolir a estante, para me ver livre dos cupins, coisa de lusitano mesmo que se acha dono dos navios: se o cupim dá na borda, que jogue-se a nau fora! Ora bolas, pra que pensar mais. A decisão de retirar logo a mesa foi poupada pela idéia de se inventar algo útil. Poupei o cofre de porquinho do  camelô e outro de satélite com jogo de espelhos onde não se vê as moedas (este trouxe do museu Smithsonian), proibi de mexerem na estatueta de São José e no porta retrato de anjo. Ficaram também uma matrioska russa que deixo sobre o computador jurássico, uma réplica da nave Columbia em miniatura, um chaveiro de jangada do Ceará e Pachamac, um deus inca em jade azul, e suas faces opostas, que olham passado e futuro. Estranho, ao lado, destoando, um apontador de plástico do Mcdonalds! Pelo menos a cabeça dele está na minha mesa... Uma Constituição autografada por Ulisses, o mapa do Brasil em pedras decorativas, com uma caneta sem tinta, personalizada, observo mais, impressora com capa, secretária e aparelho de fax, remédios em desuso, contas a pagar, restos de outras picadas, relógio water proff, calculadora que faz barulho ao digitar, um capacete verde e amarelo do Senna, tudo com bem uma década e pequena carteira de couro. A agenda é rosa e roubada de Lalu, do ano de 2005, certo, nenhum sentido. Isso tudo se foi, quero escrever é novidade. O que se vai fazer... É mais ou menos assim, planeje e estará no caminho do Pong! O eterno ir e vir, lei do retorno, tenaz, implacável, vitoriosa, com seus diplomas eleitorais e cartões de afinidade de alto limite, aplicações na casa dos terceiros decimais com ponto; direito a courrier dos bancos, diárias em ranchos, flats e iates, passaportes carimbados e muitos, vistos a lugares distantes, carros importados e do ano! Base e esmalte nas unhas, botox,  bebidas e perfumes do free shop, trazidos durante o expediente, convênios médicos top de linha (só resgates aeroterrestres), amantes em restaurantes e roupas de grife, sem conhecer  chefs e  estilistas, claro. Influentes, os poderosos do clube, do gran finale da sociedade terceiro mundista, que contrata assessoria de imprensa e notas sociais...

Prefiro ser cristão, anônimo, não nomeado e não matar e poder jogar perfume na cova deles, importantes, doutores nem sempre, podem ainda ser roceiros do café ou da soja, familia quatrocentona dos engenhos, fornicar com a ralé e políticos com certeza têm algum tentáculo familiar, pois que comam o melhor feijão dos escravos, a orelha do pobre, temperos de especiarias esmagados com os pés, ainda assim, quando estiverem no melhor sabor, mastigarão a pedra no dente! A nau afundará! A muvuca de gases e gordura subirá às artérias cerebrais e vocês, sindicalistas, terão os carros comidos pelo leão do inventário! Assim é a teoria do pong... Vão fazer urna com impressões digitais, vão, seus corporativos!  Hehe

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    *Dr Guto agora tecla sem mesa, sobre a poltrona...

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